Banca ‘espanhola’ resiste à descida dos juros com lucros de 1,8 mil milhões em Portugal

Santander, BPI, Bankinter e Abanca: a 'armada espanhola' na banca portuguesa resistiu à descida das taxas e viu os lucros estabilizaram nos 1,8 mil milhões. Já controlam metade do mercado de crédito.

O CEO do Santander Totta, Pedro Castro e Almeida (D), acompanhado pela atual vice-presidente executiva e futura CEO, Isabel Guerreiro (E), em conferência de imprensa para divulgação dos resultados do ano de 2025 da instituição bancária.Filipe Amorim/Lusa

Apesar da descida das taxas de juro ter condicionado a margem financeira no ano passado, os bancos ‘espanhóis’ viram os seus lucros praticamente estabilizarem nos 1,8 mil milhões de euros em Portugal. Para Madrid, já se sabe, vão seguir 1,3 mil milhões em dividendos.

O Santander Portugal foi o que mais lucrou: apresentou esta quinta-feira resultados líquidos de 963,8 milhões de euros e que representam praticamente metade do ‘bolo’ de quatro bancos com donos espanhóis a operarem no mercado nacional. O banco, que se prepara para ter uma mulher no comando, com Isabel Guerreiro a substituir Pedro Castro e Almeida na liderança a partir de 1 de março, estabilizou os lucros ainda que a margem financeira tenha derrapado 12,5%. Para compensar isso, ajudaram várias rubricas, incluindo comissões, resultados com operações financeiras e a recuperação do adicional de solidariedade que o tribunal considerou inconstitucional.

O antigo Totta fechou 2025 com uma rentabilidade dos capitais próprios superior a 30%. “Somos o banco mais rentável de Portugal e um dos mais rentáveis na Europa”, sublinhou Castro e Almeida. É o que vai deixar de legado à sua sucessora.

Santander lidera armada espanhola

Fonte: Bancos

Quanto ao BPI, detido pelo Caixabank, não teve o mesmo desempenho. Os lucros caíram quase 13% para 512 milhões de euros no ano passado. A margem financeira caiu mais de 10% e ajudou a explicar este afrouxamento do resultado líquido. Mas o CEO João Pedro Oliveira e Costa acredita que a situação estabilizou e o banco deverá manter-se nestes níveis de margem. “Já se nota um alisamento na queda das taxas. Acredito que ficaremos por onde estamos agora”, declarou.

O presidente executivo (CEO) do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, durante a apresentação de resultados de 2025.JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

1,3 mil milhões em dividendos para Madrid

Os dois bancos já revelaram o que pretendem pagar em dividendos aos seus donos. No caso do Santander Totta, o cheque corresponderá a 90% do resultado, ou seja, uma verba que se situará na ordem dos 867 milhões de euros. No BPI, a fórmula inclui 75% do resultado doméstico e 100% dos resultados em Moçambique e Angola, com Oliveira e Costa a estimar um valor a rondar os 428 milhões.

A ‘armada espanhola’ na banca nacional tem ainda outros dois players de dimensões mais modestas, embora em crescimento. O Abanca, que acabou de fechar a aquisição do Eurobic, anunciou lucros de 103 milhões de euros na atividade portuguesa, subindo 10% em termos homólogos. A margem disparou 20%. Já o Bankinter – que comprou o negócio do Barclays em 2016 – registou lucros antes de impostos de 210 milhões, ainda que a margem tenha decrescido de forma ligeira.

Tanto os responsáveis do Abanca como do Bankinter estão satisfeitos com a dinâmica das operações nacionais e reafirmam Portugal como um dos principais mercados para as suas operações.

Gloria Ortíz, CEO do Bankinter, com o administrador financeiro, Jacobo Díaz.DR

 

Crédito dispara para 107 mil milhões

Outro fator que ajudou a amparar o impacto da queda das taxas foi o aumento do volume de crédito. Em termos agregados, a carteira de empréstimos de Santander, BPI, Bankinter e Abanca soma 107 mil milhões de euros em Portugal, mais 7,2% em relação ao final de 2024. Isto significa que a banca espanhola tem uma quota de mercado na ordem dos 49% no sistema nacional.

Parte do sucesso no crédito tem residido na garantia pública para os jovens, que está a fomentar a procura no segmento da habitação junto de todos os bancos, espanhóis e não só.

Quanto aos depósitos, as quatro instituições guardam mais de 90 mil milhões de euros em poupanças das famílias e empresas portuguesas, o que corresponde a um terço do mercado.

Para as próximas semanas, os outros principais bancos também vão apresentar as contas relativas a 2025. Caixa e BCP fá-lo-ão na última semana do mês. O Novobanco — que vai ter um dono francês, o Groupe BPCE — só apresenta os resultados no início de março.

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