Venda de elétricos acelerou para recorde em 2025, mas falta de “política clara” do Governo trava locais para carregar
Portugal é o 6º país na UE com maior percentagem de carros novos elétricos, mas o 14º no rácio de postos de carregamento por habitante. Presidente da ACAP diz que falta "política ativa" ao Governo.
- O aumento de 25% nas vendas de carros elétricos em Portugal coloca o país em sexto lugar na Europa, mas a infraestrutura de carregamento é insuficiente.
- Portugal tem apenas 1,1 postos de carregamento por mil habitantes, comparado com a média europeia de 2,0, evidenciando a falta de uma política governamental, segundo a ACAP.
- A ausência de uma estratégia proativa do governo para a descarbonização e a eletrificação pode comprometer o crescimento do mercado automóvel e a satisfação dos consumidores, aponta.
Um disparo de 25% na venda de novos carros elétricos ligeiros de passageiros reforçou um honroso sexto lugar de Portugal no ranking europeu, mas na implementação de postos de carregamento o país está “bem abaixo” da média comunitária, uma realidade que os dirigentes da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) esta terça-feira atribuíram à ausência de uma “política clara do Governo para resolver este problema”.
“Relativamente à eletrificação, tem havido um crescimento enorme ao longo do tempo, especialmente a partir de 2023, e portanto, os veículos puramente elétricos ultrapassaram em 2025 as 50 mil unidades, e, mais importante do que isso, representam atualmente ser 23,2% do total de matrículas de automóveis novos”, afirmou Helder Pedro, secretário-geral da associação, em conferência de imprensa para explicar o balanço do mercado automóvel em 2025.
“Um crescimento muito acentuado, e que nos coloca no 6º lugar europeu, logo a seguir aos países nórdicos e ao Países Baixos e à Bélgica, tradicionalmente de mercados muito eletrificados e estamos bem acima da União Europeia”.
“O que contrasta significativamente com a nossa infraestrutura”, lamentou Helder Pedro. “Se, quando comparamos a atividade de viaturas elétricas em Portugal face à União Europeia, nós estamos bem acima, na infraestrutura de postos de descarregamento por mil habitantes, estamos bastante abaixo daquilo que é a média europeia, cerca de metade do indicador da média europeia”, disse, apontando para os 1,1 postos carregamentos por mil habitantes, face aos 2,0 da média europeia e longe dos 10,2 dos Países Baixos.
O esforço em termos de criação de infraestruturas “está muito longe daquilo que é normal para assegurar o contínuo crescimento da eletrificação e a descarbonização do parque, mas também para o conforto e facilitar a vida de todas as pessoas que hoje em dia já têm viaturas elétricas”, vincou.

“Indústria tem feito o seu trabalho”

Sérgio Ribeiro, presidente da ACAP, frisou que relativamente aos postos de carregamento, “continua a não haver uma política clara do Governo português para resolver este problema, algo que já foi pedido e já é discutido por nós há imenso tempo”.
“Correndo o risco de ser um bocadinho provocador, diria que a com prioridades completamente distintas e com a ausência de foco daquilo que é o problema“, sublinhou o presidente da associação. “Tem havido uma ausência, de facto, de política ativa e proativa da descarbonização, da sinistralidade automóvel entre outras coisas”, concluiu.
"Indústria automóvel tem feito o seu trabalho, só que está permanentemente atada e limitada na construção dos objetivos que as próprias responsáveis políticos colocam, sem, por vezes, aderência à realidade, com burocracias”
“Mais ridículo do que isto é difícil”
O vice-presidente da associação, Paulo Lazarino, agradeceu aos concessionários, “que têm sido reais embaixadores a investirem em postos de carregamento, porque todas as marcas, sem exceção, têm incentivado que isso aconteça e têm acontecido, e também às gasolineiras, que estão a tentar reinventar o seu modelo de negócio a longo prazo e têm sido, de facto, o garante de haver alguma proliferação de carregadores, principalmente carregadores super-rápidos”.
Lazarino falou ainda sobre as autarquias. “De notar que não há nenhum incentivo ao poder local para trabalhar na eletrificação das várias localidades“. Recordou que a distribuição do IUC é feita ao nível das autarquias e é garantida. “Hoje é irrelevante se têm um plano, se não têm um plano” pois recebem exatamente as mesmas receitas de parte do Governo central.
Criticou também o facto de não haver nenhum apoio do PRR para a infraestrutura. “Mais ridículo do que isto é difícil, portanto, uma vez mais, a indústria e o comércio automóvel têm feito a sua parte, mas tem havido uma ausência total de interesse da parte do Governo de tudo o que não seja fixar objetivos, alguns deles completamente anacrónicos com aquilo que é a nossa realidade”.
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