Torres Vedras, Marinha Grande e Caldas da Rainha cancelam festividades do Carnaval
Um pouco por todo o país vários municípios cancelaram ou adiaram as festividades do Entrudo devido às intempéries que devastaram principalmente a região Centro. Saiba quais.
Os municípios de Torres Vedras, Marinha Grande, Caldas da Rainha e Santarém já suspenderam as festividades do Carnaval depois de terem sido devastados pelas intempéries das últimas semanas que causaram elevados prejuízos a munícipes, empresas e associações. Agora, é hora de acudir aos que mais precisam e tentar repor a normalidade o mais rapidamente possível, segundo vincam as autarquias. O Entrudo ficará para depois nestes concelhos em estado de calamidade decretado pelo Governo. Estarreja e Loulé mantêm o Entrudo.
Torres Vedras é um dos 68 concelhos em situação de calamidade até ao dia 15, devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, que já comunicou à população a intenção de suspender o Entrudo.
“Perante a situação excecional que o concelho de Torres Vedras e a região atravessam, resultante de fenómenos climáticos extremos, e tendo como prioridade absoluta a segurança o bem-estar das populações, o Carnaval de Torres Vedras não se realizará entre 12 e 18 de fevereiro”, lê-se num comunicado enviado às redações e publicado nas redes sociais do município e na página oficial do evento.

Por agora, garante a autarquia liderada pelo autarca Sérgio Galvão, “a prioridade é a recuperação do território, o apoio às famílias afetadas [pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta], a rápida recuperação dos serviços essenciais e a reposição da normalidade”.
A câmara contabiliza em 30 milhões de euros os danos causados em infraestruturas públicas, que “irão exigir um enorme esforço de todos até à plena recuperação do território, que decorrerá certamente num período alargado”.
A prioridade é a recuperação do território, o apoio às famílias afetadas [pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta], a rápida recuperação dos serviços essenciais e a reposição da normalidade.
Não faltará tempo depois para festejar o centenário Entrudo de Torres Vedras, que já foi inscrito no Património Cultural Imaterial Nacional e tem fama de ser o Carnaval “mais português de Portugal”. Em 2025, a câmara gastou 1,15 milhões de euros com as festividades.
Com uma pitada de sátira política e diversão à mistura, o Entrudo de Torres Vedras “é um dos grandes símbolos que define a identidade torriense e atrai milhares de visitantes, tendo grande importância económica e cultural”, nota a câmara torriense.
Só em 2025, o município antecipava um retorno económico superior a 10 milhões de euros. Entre os setores mais beneficiados estão a hotelaria, restauração, estabelecimentos noturnos, pequeno comércio tradicional e empresas associadas à produção do Carnaval.
Por tudo isto, justifica, “esta foi uma decisão difícil”, mas tomada de forma “ponderada, reconhecendo o impacto para comerciantes, foliões e toda a comunidade“. Compromete-se, por isso, a avançar com as comemorações noutra data a anunciar, caso estejam reunidas as condições necessárias para o fazer.
Marinha Grande concentra todos os recursos no apoio à população
Face aos elevados prejuízos causados pelas várias depressões que assolaram principalmente a região Centro, a Câmara da Marinha Grande também já informou a população da sua decisão de suspender todas as atividades de Carnaval organizadas pelo município: o desfile de Carnaval das escolas (na Marinha Grande e em Vieira de Leiria), o Carnaval Sénior e o Carnaval da Vieira.
A deliberação deve-se, justifica a autarquia liderada por Paulo Vicente, “à situação excecional vivida no concelho, na sequência da tempestade Kristin, e considerando o impacto significativo sobre a população, as infraestruturas, as instituições e os serviços essenciais“.
Também na Marinha Grande, fustigada pelas intempéries das últimas semanas, urge agora “concentrar todos os recursos municipais no apoio à população, na resolução de ocorrências ainda ativas e na reposição da normalidade no concelho”.
Desde 28 de janeiro morreram 15 pessoas no país na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta que devastaram principalmente as regiões do Centro e do Vale do Tejo. Vários municípios municípios decidiram, por isso, cancelar ou adiar atividades carnavalescas.

Conheça mais concelhos onde o Entrudo foi adiado ou cancelado:
- A autarquia de Figueiró dos Vinhos cancelou as festividades carnavalescas devido “à situação de calamidade vivida atualmente, pela passagem devastadora da depressão Kristin“, segundo comunica a câmara, presidida por Carlos Lopes, nas redes sociais oficiais. Agora urge, justifica, canalizar todos os “recursos humanos e logísticos no apoio às populações” e tentar “minimizar, o mais possível, os graves danos causados por esta tempestade”.
Esta segunda-feira, Figueiró dos Vinhos tinha cerca de 1.150 habitações sem eletricidade na sequência das intempéries.
- Também Pedrógão Grande, no distrito de Leiria — um dos distritos mais fustigados pelas tempestades –, cancelou as atividades carnavalescas e pelo mesmo motivo dos restantes municípios do país que manifestaram a mesma intenção. A autarquia afirma que é “prioridade absoluta” a resposta “à emergência, no apoio às populações afetadas e no processo de recuperação e reconstrução do território”.
- Rio Maior, no distrito de Santarém, adiou para 2 de maio o Desfile Noturno de Carnaval previsto para este sábado devido às condições e ao estado de calamidade declarado na sequência da passagem da depressão Kristin, segundo informou a autarquia. A decisão, justifica, “surge não só por razões de segurança, mas também como forma de respeito e solidariedade para com todos os munícipes e restantes portugueses afetados pela recente tragédia e que ainda enfrentam perdas e dificuldades resultantes deste fenómeno”.
- Caldas da Rainha cancelou os corsos do Carnaval deste ano, assim como o Carnaval das Crianças e dos Idosos. “O Carnaval regressará em 2027, com as condições necessárias para que possa ser vivido em plena segurança”, nota o município na sua página oficial do Facebook. Ainda nesta rede social, a câmara alerta esta quarta-feira para diversas vias encerradas e condicionadas em várias freguesias do concelho “devido às condições meteorológicas e aos efeitos da depressão Leonardo”.
- A autarquia de Santarém cancelou o Corso de Carnaval de Carros Alegóricos e Foliões, agendado para 17 de fevereiro face às condições meteorológicas adversas previstas.
- A Câmara Municipal de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, cancelou o desfile de Carnaval 2026, previsto para o dia 17, igualmente devido aos danos provocados pela passagem da depressão Kristin pelo concelho.
- Ílhavo adiou o Carnaval Infantil Municipal, agendado para esta sexta-feira.
- Nazaré cancelou desfile de Carnaval agendado para este sábado. A prioridade, explica a autarquia, “está centrada na segurança das pessoas e na recuperação do concelho”.
- Esposende adiou para 20 de fevereiro o Desfile de Carnaval “Fantasia Ambiente”, agendado para esta sexta-feira.
- A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira adiou para 20 de fevereiro o Desfile de Carnaval das Escolas, agendado para esta sexta-feira “devido às condições meteorológicas adversas previstas”.
- Já o município de Ovar adiou a realização do desfile do Carnaval das crianças para 31 de maio, véspera do Dia Mundial da Criança. E cancelou o Carnaval Sénior, previsto para a tarde de 5 de fevereiro. Mas vai manter os grandes desfiles.

Estarreja, Loulé e Funchal mantêm grandes desfiles
A Câmara de Estarreja vai manter as festividades do Entrudo, apesar de já ter cancelado, a 7 de fevereiro, a Festa de Abertura do Carnaval devido às previsões meteorológicas adversas com chuva e vento muito fortes. “A foliar desde 1897, o Carnaval de Estarreja é um dos melhores e mais antigos cortejos carnavalescos do país”, segundo a autarquia liderada por Isabel Simões Pinto.
A ostentar o título de “o mais antigo Carnaval do país”, também a iniciativa de Loulé, no Algarve, mantém mantém as comemorações do Entrudo. “O Carnaval de Loulé volta ao sambódromo louletano para três dias de folia no mais antigo corso do País”, informa o município presidido por Telmo Pinto (PS).
A Madeira promete também festa rija com o programa carnavalesco que integra o calendário anual de animação turística desta região insular e que conta este ano com um orçamento de 613 mil euros, mais 20% do que em 2025.
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