Portugal melhora na competição global pelo talento, mas ainda tem trabalho a fazer na formação

Felipe Monteiro, do INSEAD, está em Lisboa para falar sobre a posição de Portugal no "ranking" da competitividade na "guerra global" pelo talento. Ao ECO, disse que formação é ainda ponto a melhorar.

Pela primeira vez, Portugal aparece entre os 25 países mais competitivos na “guerra global” pelo talento, segundo o ranking da INSEAD. O país ainda tem, porém, trabalho a fazer na área da formação, especialmente naquela que é disponibilizada no seio das empresas. O aviso é deixado por Felipe Monteiro, professor da referida escola de negócios, que frisa que não basta atrair profissionais. É preciso formá-los, com particular foco nas competências que os empregadores mais procuram.

A melhoria de Portugal tem vindo a ser gradual nos últimos anos“, começa por sublinhar, em conversa com o ECO, o professor que está esta quinta-feira em Lisboa para um encontro com os antigos alunos da INSEAD.

Enquanto em 2025 Portugal aparece no 24.º lugar dos 135 países considerados Índice Global de Competitividade de Talentos (GTCI), há pouco mais de uma década (em 2014) ocupava a posição 34.º de 93 países.

Daí que Felipe Monteiro frise que, mais do que a diferença entre 2023 e 2025 (melhorou três posições), “é importante ver a diferença face aos últimos anos“.

Entre os vários pilares considerados pela INSEAD, é na atração de talento que Portugal consegue um maior destaque, especialmente no que diz respeito aos estudantes internacionais (posição 21 do ranking), à tolerância às minorias (4.º lugar), à tolerância aos imigrantes (8.º lugar) e à equidade de género entre os profissionais altamente qualificados (lugar 11 do ranking).

A guerra pelo talento é cada vez maior. É importante Portugal ter melhorado ao longo do tempo na atração de talento”, assinala Felipe Monteiro, que realça também o desempenho do país no pilar “enable“. Nesse pilar, Portugal destaca-se, por exemplo, no que diz respeito à cobertura de rede móvel 3G e ao investimento em investigação e desenvolvimento.

Mas há também pontos e pilares em que Portugal precisa de melhorar. “Uma área a que precisa de dar atenção é às competências vocacionais e técnicas“, aponta o professor, que indica que há ainda a fazer, por exemplo, na facilidade de encontrar profissionais formados (lugar 90 do ranking) e na incidência do ensino secundário na população (posição 75).

Por outro lado, no pilar dedicado ao desenvolvimento do talento, Portugal regista como áreas a melhorar a disponibilização de formação dentro das empresas (fica-se pelo lugar 45 da tabela) e a delegação de autoridade (posição 80). “Há espaço para empresas portuguesas investirem na formação dos trabalhadores”, salienta Felipe Monteiro.

Aliás, de forma global, o professor – escolhido 11 vezes seguidas como o melhor professor de MBA do INSEAD – afirma que a mensagem a retirar sobre Portugal é positiva, mas “não adianta atrair sem reter e, sobretudo, sem treinar“.

Apela, por isso, a uma aposta forte na formação, especialmente nas competências mais procuradas pelos empregadores, como a Inteligência Artificial.

Entre todos os países considerados pela INSEAD, em 2025, Singapura, Suíça e Dinamarca ocupam o pódio da competitividade na guerra pelo talento.

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