Defesa. Portugal tem grande oportunidade na área dos drones

Presidente da idD Portugal Defence diz que há tempo para integrar a indústria portuguesa nas compras que o Estado faz ao nível da Defesa, nomeadamente no âmbito do SAFE.

Portugal vai receber um envelope total de 5,8 mil milhões de euros ao abrigo do programa SAFE (Security Action for Europe). Apesar deste “cheque” representar uma importante oportunidade para o país e para a indústria portuguesa, Ricardo Pinheiro Alves, presidente da idD Portugal Defence, esclarece que, ao nível da compra de equipamentos, as empresas portuguesas o pouco que produziam no passado deixaram de produzir. O responsável diz, contudo, que ainda há “tempo de integrar a indústria portuguesa nas compras que o Estado faz” e identifica “oportunidade muito grande” nos drones.

“A indústria portuguesa é muito formada por Pequenas e Médias Empresas (PME) e empresas em que atividade na Defesa tem sido muito reduzida”, explica Ricardo Pinheiro Alves, numa conferência organizada pela AEP, que decorre esta sexta-feira na Exponor.

O líder da idD Portugal Defence realça que, no âmbito do programa SAFE, Portugal vai ter de comprar equipamentos que já existam e não componentes. “A indústria portuguesa o pouco que produzia no passado deixou de produzir, tudo o que é navios de grande porte, blindados, aeronaves, [a indústria portuguesa] não produz, ou pelo menos, não na totalidade”, lamenta.

Apesar desta dificuldade, o responsável destacou que “Portugal tem uma oportunidade muito grande na área dos sistemas não tripulados”, alegando que é “mais barato produzir um drone que uma fragata”.

O presidente da idD Portugal Defence reforçou a oportunidade, lembrando que há “uma empresa portuguesa que está em vias de se afirmar como grande produtor a nível internacional”.

Sobre a forma de incluir a indústria portuguesa nestas compras, o responsável nota que “uma forma é o Estado comprar diretamente às empresas portuguesas, mas a compra de produtos acabados”.

Outra forma de incluir as empresas portuguesas é, por exemplo, no caso de uma fragata, “através das compras que faz de alguns dos componentes serem produzidos em Portugal, ou atrair investimento estrangeiro que seja localizado em Portugal”. “São duas formas de introduzir a indústria portuguesa”, explicou.

Uma quarta forma, “mais indireta”, “é juntar empresas portuguesas junto dos grandes fabricantes internacionais“, defendeu.

Para Ricardo Pinheiro Alves, tudo “isto demora tempo”. “Haverá tempo de integrar a indústria portuguesa nas compras que o Estado faz”.

Para Braz Costa, diretor-geral da CITEVE, há uma grande potencialidade na área da Defesa, mas diz que “falta um danoninho para que empresas sintam que isto é negócio e façam os seus investimentos para transformar isto em negócio.

Mais de 400 empresas capazes de liderar consórcios

Para a eurodeputada Ana Miguel Pedro, o plano português ao abrigo do SAFE “foca-se em 15 projetos estruturados, alinhados com as lacunas identificadas pela União Europeia”, que inclui equipamentos como fragatas, artilharias, satélites de vigilância, aventuras de combate, munições, sistemas de defesa aérea.

“Mas o verdadeiro sucesso não será medido pelo que compramos, será medido pelo como compramos. Se nós usarmos este instrumento apenas para adquirir, perdemos uma oportunidade histórica”, avisa, acrescentando que o “objetivo tem de ser, essencialmente, fixar valor industrial e garantir soberania operacional. Sem capacidade instalada no país, a prontidão das Forças Armadas fica dependente de terceiros”.

A eurodeputada realçou que “Portugal dispõe de uma base sólida”, com “mais de 400 empresas no setor de defesa capazes de integrar e liderar a consórcio dos europeus”. Para a responsável, “é aqui que o EDIP, o Programa de Indústria e Defesa Europeia, completa esta arquitetura”: “não compra equipamento, cria capacidade, apoia industrialização, operação transnacional e a escala das pequenas e médias empresas“, remata.

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