ECO da Campanha. Ventura insiste em adiar eleições

Seguro recusa avaliar já a resposta do Estado às tempestades, mas promete apurar responsabilidades se for eleito Presidente, enquanto Ventura mantém a pressão para adiar as eleições.

No último dia de campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro andou pelo distrito do Porto e André Ventura foi a Alcácer do Sal, um dos concelhos devastados pelas tempestades, depois de ter visitado Beja.

Seguro e Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, a 8 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.

Tema quente

Seguro promete escrutinar falhas do Estado e Ventura insiste no adiamento das eleições

António José Seguro recusou fazer uma avaliação política imediata às falhas na resposta do Estado às tempestades, defendendo que o foco deve estar no apoio às populações, mas prometeu apurar responsabilidades caso seja eleito Presidente da República. André Ventura voltou a pedir o adiamento da segunda volta das presidenciais, alegando falta de condições para votar devido ao mau tempo.

O candidato presidencial apoiado pelo PS, António José Seguro, recusou esta sexta-feira fazer uma avaliação política imediata aos erros das autoridades do Estado na resposta às tempestades que atingiram o país na semana passada, mas garantiu que haverá responsabilização caso seja eleito Presidente da República.

Durante uma visita aos escritórios da tecnológica Sword Health, no Porto, Seguro afirmou que o momento atual deve ser dedicado ao socorro às populações e empresas afetadas, deixando a análise para mais tarde. Ainda assim, deixou implícita uma crítica ao Governo pela demora na chegada dos apoios.

“Há um momento da avaliação e outro do apoio e do socorro. Neste momento devemos concentrar todas as energias em acudir às pessoas”, afirmou. O candidato assegurou, porém, que não deixará passar falhas sem esclarecimento: “Vão haver relatórios e eu vou fazer perguntas muito claras a quem tem responsabilidades na proteção civil, incluindo ao primeiro-ministro. E comigo não haverá nenhuma pergunta sem resposta. A culpa não vai morrer solteira.”

Seguro acrescentou que já considera evidente uma fragilidade estrutural: “Para mim já é claro que o Estado português não está preparado para enfrentar intempéries desta natureza.” Questionado sobre a demora na operacionalização de apoios extraordinários, respondeu apenas: “É uma constatação”.

Depois de três municípios terem decidido adiar a votação da segunda volta das presidenciais para 15 de fevereiro – Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã –, Seguro disse não tencionar deslocar-se a essas zonas para nova campanha, argumentando que os eleitores já dispõem de informação suficiente para escolher entre si e André Ventura.

Apesar das sondagens favoráveis, recusou antecipar qualquer cenário eleitoral: “Não há eleições ganhas à partida e as sondagens não elegem presidentes.” E apelou à participação: “Seria um pesadelo terem na cabeça um candidato e, por não irem votar, terem uma surpresa desagradável no dia seguinte.”

André Ventura, presidenciais
O candidato à segunda volta das eleições à Presidência da República, André Ventura, fala à imprensa à chegada para uma reunião com o Presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, sobre a preparação do processo eleitoral, 6 de fevereiro de 2026.TIAGO PETINGA/LUSA

Do lado do candidato apoiado pelo Chega, André Ventura voltou a defender o adiamento das eleições devido ao mau tempo. O candidato reuniu-se com o presidente da Câmara de Beja, alegando tratar-se de uma zona “bastante afetada” e com “muitas estradas cortadas”.

O autarca Nuno Palma Ferro descreveu, contudo, um cenário diferente, garantindo que houve apenas “alguns constrangimentos” e que todas as vias estão transitáveis, não existindo motivo para alarme. Assegurou ainda que o concelho reúne condições para votar no domingo.

Ventura insiste que o sufrágio deve ser adiado porque “as pessoas não estão em condições de votar” e porque a próxima semana deverá ter melhores condições meteorológicas. O candidato prevê ainda deslocar-se a Alcácer do Sal para entregar ajuda às populações afetadas pelas inundações.

O pedido de adiamento surgiu após os efeitos das depressões Kristin e Leonardo e perante a previsão de novo agravamento do estado do tempo no fim de semana.

Figura

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República
O Presidente da República disse hoje que explicou ao candidato presidencial André Ventura a impossibilidade legal de um adiamento geral das eleições e também tentou, sem sucesso, falar com o outro candidato, António José Seguro.Lusa

O Presidente da República afirmou esta sexta-feira que esclareceu o candidato presidencial André Ventura sobre a impossibilidade legal de adiar a segunda volta das eleições e revelou ter tentado, sem sucesso, falar também com o outro candidato, António José Seguro, para manter equidistância.

Em declarações aos jornalistas, em Abrantes (Santarém), Marcelo Rebelo de Sousa confirmou ainda que fará no sábado, véspera da votação, uma mensagem ao país de apelo à participação eleitoral.

Sobre o adiamento geral das eleições defendido por André Ventura – hipótese não prevista na lei eleitoral –, o chefe de Estado relatou que foi contactado pelo líder do Chega ao “fim da tarde ou começo da noite”, por WhatsApp, devido às condições meteorológicas adversas.

“Só pude encontrá-lo já muito tarde, perto da meia-noite”, contou, acrescentando que explicou então ao candidato que “a mudança da lei não era possível” a dois dias do ato eleitoral.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que também a eventual declaração do estado de emergência não permitiria adiar a votação. “É um processo complexo, envolve vários órgãos de soberania e, mesmo que fosse decretado, não dava abertura para o adiamento geral das eleições”, afirmou.

O Presidente da República disse ainda ter procurado falar com António José Seguro – que já se pronunciara sobre o tema – apenas para assegurar tratamento igual aos dois candidatos. “Não foi possível. Deve estar em atividade e não conhece o meu número de telefone, ou terá mais coisas para tratar do que isso, mas vou ver se ainda falo com ele hoje”, concluiu.

Frase

"Para já, não estamos a pensar alterar nada. Temos as mesas de voto todas preparadas para que as pessoas possam votar. Aparentemente, não há impedimento de estradas. Ainda estamos a avaliar, mas em princípio vamos manter.”

Luís Albuquerque

Presidente da Câmara de Ourém

Número

53.288 eleitores

Mais de 53 mil pessoas dos três municípios de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, e de duas freguesias do concelho de Santarém (São Vicente do Paul e Cidade de Santarém) veem o voto para as eleições presidenciais deste domingo adiado para o próximo dia 15. Na primeira volta votaram cerca de 34 mil pessoas e a maioria delas escolheu António José Seguro. Das quatro localidades, a mais populosa é uma das freguesias de Santarém com 25.315 eleitores.

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