Europa volta ao passado para acelerar o futuro em reunião informal de líderes

Líderes europeus reúnem informalmente num castelo belga do século XVI para definir as próximas prioridades, com a competitividade do bloco em primeiro lugar. Mas as divisões internas persistem.

Retiro informal de líderes da União Europeia, realizado a 12 de fevereiro de 2026, no Castelo de Alden Biesen, na BélgicaDR

O castelo de Alden Bielsen fica na vila belga de Rijkhoven e a sua construção começou no século XVI. E é neste cenário do passado, com um fosso à volta, que os líderes europeus se reúnem esta quinta-feira para discutir o futuro, o decisivo salto económico em frente que tem sido tão falado como adiado.

Os atores principais são os líderes de Alemanha e Itália, cada vez mais próximos, e de França, cujo poder e aura parece estar a desvanecer-se progressivamente. Mas o encontro conta ainda com António Costa, presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, e dois convidados especiais, cujo trabalho académico tem interpelado os líderes europeus e o rumo da Europa: os italianos Mario Draghi e Enrico Letta.

Este é um encontro informal, num registo que tinha sido proposto por António Costa quando assumiu o cargo atual, tendo como objetivo provocar fóruns de brainstorming entre os líderes europeus, sem a pressão de apresentar um documento oficial no final do dia. Esta quinta-feira, a pressão existe, porque continua a imperar a perceção de que a Europa discute muito e decide pouco ou, pelo menos, avança demasiado devagar quando efetivamente decide algo.

Há várias linhas de análise para este encontro. Em primeiro lugar, um possível confronto entre os países e as instituições europeias, nomeadamente a Comissão. Von der Leyen tem sido um alvo preferencial das críticas, com os países a acusarem Bruxelas de os afogar em regras e burocracia, o que impede uma maior agilidade num mundo de feroz competição comercial e não só.

Já a Comissão tem defendido – e a própria von der Leyen fez questão de o afirmar em dois discursos nesta semana – que os Estados têm todos os mecanismos necessários para essa agilização, mas que não os usam e, muitas vezes, criam novas barreiras.

Em segundo lugar, desenha-se com contornos cada vez mais claros uma cisão entre as “cabeças da Europa”. De um lado, Itália e Alemanha parecem cada vez mais cúmplices, apostados num modelo liberalizador mais agressivo de forma a cortar burocracia; do outro, França e Emmanuel Macron, que defende um fortalecimento europeu com um pendor mais protecionista e a definição de setores e campeões europeus que devem ser favorecidos. Outros temas separam os blocos, como a emissão de eurobonds, o acordo com o Mercosul ou o que deve ser incluído na definição “Made in EU”, parte da estratégia comercial da União.

No entanto, tudo está ser feito para evitar conflitos abertos entre blocos (a exceção habitual é Victor Orban, que à chegada ao castelo fez questão de reclamar contra o apoio financeiro à Ucrânia): na quarta-feira à noite, von der Leyen jantou com o chanceler Merz, e esta manhã houve uma reunião “pré-cimeira”, organizada pelos líderes belga, italiano e alemão, com alguns dos países presentes na cimeira propriamente dita (o que terá provocado o desagrado de quem não foi convidado). E, entre as duas coisas, houve ainda uma reunião entre Macron e Merz.

António Costa definiu quatro prioridades para o encontro. A primeira é o derrube “de barreiras internas” ao comércio dentro da Europa e o corte da burocracia; a segunda é dar mais dimensão às empresas europeias, incluindo as maiores; a terceira é fechar mais acordos comerciais e proteger as empresas europeias de táticas de “coação”, o que deverá referir-se sobretudo aos Estados Unidos e à China; a quarta é “investir mais e melhor”, tanto em termos públicos como privados.

Já Roberta Metsola preferiu focar-se, antes do encontro, no tema do custo de vida, lembrando que os inquéritos mostram ser este o principal foco de preocupação dos europeus. O anfitrião, o primeiro-ministro belga Bart de Wever, afirmou que é essencial que deste encontro saia um plano concreto que possa suportar a economia europeia no curto prazo.

“A lentidão, a falta de progresso está a levar as pessoas ao desespero”, afirmou numa entrevista a uma rádio. “Acho que temos de nos focar hoje nas coisas que têm de acontecer no curto prazo. Precisamos de apresentar um roteiro para os próximos anos o mais depressa possível, de dizer que vamos efetivamente fazer o que é necessário para manter a Europa competitiva”.

Ao final da tarde haverá uma conferência de imprensa a dar conta das principais conclusões. O momento decisivo será o Conselho Europeu do próximo mês, no qual se espera que as discussões tidas hoje possam vir a ter uma leitura prática.

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