Embedded finance ganha tração em Portugal, mas há desafios
Casos de sucesso da Coverflex e Paynest mostram potencial de um mercado de pagamentos cada vez mais invisíveis. E até tradicionais como Visa e Sonae estão a apostar em soluções de finanças embebidas.
Portugal está a afirmar-se como um hub europeu para novos negócios na área do embedded finance (finanças embebidas). Mas o crescimento deste mercado traz desafios. “Os pagamentos estão cada vez mais invisíveis. Mas só se tornam invisíveis se forem seamless. Se houver fricção ou fraude, tudo cai por terra”, frisou Mariana Bernardes Correia, gestora na equipa de Client Engagement da Visa.
Para João Freire de Andrade, fundador da Portugal Fintech, o desafio está em não “ficar no meio da ponte”. “Ou estamos a dar a cara ao cliente ou estamos a providenciar um serviço por trás”, afirmou na 6.ª edição da conferência New Money, organizada pelo ECO e pela Morais Leitão.
João Freire de Andrade deu vários exemplos de fintech que estão a ter sucesso nesta área. “Um que é incontornável em Portugal é a Coverflex. O que é que eles pensaram na altura? Quero vender seguros a PMEs. Era a primeira value proposition deles. E perceberam que para vender seguros a PMEs, quem é que eu vou vender? Junto das equipas de recursos humanos. Então criaram uma rede à volta disto. Long story short, já têm mais de 20 milhões de euros de receita, 15 mil empresas, 250 mil wallets”.
“Temos uma empresa que surge do zero em Portugal” e agora “é claramente category leader em alguns desses mercados”, apontou.
Segundo afirmou, “se uma empresa quer uma estratégia de finanças embebidas, tem que desbloquear o core business da empresa ao longo do canal”.

É nisso que a Sonae tem apostado. Através da app Cartão Continente — que já chega a mais de 4 milhões de famílias — a empresa adicionou uma wallet (Continente Pay), permitindo que o cliente associe o seu meio de pagamento à aplicação. Assim, quando se identifica para efeitos de fidelização, o pagamento pode ser automaticamente acionado, sem necessidade de tirar cartão ou telemóvel da carteira, tornando o processo mais fluido e rápido. Como explica Margarida Rodrigues, Head of Customer Payments da Sonae, “o ponto de pagamento é um momento de dor, aquele momento que ninguém quer fazer”, e o objetivo tem sido precisamente integrar essa etapa “na parte boa” da experiência.
Para o cliente, significa conveniência e menos fricção; para o retalhista, traduz-se em maior eficiência operacional e redução de filas nas caixas dos supermercados, adiantou a responsável.
Cerca de 80% das empresas nestas áreas oferecem serviços B&B. É o caso da Paynest, co-fundada e liderada por Nuno Pereira, que notou que a regulação europeia ajudou a criar escala ao permitir operar com regras comuns em vários países. “Temos clientes que estão presentes em toda a Europa”, disse.
“Para qualquer colaborador destas empresas, a experiência é a mesma. Tem uma despesa, tira uma fotografia, nós validamos. Se cumpre todas as regras, não há fraude, investimos o reembolso instantâneo e volta ao colaborador, seja uma entidade portuguesa, espanhola, francesa. Isto é possível porque há uma base comum de regulação financeira europeia que nos ajuda muito a aumentar o TAM, o Total Addressable Market, como se diz nas startups”, explicou Nuno Pereira.
Já Mariana Bernardes Correia adiantou que o gigante dos pagamentos americano tem vindo a posicionar-se como “a rede das redes”, integrando diferentes players e parceiros na cadeia de valor dos pagamentos, desde os bancos tradicionais a fintechs e comerciantes. Com isso a Visa cria uma estrutura fiável e de segurança, explicou.
“Nenhuma empresa consegue ser melhor em tudo. Temos de nos rodear dos melhores e criar um rede”, atirou.
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Nuno Pereira, CEO Paynest -
Margarida Rodrigues, Head of Customer Payments da Sonae -
Mariana Bernardes Correia, Seior Manager na equipa de Client Engagement da Visa -
João Freire de Andrade, fundador da Portugal Fintech
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