Tiago Simões: “Eu nunca tive um plano. O meu objetivo sempre foi manter-me divertido e gostar do que estava a fazer”

  • ECO
  • 9 Fevereiro 2026

Da economia ao marketing e da saúde ao jogo, o percurso profissional de Tiago Simões, da Betclic, assenta numa inquietude persistente e numa vontade constante de evoluir. Conheça aqui a sua história.

Tiago Simões, Country Manager da Betclic, é o 64º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. A sua vida profissional foi e continua a ser marcada pela sua forte inquietude, que o levou a experimentar diferentes funções em áreas distintas até chegar à Betclic.

Inspirado pelo pai, um publicitário nos anos 70 e 80, Tiago Simões quis seguir-lhe os passos, mas o meu pai aconselhou-o a tirar um curso e foi o que fez. “Eu fui estudar economia porque eu queria ser gestor, queria trabalhar em publicidade e comunicação do lado do cliente. Na altura, as grandes referências do marketing tinham vindo da economia e não da gestão. E eu, como era muito analítico, queria uma coisa científica. Portanto, fiz o curso de economia, mas escolhi todas as opcionais de marketing“, explicou.

Quando acabou o curso, surgiu a oportunidade de ir trabalhar para um banco, mas para fazer marketing: “Achei que era uma boa opção porque o banco tinha a vertente analítica, a componente do marketing e da comunicação. Para além disso, havia uma coisa que me fascinava imenso, que era a Internet. Por isso, fui para o BCI para a área do marketing, mas acabei, quatro anos depois, como subdiretor e responsável do homebanking. Fui o subdiretor mais novo de sempre no banco. Tinha 27 anos“.

No entanto, apesar de estar numa posição reconhecida e segura, a sua inquietude começou a dar os primeiros sinais. “Eu achei que era uma grande seca ser subdiretor do banco. E nessa altura fui convidado pela SONAE, que era uma empresa onde eu sempre quis trabalhar por ser uma escola de gestão, e não consegui resistir“, admitiu, acrescentando que o seu objetivo profissional sempre foi divertir-se e sentir que estava a evoluir.

Curiosamente, a SONAE, durante os 23 anos em que estive lá, sempre me permitiu não estar aborrecido. Sempre que eu disse que estava aborrecido, e isso aconteceu duas vezes, troquei de cargo. Eles davam-me outra oportunidade“, contou, explicando, em detalhe, alguns dos lugares que assumiu: “Primeiro, estive nas telecomunicações durante 10 anos. Cheguei a diretor de marketing residencial na Optimus, mas a dada altura ia ter que ficar à espera que fizéssemos a fusão com a ZON e eu já não queria esperar mais. Eu sentia que já não me divertia, disse isso à SONAE e eles puseram-me noutro sítio“.

O “novo sítio”, mais uma vez, era completamente diferente daquilo que Tiago Simões tinha feito até àquela data. A proposta que lhe fizeram era na área da saúde, nomeadamente as parafarmácias da SONAE.Foi aí que fizemos a Wells e foi um sucesso. Foi inacreditável o que aconteceu. O negócio era deficitário, tinha pequenos balcões que vendiam medicamentos não sujeitos a receita médica dentro do Continente e algumas lojas que vendiam produtos de beleza. Mas hoje em dia é uma das componentes mais fortes da SONAE MC“, contou.

A criação do projeto Wells, por ser algo totalmente novo, obrigava Tiago Simões a ter de aprender todos os dias. E isso, para alguém inquieto por natureza, era prazeroso porque dava-lhe propósito e fazia-o sentir-se útil. No entanto, nessa mesma altura, foi convidado para se tornar diretor de marketing do Continente e, apesar de ser algo que sempre quis ser, naquele momento não queria sair da Wells pelos “planos incríveis” que tinham para o futuro. Ainda assim, aceitou a proposta porque percebeu que a empresa precisava mesmo dele naquele cargo e, da mesma forma que sempre lhe deram outra oportunidade quando ficava aborrecido, agora sentia que era a sua vez de retribuir esse cuidado.

Eu deixei a Wells em 2016 e passei a ser diretor de marketing do Continente. Fiquei lá oito anos, o que já foi muito tempo para uma função muito técnica e muito vertical. Mas, apesar disso, foram anos muito bons para mim. Tive a oportunidade de ser presidente da Associação Portuguesa de Anunciantes. A SONAE MC e o Continente, apesar de hoje serem o maior anunciante, nunca tinham sido. Mas, a partir dali, a marca teve uma performance excecional em todos os KPIs“, disse.

Contudo, mais uma vez, a sua inquietude começou a fazer-se sentir: “Eu sentia que precisava de ter uma função mais abrangente e não tão vertical. Por isso, pedi para sair do cargo de diretor de marketing e a SONAE disse que estava bem e que iam pensar. Mas eu não consigo ficar à espera e a sentir que não me estou a desenvolver… Então tomei a decisão de sair porque precisava de uma coisa diferente. E quando decidi sair não sabia ainda para onde ia, mas foi quando surgiu a Betclic”.

A Betclic surgiu com três ingredientes muito importantes, nomeadamente ser uma multinacional (e eu queria trabalhar numa empresa onde pudesse interagir com pessoas de outros sítios, que pensam de forma diferente), ter uma função horizontal (ou seja, gerir vários verticais e não apenas um vertical de marketing), e o facto de ser uma empresa digital (algo muito importante porque eu queria muito saber como funciona uma empresa onde há 1500 pessoas a trabalhar numa aplicação)”, continuou.

Neste momento, Tiago Simões está há um ano na Betclic, mas admite ainda estar na fase ´E Se Corre Bem?´ da sua vida: “Estou a aprender como funciona. É muito diferente, existe um processo de aprendizagem de como gerir pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância. Sendo uma empresa digital, as reuniões são quase todas à distância. Eu não fazia parte da mobília, mas conheci toda a gente e, mesmo que tivesse mudado para outra empresa nacional, seguramente teria de aprender todas as dinâmicas e processos de decisão. Existem outros tipos de dificuldades, mas também tenho outra autonomia. Acho que estou no momento do ´E Se Corre Bem?´“.

“Eu não jogava e nunca tinha apostado na vida. Mas esta é uma marca que se posiciona claramente como uma marca de entretenimento e nunca promove os ganhos como sendo o fim. O nosso propósito é que as pessoas se divirtam, se entretenham, passem bons momentos com os amigos e não que vão ali para ganhar dinheiro. Esse não é o nosso discurso. Falamos no desafio, na lógica do ´E Se Corre Bem?´, e essa é uma lógica que eu gosto por ter esta inquietude. Reconheci-me imenso“, afirmou.

Para o futuro, garante não ter um plano, apenas alimentar a sua inquietude: “Eu nunca tive um plano. O meu objetivo sempre foi manter-me divertido, gostar do que estava a fazer e sempre consegui fazer isso na minha vida. Em todos os lugares onde estive, acabei por conseguir fazer coisas com muita visibilidade e impacto, das quais me orgulho. Mas o meu percurso sempre foi construído de uma forma muito natural e hoje, quando olho para trás, vejo que nunca foi planeado. Acima de tudo, quero divertir-me e continuar a alimentar a minha inquietude, e isso é o que continuo a fazer hoje, aos 50 anos“.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.

Pode assistir ao episódio completo aqui:

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