“O que me falta para conseguir aquele emprego?” Startup luso-brasileira lança agente de IA que responde

CEO e fundadora da Itrecruiter foi à Web Summit Qatar com a comitiva de Portugal e aconselhou os candidatos a um emprego tecnológico a criarem o CV "mais simples possível": sem cores nem fotografias.

Rosane Marques, cofundadora e CEO da Itrecruiter
Rosane Marques, cofundadora e CEO da Itrecruiter

A startup luso-brasileira Itrecruiter, que desenvolve tecnologia para recrutamento, lançou esta semana, durante a Web Summit Qatar, uma plataforma online que analisa os currículos dos profissionais do digital e as vagas de emprego. O sistema à base de inteligência artificial, chamado “Lili”, compara o CV com a oferta de trabalho e explica onde é que o candidato precisa de melhorar para ficar com o emprego.

Na Lili, consegue-se colocar o requerimento da vaga, o seu currículo, ela faz a gap analysis [análise de diferenças] e diz onde precisa melhorar se quiser aquela vaga. Caso queira exportar o CV, o que chamamos de ATS – Automated Tracking System Friendly – paga uma taxa pequena, de 1,99 euros”, revelou ao ECO a cofundadora e CEO da Itrecruiter, durante a cimeira tecnológica em Doha.

Rosane Marques, que viajou até ao Qatar ao lado da comitiva portuguesa, aconselha os candidatos a um emprego tecnológico a fazerem um CV “o mais simples possível”: sem fotografias nem cores e com as palavras-chave relacionadas com o trabalho e a empresa, até para facilitar o processamento da informação por parte dos softwares de recrutamento, que estão sujeitos a regras, como as do RGPD.

Lili, a nova plataforma tecnológica da startup luso-brasileira

“Muitas vezes, a empresa procura o profissional perfeito, mas infelizmente não existe. Quando existe algo parecido, tem valores mais elevados. Nós tentamos trabalhar com um leque grande de profissionais, tanto os de Portugal como os que estão a caminho de Portugal – temos certificação do IAPMEI para os trazer – e quem trabalha remotamente”, explicou Rosane Marques sobre o seu negócio, que começou em Lisboa. Foi a partir daí que a Startup Portugal a levou à Web Summit em Lisboa, à South Summit em Madrid, ao Rio de Janeiro ou a Toronto.

De feira em feira pelo mundo, a cofundadora e CEO da Itrecruiter garante que “nada se compara com Lisboa, que realmente é a mãe de todas pela quantidade de pessoas e pela visibilidade que tem”. Ainda assim, Rosane Marques considera que a Web Summit – seja em Doha ou em Vancouver – “dá sempre uma exposição muito grande” e resulta em “alguma novidade”.

A Web Summit é muito importante pela visibilidade da marca e negócios, porque no final de contas estamos cá a fazer contactos com parceiros e possíveis clientes, que se desenrolam nas próximas semanas. Mas nada se compara à de Lisboa, que realmente é a mãe de todas.

Rosane Marques

Cofundadora e CEO da Itrecruiter

Por exemplo, na terça-feira, a Itrecruiter teve uma reunião com um empresário que trabalha na legalização de profissionais em todo o mundo – uma espécie de Remote – e percebeu que ele precisava de alguém que, internamente, tratasse do recrutamento. “Há várias empresas que fazem legalização mas não recrutamento. Ele disse-nos que aí perde 10% das oportunidades, porque os clientes querem encontrar as pessoas e não têm como”, explicou Rosane Marques. A ideia é fechar uma parceria na qual a startup com sede em Lisboa fique com a pasta das contratações dessa empresa.

Negócio pós-night (summit)

O que a Itrecruiter procurou em Doha foi um trabalho semelhante ao que está a desenvolver com outra empresa de Valência, cujo contrato nasceu após uma noite de copofonia na Web Summit. “O engraçado é que foi na night summit. Ao terminar a conferência, encontrámos pessoas a tomar umas bebidas, começámos a conversar, precisavam de recrutar no Brasil e agora temos o negócio fechado”, conta ao ECO.

E qual é o formato de night summit que funciona melhor: o de Lisboa e do Rio de Janeiro – em que os eventos sociais após a conferência estão espalhados por várias zonas da cidade – ou o de Doha, onde as atividades (como jogos, espaços de confraternização, minigolfe ou campos de padel) se encontram logo no recinto do centro do congressos? Depende, confessando-se mais adepta da segunda opção.

“Acho que tudo na vida tem os seus prós e os seus contras. Depende das preferências. Muita gente gosta de ter [os eventos] espalhados pela cidade, porque dá a possibilidade de encontrar vários tipos de perfis de festa. No meu caso, gosto da ideia de ter algo mais próximo, porque são dias muito cansativos e, no fim, só queres chegar e conversar”, afirma Rosane Marques. A empreendedora luso-brasileira argumenta ainda com a segurança, que no Rio de Janeiro não é tanta como em Lisboa ou Doha e pode travar idas à night sumit.

A Itrecruiter nasceu em 2021 e tem escritórios em Portugal e no Brasil, a partir dos quais presta também serviços para Espanha. O apoio do programa Business Abroad da Startup Portugal, através do qual viajou à Web Summit Qatar, permite-lhe acesso ao stand de Portugal no recinto, que “enquanto pequena startup não teria” capacidade para conseguir expositor, via verde para eventos e porta aberta a mais contactos.

É nessa zona de exposição que nos explica o que está por detrás da sua inovação. “Pegámos em parte da nossa tecnologia inicial [criada na pandemia] e estamos a criar agentes de IA para apoiar, principalmente, as pequenas e médias empresas portuguesas [PME]. Temos a AIVA – AI Virtual Assistance que faz copilotos para apoiar as PME em algumas das suas dores, como recrutar. É um agente simples, que faz o match e a análise de gap entre um requerimento e um currículo”, revela.

Ao lado da AIVA encontra-se o Tomás, um agente que utiliza a biblioteca de informações da empresa para responder aos seus clientes. Por exemplo, se for uma pizzaria a utilizar a tecnologia, o chatbot Tomás vai saber que existem dez sabores diferentes no menu e que cada um custa 14 euros através do banco de dados e, portanto, lê o cardápio e responde a quem contacta a pizzaria com dúvidas.

Entre os irmãos está ainda a Júlia, que é uma agente de time and attendance, para marcação de horários e presenças, com a qual os trabalhadores falam para apontar os seus tempos de trabalho. “Olá, Júlia. Hoje trabalhei duas horas no projeto Y. Esqueci-me de dizer, mas ontem estive três horas envolvido no projeto Y”, exemplifica a cofundadora da Itrecruiter. É uma forma de automatizar os honorários a cobrar.

“As empresas têm sempre muita dificuldade de fazer com que os colaboradores imputem as horas dentro de uma folha em Excel, principalmente quando têm horas faturáveis, como escritórios de advogados. Muitas vezes, o funcionário esquece-se e só se lembra uma semana depois. A Júlia organiza isso por voz”, diz Rosane Marques. A partir daí, o documento pode ser exportado para algum ficheiro ou integrado no software de gestão interno.

A próxima etapa da Itrecruiter é criar uma nova linha de copilotos (Systems Resources Application) direcionados para o mercado SAP.

*A jornalista viajou até Doha a convite da Startup Portugal

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