Trabalhadores da Autoeuropa dão luz verde a pré-acordo com aumentos faseados este ano
A votação decorreu sexta e segunda-feira, para abranger todos os turnos que laboram na fábrica. Dos 4.805 trabalhadores inscritos votaram 3.828, o que representa uma taxa de abstenção próxima dos 20%.
Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram esta segunda-feira o pré-acordo negociado com a administração da fábrica de Palmela. Com 56% dos votos a favor, a comissão de trabalhadores está agora “mandatada e legitimada” para assinar o pré-acordo. Em causa está um um aumento salarial de 2,8% com um mínimo de 50 euros em janeiro deste ano. Posteriormente, terão um novo aumento de 2,5% em outubro, mais uma vez com um mínimo de 50 euros, tal como o ECO avançou no final de janeiro. O pré-acordo prevê ainda o pagamento de um prémio de 500 euros que será pago no mês seguinte à assinatura do acordo.
A votação decorreu sexta e segunda-feira, para abranger todos os turnos que laboram na fábrica. Dos 4.805 trabalhadores inscritos votaram 3.828, o que representa uma taxa de abstenção próxima dos 20%.
Com 56% de votos a favor e 43,7% contra, os trabalhadores concordaram com as condições negociadas que ditam um aumento do subsídio de refeição para cinco euros, mesmo para os trabalhadores que estão em teletrabalho e um prémio de assiduidade de 50 euros de janeiro a junho de 2027.
O acordo que agora será assinado tem uma vigência de 18 meses — até junho de 2027 –, e garante um prémio de 500 euros, pago após a assinatura do mesmo, e que corresponde a um complemento pela divisão do aumento salarial. Por outro lado, os trabalhadores conseguiram ainda uma majoração até 150% do Prémio de Objetivos de 2026 e 2027 na sua totalidade.
Recorde-se que os trabalhadores pediam um aumento de 15%, mas isso não os impediu de maioritariamente votar a favor do pré-acordo num momento em que a Autoeuropa enfrenta mais um desafio. A fábrica de Palmela teve de interromper a produção nos turnos da noite de quarta a sexta-feira devido à falta de componentes por problemas abastecimento causados pelo mau tempo, o que acabou mesmo por alterar as datas do referendo ao pré-acordo laboral.
A situação de calamidade na região centro do país deixou muitas empresas sem capacidade para manter a produção e está a preocupar grandes exportadoras, tal como o ECO já escreveu. A Autoeuropa, que já tinha confirmado ao ECO que estava a colaborar com fornecedores na região afetada pela depressão Kristin para garantir a “continuidade das operações”, explicou que “as tempestades das últimas semanas afetaram alguns dos nossos fornecedores, o que levou à paragem temporária de alguns turnos de produção“.
A Autoeuropa deverá voltar a parar mais à frente no ano 70 dias, além das habituais paragens, para manutenções, reestruturação e eletrificação da fábrica de Palmela. Os trabalhadores aceitaram que a empresa recorra ao lay-off, sendo que ficou estipulado que o salário base e os subsídios de turno serão pagos a 100%.
Agora, a empresa compromete-se a pagar uma fatia um pouco maior. As regras do lay-off determinam que a Segurança Social é chamada a pagar 46,6% da retribuição do trabalhador, que por sua vez perde 33% do salário. O remanescente (20%) é pago pela empresa. Mas, no pré-acordo ficou estabelecido a empresa assegura 28,4% do salário e subsídio de turno dos trabalhadores em lay-off sendo os restantes 25% compensados através de down days, que, na prática também são pagos pela Autoeuropa.

Tal como já estava pré-acordado, e o ECO já tinha avançado, o turno da noite na segunda-feira a seguir ao Domingo de Páscoa e os dias 16 de fevereiro, 30 de outubro e 7 de dezembro de 2026 estão garantidos como dias de não produção. Além disso, cada trabalhador tem mais dois down days em 2027.
Em muitas outras empresas, os trabalhadores têm direito a um dia de descanso no seu aniversário. Na Autoeuropa passam a ter prioridade na marcação do dia como descanso. No início de cada ano, têm de marcar o dia e comunicar previamente à chefia. Esta regalia é independente do absentismo da equipa, mas o dia será retirado do saldo de dias especiais.
O pré-acordo estabelece ainda que os trabalhadores passarão a ter um modelo de turnos mais favorável a partir de junho, mas a sua aplicabilidade vai depender da aprovação destes. Para o efeito, está prevista a realização de um referendo até março.
(Notícia atualizada com mais informação)
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