“Ave fénix socialista” e “cordão sanitário contra extrema-direita”. As eleições vistas lá fora

Joana Abrantes Gomes,

"Portugal vai para Seguro”, com a vitória da "ave fénix socialista que fez da serenidade a sua maior qualidade”, escreve a imprensa estrangeira sobre os resultados eleitorais da noite deste domingo.

No rescaldo da segunda volta das presidenciais, os jornais estrangeiros destacam a vitória do “moderado” António José Seguro contra André Ventura, descrito como candidato de extrema-direita, considerando o resultado das eleições deste domingo um sinal de esperança no combate ao populismo em crescendo na Europa.

Ainda assim, de Espanha a Bruxelas, passando pelos Estados Unidos, os diários de referência a nível mundial chamam a atenção para a percentagem obtida pelo líder do Chega acima da que o partido alcançou nas legislativas do ano passado. Veja os principais títulos da imprensa internacional.

El País: “O socialista António José Seguro arrasa nas eleições presidenciais de Portugal contra o populista André Ventura”

O espanhol El País destaca a eleição de “um moderado que estava há mais de uma década fora da política” e que vai agora substituir Marcelo Rebelo de Sousa. “É a consagração de um político que foge da polarização em tempos em que os propagadores do ódio estão em alta“, escreve o jornal, realçando também “a grande mobilização num país devastado pela sucessão de tempestades das últimas duas semanas”.

El Mundo: “António José Seguro, novo presidente de Portugal: a ave fénix socialista que fez da serenidade a sua maior qualidade”

Também em Espanha, o El Mundo fala na mudança de António José Seguro: de “professor”, após a derrota frente a António Costa (atual presidente do Conselho Europeu) nas primárias do PS em 2014, para “presidente”, pelo menos durante os próximos cinco anos. Espera-se que “a convivência de Seguro, conhecido pela sua moderação, com o primeiro-ministro Luís Montenegro seja muito pacífica”, acrescenta o periódico do país vizinho.

La Vanguardia: “Socialista Seguro vence com facilidade em Portugal e contém o avanço da extrema-direita”

Ainda do outro lado da fronteira, o La Vanguardia destaca a “participação considerável para os padrões portugueses” na eleição deste domingo, ainda mais “num contexto de tempestades catastróficas”, com o candidato socialista a superar André Ventura “com dois terços dos votos”. “Após semanas de tempestades, o sol brilhou neste domingo em Lisboa para a esquerda, em tempos de naufrágios recorrentes em diferentes latitudes, graças à ampla vitória obtida no segundo turno das eleições presidenciais por um ex-líder do Partido Socialista”, escreve ainda o diário catalão.

Le Monde: “Em Portugal, o socialista António José Seguro é eleito presidente contra a extrema-direita”

Já o francês Le Monde frisa que, embora a amplitude de diferença entre as percentagens dos dois candidatos reflita “uma forte mobilização”, os 33% alcançados por André Ventura são um progresso face ao resultado que o seu partido, o Chega, obteve nas eleições legislativas de maio de 2025. “Confirma a sua consolidação e torna-o um ator central e disruptivo na recomposição política do país“, assinala o jornal gaulês.

Le Soir: “Socialista António José Seguro vence com facilidade a extrema-direita”

Na Bélgica, o diário Le Soir dá destaque ao facto de Seguro ter ficado “bem à frente” de Ventura nas eleições deste domingo, ainda que as percentagens atuais sejam provisórias, dado o adiamento da votação nas zonas afetadas pelas tempestades das últimas semanas.

Der Spiegel: “O socialista Seguro vence as eleições presidenciais em Portugal”

O alemão Der Spiegel sublinha como André Ventura “ficou muito atrás” de António José Seguro, lembrando como ainda antes da primeira volta das eleições havia sondagens em que 60% dos inquiridos admitiam não votar de forma alguma no candidato do Chega. Ainda assim, considera que o facto de Ventura ter conseguido até um terço dos votos neste domingo é “mais um sinal da rápida ascensão dos populistas de direita” na Europa.

Politico: “Centro-esquerda derrota extrema-direita na corrida à presidência de Portugal”

Quanto ao influente Politico, é destacada a “escolha segura” que o candidato socialista representava para “impedir” a vitória do candidato do Chega. Porém, “as comemorações provavelmente serão moderadas, dado que pelo menos 14 pessoas morreram nos violentos ciclones que assolaram a nação ibérica nas últimas três semanas”, ressalva o jornal que escreve sobre assuntos da União Europeia.

Reuters: “Socialista derrota candidato de extrema-direita na segunda volta das eleições presidenciais em Portugal”

A Reuters, por sua vez, assinala a “vitória esmagadora” do “socialista moderado” António José Seguro contra o “rival de extrema-direita e anti-establishment” André Ventura. Não obstante, a agência de notícias britânica diz que o líder do Chega “pode gabar-se” do resultado melhor do que os 22,8% alcançados pelo partido nas eleições legislativas de maio do ano passado.

la Repubblica: “Portugal vai para Seguro: o socialista que une bloqueou os soberanistas”

No italiano la Repubblica, lê-se que “o cordão sanitário contra a extrema-direita funcionou” na segunda volta das presidenciais, sublinhando os mais de 30 pontos de vantagem que António José Seguro alcançou sobre André Ventura.

The New York Times: “Portugal elege Presidente, com a esquerda a derrotar a extrema-direita em ascensão”

Do outro lado do Atlântico, o norte-americano The New York Times destaca a “vitória convincente” de António José Seguro, assinalando que em Portugal e além-fronteiras é vista “como um alívio face à crescente onda de extrema-direita” em toda a Europa.

Bloomberg: “Portugal elege Seguro como presidente, derrotando líder de extrema-direita”

“O socialista António José Seguro venceu a corrida para a presidência de Portugal, derrotando o candidato de extrema-direita André Ventura numa segunda volta que reafirmou a tradição do país de liderança consensual após uma campanha turbulenta“, escreve a Bloomberg. Segundo a agência de notícias norte-americana, a vitória do socialista “deverá aliviar as tensões” com o Governo de Luís Montenegro e “limitar o âmbito de confronto entre a presidência e o Parlamento”.

Folha de S. Paulo: “Candidato da esquerda vence ultradireita e será o próximo presidente de Portugal”

No Brasil, o reputado Folha de S. Paulo destaca como António José Seguro “conquistou a vitória com cerca de 30 pontos percentuais de vantagem” sobre André Ventura e cita especialistas políticos que avaliam que “o triunfo do socialista moderado representa o desejo dos portugueses por estabilidade”.

La Nacion: “Socialista moderado António José Seguro derrota a extrema-direita e será o próximo presidente de Portugal”

Na Argentina, o La Nacion realça que a vitória de António José Seguro sobre André Ventura “consolida uma alternativa moderada num país atravessado pela instabilidade política e pelo avanço do populismo“. O diário sul-americano aponta também que as eleições deste domingo “decorreram normalmente” apesar das fortes tempestades das últimas semanas.

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