Formação à distância ganha terreno, mas formato presencial resiste nas “soft skills”

Formação remota já é o modelo escolhido por mais de metade dos formandos da Galileu, empresa de formação do grupo Rumos. Nas "soft skills", formato presencial ainda é mais vantajoso.

A formação à distância veio mesmo para ficar e já é mesmo o modelo escolhido por mais de metade dos formandos que chegam à Galileu, empresa de formação do grupo Rumos. Mas o formato presencial ainda é considerado mais vantajoso nas competências humanas e pessoais, adianta ao ECO a diretora-geral, Cláudia Vicente, que está mesmo a contar com um crescimento desse modelo este ano nas chamadas soft skills.

De acordo com os resultados de 2025 da Galileu, que o ECO consultou, 52% dos formandos já escolhem o modelo live training, isto é, formação 100% à distância com um formador em tempo real. Face a 2024, registou-se um crescimento de 7% deste formato.

Por outro lado, a formação presencial não foi além de 34%, mantendo-se estável face ao ano anterior. Continua, no entanto, a ser mais valorizada em determinadas competências do que o modelo remoto. “Por mais que se introduzam dinâmicas e ferramentas na formação à distância, quando estamos a falar de competências pessoais e humanas, a formação presencial é mais robusta, e é entendida pelos nossos clientes dessa forma”, sublinha, a propósito, Cláudia Vicente.

Já nas competências “mais técnicas ou tecnológicas”, impera, diz a mesma, um equilíbrio entre a formação à distância e o modelo híbrido, formato em que tanto há alunos em sala, como remotamente, com um formador em sala em tempo real, destaca a mesma responsável. Em concreto, em 2025, 21% das ações de formação da Galileu decorreram num modelo híbrido.

Cláudia Vicente admite, porém, que esse modelo é desafiante, porque implica a adaptação das salas e dos métodos pedagógicos, na medida em que tanto quem está à distância e quem está em presença deve conseguir aprender, sem perdas. “Os nossos centros de formação tiveram de evoluir para se adaptarem a este modelo para que não haja perda pedagógica. Quem está à distância tem de ver e ouvir. Hoje, uma sala tem, pelo menos, dois ou três ecrãs“, detalha a diretora-geral.

Tratamento de dados em destaque

Liderança e tratamento de dados são competências mais procuradas.

No conjunto de 2025, a Galileu realizou 1.788 ações de formação, totalizando 19.240 horas e abrangendo 15.570 formandos. Em conversa com o ECO, Cláudia Vicente assegura que, perante este dados, as empresas têm reforçado a aposta na formação, até considerando as muitas transformações em curso no mercado de trabalho.

“Não é exatamente igual em todo o tecido empresarial, mas de uma forma generalizada sentimos que, neste mundo de transformação, não está a ser descurada a necessidade de apoiar a adoção de novas práticas por parte dos trabalhadores“, argumenta a responsável.

Quanto às competências mais procuradas, a diretor-geral destaca, por um lado, “tudo o que se relaciona com liderança” e, por outro, o tratamento de dados.

“Vemos, cada vez mais, os dados a serem colocados ao serviço da tomada de decisão. Os dados são necessários para que possamos tomar boas decisões. Há claramente uma procura por este tipo de competência. São cada vez uma competência transversal para os trabalhadores“, enfatiza Cláudia Vicente, que avança também que a própria Galileu tem adaptado a sua oferta formativa às necessidades novas do mercado.

Por exemplo, em 2025, reforçaram a oferta ao nível da automação, redesenharam o curso de recursos humanos para ter em conta a Inteligência Artificial, e introduziram o storytelling entre as ferramentas da formação de vendas.

“Tentamos fazer acompanhar a nossa oferta com a nossa interpretação de que o mercado está a precisar e com o que os clientes nos desafiam a fazer todos os dias”, afirma a diretora-geral, que revela que em 2026 a nova oferta formativa passará, com grande expressão, pela Inteligência Artificial.

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