Calçado português consegue crescer em 2025 apesar de quebra de 12% nas vendas para os EUA
Setor conseguiu evolução positiva "num enquadramento particularmente exigente para o comércio internacional" e com as vendas para os EUA a caírem mais de 12%. Indústria calçou 68 milhões de pessoas.
A indústria portuguesa do calçado aumentou o seu volume de exportações em 2025, contrariando a contração registada pelos concorrentes italianos e espanhóis. Depois de dois anos de quebra no valor das vendas ao exterior, o setor conseguiu inverter essa tendência e conseguiu fechar o ano com um crescimento, ligeiro, de 0,8% para 1.718 milhões de euros, através da exportação de 68 milhões de pares de calçado.
“Comparativamente ao ano anterior, este resultado representa um crescimento de 0,8%, traduzindo uma evolução moderada, mas ainda assim positiva, num enquadramento particularmente exigente para o comércio internacional”, justifica a associação do setor, a APICCAPS, que cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A suportar o crescimento registado no último ano estiveram os mercados europeus, onde as vendas subiram 3,3% para 1.420 milhões de euros, um aumento que permitiu compensar a quebra no mercado norte-americano. Segundo adianta a APICCAPS em comunicado, as vendas para os EUA recuaram 12,3% para 84 milhões de euros, em 2025.
Esta contração das vendas para o mercado norte-americano, num ano em que Washington impôs novas tarifas às importações europeias, veio interromper uma trajetória de crescimento naquele que era o sexto maior mercado da indústria e onde as vendas subiram 25% nos últimos três anos para dois milhões de pares, ou 97 milhões de euros.
“Os resultados evidenciam a capacidade de adaptação e a competitividade da indústria portuguesa de calçado num contexto internacional particularmente difícil“, refere Paulo Gonçalves.
O setor enfrenta um cenário global marcado por crescente incerteza e volatilidade comercial, com os mercados de referência, como a Alemanha e a França, a revelarem sinais de recuperação lenta e moderada, ao mesmo tempo que persiste um quadro de forte instabilidade nos Estados Unidos
O diretor executivo da APICCAPS alerta, porém, que “o setor enfrenta um cenário global marcado por crescente incerteza e volatilidade comercial, com os mercados de referência, como a Alemanha e a França, a revelarem sinais de recuperação lenta e moderada, ao mesmo tempo que persiste um quadro de forte instabilidade nos Estados Unidos”.
O responsável nota ainda que o retalho independente europeu continua “a atravessar um processo de reestruturação muito significativo, com o desaparecimento de milhares de postos de venda, que em muito tem penalizado as empresas portuguesas”.
Setor contraria quebra de Espanha e Itália
A associação destaca que “países tradicionalmente dominantes no setor registaram quebras nas exportações, nomeadamente dois dos principais concorrentes diretos de Portugal: a Itália, com uma redução de 1%, e Espanha, com uma diminuição de 3%”.
Entre os grandes produtores mundiais, a APICCAPS destaca ainda a quebra de 11% registada pela China, que é responsável por mais de 50% da produção global. Já a Turquia apresentou uma descida de 13%. No caso do Brasil, o país registou uma contração próxima de 2%.
“Estes resultados confirmam a importância da aposta da indústria portuguesa nos segmentos de maior valor acrescentado, privilegiando qualidade, design, inovação e rapidez de resposta aos mercados”, sublinha Paulo Gonçalves. “A manutenção da competitividade internacional exige que as empresas prossigam um esforço contínuo de modernização, investimento e adaptação às novas dinâmicas do comércio global”, remata.
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