Bruxelas financia-se em 11 mil milhões de euros para ajudar Ucrânia
A Comissão Europeia realizou a segunda operação sindicada do ano por via de duas tranches, a 7 e 20 anos, que contou com uma procura superior a 172 mil milhões de euros, cerca de 15,6 vezes a oferta.
- A Comissão Europeia levantou 11 mil milhões de euros na sua segunda operação sindicalizada do ano, destinando os fundos a programas comunitários e apoio à Ucrânia.
- A operação foi realizada através de duas tranches que contaram com uma procura bem acima da oferta.
- Com esta emissão, a dívida total da União Europeia atinge cerca de 755,8 mil milhões de euros, refletindo um aumento no apoio financeiro à Ucrânia.
A Comissão Europeia voltou esta segunda-feira aos mercados de dívida e levantou 11 mil milhões de euros na sua segunda operação sindicalizada do ano. Segundo a instituição liderada por Ursula von der Leyen, o dinheiro será usado para financiar programas comunitários, com destaque para o NextGenerationEU e o apoio à Ucrânia, numa altura em que Bruxelas continua a afirmar-se como um dos maiores emissores de dívida da Europa.
A operação dividiu-se em duas tranches:
- 6 mil milhões de euros numa obrigação a 7 anos com maturidade a 13 de dezembro de 2032, com uma yield de 2,776%, cerca de 17 pontos base acima da taxa mid-swap de referência, que contou com uma procura superior a 89 mil milhões de euros, 14,8 vezes a oferta.
- 5 mil milhões numa obrigação a 20 anos com vencimento a 12 de outubro de 2045, com uma taxa média ponderada de 3,837%, com um spread de 70 pontos base face ao mid-swap, que contou com uma procura acima de 83 mil milhões de euros, o equivalente a 16,6 vezes a oferta.
Para comparação, estas emissões ficaram 23,8 pontos base acima da Bund alemã equivalente e 19,3 pontos abaixo da OAT francesa no prazo de 7 anos, destaca a Comissão Europeia em comunicado.
A Comissão Europeia já emitiu 29,4 mil milhões de euros dos 90 mil milhões de euros previstos para o primeiro semestre de 2026.
Os bancos responsáveis pela operação foram o Goldman Sachs, JP Morgan, Natixis, Natwest e Nordea, num consórcio que garantiu a colocação integral dos títulos junto de investidores institucionais.
Com esta emissão, “a Comissão Europeia já emitiu 29,4 mil milhões de euros dos 90 mil milhões de euros previstos para o primeiro semestre de 2026”, lê-se no comunicado oficial da instituição.
O montante total de dívida da União Europeia em circulação ascende agora a cerca de 755,8 mil milhões de euros, dos quais 594,4 mil milhões correspondem a EU-Bonds emitidas sob a abordagem unificada de financiamento criada em 2023. Do total levantado, mais de 377,6 mil milhões já foram desembolsados aos Estados-membros no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência.
O apoio à Ucrânia tem sido uma fatia crescente deste financiamento. Até agora, Bruxelas já disponibilizou 18 mil milhões de euros através de assistência macrofinanceira excecional – que será reembolsada com receitas provenientes de ativos estatais russos imobilizados no âmbito da iniciativa ERA (Extraordinary Revenue Acceleration) do G7 – e quase 23,2 mil milhões dos 33 mil milhões previstos no programa Ukraine Facility, disponível entre 2024 e 2027.
A próxima operação no calendário indicativo de emissões da União Europeia será um leilão títulos de dívida de curto prazo (EU-Bills) marcado para 18 de fevereiro.
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