Amazon Web Services estará a preparar marketplace para venda de conteúdos jornalísticos a empresas de IA

A empresa de Jeff Bezos estará a trabalhar numa solução que visa permitir que programadores e empresas de IA usem conteúdos jornalísticos devidamente autorizados para treinar modelos de IA.

A Amazon Web Services (AWS) estará a preparar o lançamento de um mercado digital onde as editoras poderão vender os seus conteúdos a empresas que desenvolvem modelos de inteligência artificial (IA). A informação é avançada pelo The Information, que adianta que a tecnológica já apresentou a iniciativa a vários executivos da indústria editorial.

O plano da AWS pretende resolver um problema antigo, que surgiu quando os modelos de IA começaram a ser treinados com imagens e textos pertencentes a publicações editoriais. Com este ‘marketplace’, a Amazon poderia simplificar e tornar mais seguro um processo complicado, permitindo, por exemplo, que programadores que utilizam o Amazon Bedrock, um serviço que facilita a criação e treino de agentes e modelos de IA sem necessidade de gerir toda a infraestrutura, possam treinar os seus modelos com textos e imagens devidamente legais e autorizados.

Um porta-voz da Amazon afirmou que a empresa “construiu relações duradouras e inovadoras com editoras em várias áreas do nosso negócio”, incluindo a unidade de cloud AWS, retalho, publicidade, IA e a assistente Alexa. “Estamos sempre a inovar em conjunto para melhor servir os nossos clientes, mas, neste momento, não temos nada de específico para partilhar sobre este tema”, declarou o responsável sem confirmar o lançamento da plataforma.

As publicações jornalísticas têm demonstrado crescente descontentamento com a popularidade dos chats de IA e dos resumos de pesquisa alimentados por IA, que estão a reduzir o tráfego dos motores de busca para os seus sites, prejudicando a audiência e as receitas publicitárias. Por exemplo, o The Washington Post, propriedade também de Jeff Bezos, anunciou na semana passada uma vaga de despedimentos, que a publicação atribui, em parte, à queda no tráfego de pesquisa e ao crescimento da IA generativa. Várias editoras têm defendido que os pagamentos aumentem à medida que os seus conteúdos jornalísticos sejam mais utilizados.

Também em Portugal este problema tem vindo a ser debatido, neste caso devido ao modelo de IA português Amália. Em setembro, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Filipe Simões, explicou ao ECO que ainda não tinham tido “qualquer contacto com ninguém do consórcio que está a liderar o projeto Amália”.

O Governo deve aproveitar o desenvolvimento do LLM Amália e remunerar os trabalhos jornalísticos que estão a ser utilizados para treinar o algoritmo”, declarou Luís Filipe Simões em setembro do ano passado.

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