Oito em dez transferências já são imediatas, mas “ainda estão aquém do potencial”
Peso das transferências rápidas no total das transferências realizadas em Portugal cresceu de 25% em 2024 para 80% no ano passado. Mas "ainda estão longe do seu potencial", diz Banco de Portugal.

As transferências imediatas entraram definitivamente na rotina dos portugueses. Oito em cada dez transferências realizadas em Portugal no ano passado já foram imediatas, marcando uma mudança histórica e estrutural no sistema de pagamentos nacional. Mas “ainda estão longe do seu potencial”, afirmou Luís Morais Sarmento, administrador do Banco de Portugal.
O peso das transferências imediatas no total de total de transferências saltou de 25% no final de 2024 para 80% em dezembro, de acordo com os dados avançados por Luís Morais Sarmento, na conferência New Money, organizada pelo ECO e pela Morais Leitão.
Tal aumento deveu-se não só ao impulso dado pela regulamentação europeia (pelo Regulamento sobre transferências a crédito imediatas em euros), como também pelas iniciativas nacionais (como o serviço de confirmação de beneficiário e o SPIN). E ainda a outro pormenor técnico, mas importante, segundo Morais Sarmento.
“Hoje em dia quando fazemos uma transferência imediata utilizando a aplicação MB Way, a operação está configurada como uma transferência imediata e não como uma transferência baseada em cartão. Para o utilizador é basicamente a mesma coisa, mas houve uma mudança técnica”, explicou o administrador do supervisor com o pelouro dos meios de pagamento.
As transferências imediatas permitem o envio e receção de fundos entre contas numa questão de poucos segundos, ao contrário das transferências normais que podem demorar horas ou até mesmo dias a serem executadas.

Ao longo do ano passado foram introduzidas várias alterações que impulsionaram a utilização das transferências imediatas. A introdução do regulamento europeu no início de 2025 veio nivelar o custo destas transferências imediatas – então considerado um serviço premium pelos bancos –- ao custo de uma transferência normal a crédito (SEPA).
Depois, ao longo do ano, os bancos foram obrigados a disponibilizar este serviço: primeiro enquanto recetores (em janeiro) de transferências imediatas e depois como emissores (em outubro). Pelo meio, o Banco de Portugal lançou soluções como a confirmação do beneficiário e o SPIN que ajudaram a reforçar a utilização das transferências imediatas.
Na União Europeia, as transferências imediatas ainda só representam cerca de um terço do total das transferências (imediatas e internacionais). Para Luís Morais Sarmento, embora as transferências imediatas se tenham tornado no standard das transferências em Portugal, “ainda estão aquém do seu potencial”. E novidades poderão estar a caminho.
O administrador revelou que “ainda” não é possível utilizar transferências imediatas no pagamento dos impostos ou quando vamos a um supermercado ou loja. “Precisamos de desenvolver aspetos para a associar o pagamento ao bem ou serviço que está a ser adquirido. (…) Não são dificuldades de grande monta. Estamos a um passo disso. Já se fez noutros casos, iremos fazê-lo com facilidade nos próximos meses”, revelou.
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