Indústria do metal bate novo recorde de exportações, mas avisa para riscos em 2026

Campeão das exportações superou a fasquia dos 24 mil milhões de euros no ano passado, mas setor avisa que indústria enfrenta riscos e pede ao Governo que proteja empresas.

A indústria metalúrgica e metalomecânica, o “campeão das exportações” nacionais, fechou 2025 com 24.169 milhões de euros de vendas ao exterior, o que representa um novo recorde. Apesar do bom resultado, a associação que representa o setor avisa que estes números não se repetirão tão cedo “caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar” e pede ao Governo que projeta a indústria.

“O ano de 2025 registou quatro meses diretamente inseridos no TOP 10 dos melhores resultados mensais de sempre, consolidando o setor como uma força exportadora absolutamente decisiva para a economia nacional”, refere o setor em comunicado. Apenas em dezembro, o volume de exportação atingiu 1.792 milhões de euros, um crescimento homólogo de 3,5%, com o setor a destacar que este resultado aconteceu num período marcado por “perturbações significativas” devido à “crise nas alfândegas devido à implementação deficiente do novo sistema informático”.

“É um resultado notável, tendo em conta que o mês de dezembro ficou marcado por atrasos muito significativos no desalfandegamento de matérias-primas essenciais para as nossas indústrias”, destaca Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP).

A Europa continua a ser o principal destino das exportações do setor, com os países da União Europeia a 75% das exportações seguem para países da União Europeia. Segundo o mesmo comunicado, Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e EUA são os maiores mercados, sendo que Espanha e Alemanha se destacaram com o maior crescimento absoluto das exportações do setor do metal, que representam 33% de toda a indústria transformadora portuguesa, com a taxa de crescimento anual a acelerar de 2% para 3%.

Este novo recorde de exportações surge depois de, em 2024, o campeão das vendas ao estrangeiro ter sido travado pela crise no setor automóvel, ficando-se pelos 23.492 milhões de euros.

Setor pede ao Governo que projeta indústria

Apesar dos números sólidos apresentados no ano passado, Rafael Campos Pereira avisa que “a economia global continua a enfrentar choques macroeconómicos com consequências imprevisíveis“, assistindo-se a uma mudança estrutural, “de um paradigma de globalização para um de protecionismo”.

Segundo o mesmo comunicado, o vice-presidente da AIMMAP alerta que a Europa tem deixado “desprotegida uma indústria que compete com países que muitas vezes aplicam medidas protecionistas amplas, como é o caso da indústria metalúrgica e metalomecânica que, fruto de medidas europeias desajustadas, está hoje sujeita a um ambiente concorrencial altamente desequilibrado”.

Estes números não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor downstream, onde se incluem milhares de empresas metalúrgicas e metalomecânicas e mais de 13 milhões de trabalhadores a nível europeu

Rafael Campos Pereira

Vice-presidente da AIMMAP

Estes números não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor downstream, onde se incluem milhares de empresas metalúrgicas e metalomecânicas e mais de 13 milhões de trabalhadores a nível europeu”, atira.

Para Rafael Campos Pereira, “o novo enquadramento europeu para as tarifas sobre a importação de aço, bem como outros regulamentos como o CBAM, estão a penalizar fortemente a competitividade e a situação concorrencial da indústria transformadora, e no médio no curto/médio prazo vão conduzir a Europa para um processo de desindustrialização”.

O mesmo comunicado refere que, no que respeita às Cláusulas de Salvaguarda, “a AIMMAP reuniu recentemente com a DG Trade, que transmitiu uma mensagem inequívoca: o Governo português deve defender e apoiar a posição da sua indústria transformadora para que seja possível proteger o setor mais exportador do país — o verdadeiro motor do crescimento económico nacional”.

A associação defende que Portugal não pode continuar a ser “um mero espectador enquanto medidas europeias penalizam severamente a indústria transformadora, nomeadamente através das tarifas sobre a importação de aço, que criam assimetrias graves em relação a outros competidores globais”.

A associação pede ao Governo que adote medidas capazes de mitigar os efeitos das tarifas europeias sobre o aço; garantir condições de competitividade iguais às dos concorrentes internacionais; e assegurar estabilidade às empresas que sustentam milhares de empregos diretos e indiretos.

A indústria metalúrgica e metalomecânica tem demonstrado, repetidamente, que é uma âncora da economia nacional. Agora, é urgente que o Governo corresponda com políticas que defendam esta indústria estratégica e assegurem a sua continuidade e crescimento

Rafael Campos Pereira

Vice-presidente da AIMMAP

“A indústria metalúrgica e metalomecânica tem demonstrado, repetidamente, que é uma âncora da economia nacional. Agora, é urgente que o Governo corresponda com políticas que defendam esta indústria estratégica e assegurem a sua continuidade e crescimento”, argumenta o vice-presidente da AIMMAP.

Sobre os recentes acordos comerciais assinados entre a UE e o Mercosul e entre a UE e a Índia, o responsável diz que “Portugal deve saber aproveitar as oportunidades que vão seguramente surgir”. “Não tenho dúvida que destes acordos resultará um crescimento do comércio com os dois blocos”. “Se a Comissão Europeia e o governo estiverem atentos e alinhados com o acima exposto, estes acordos comerciais são uma oportunidade de ouro para recentrar a economia europeia no mapa geoestratégico mundial“, conclui.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Indústria do metal bate novo recorde de exportações, mas avisa para riscos em 2026

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião