Estado emprega mais de 766 mil trabalhadores, um novo recorde
Em 2025, o número de funcionários públicos aumentou 1,7% em termos homólogos e subiu 0,9% face ao trimestre anterior, atingindo 766.278. Ganho médio mensal já ultrapassa os 2.260 euros.
O Estado empregava no ano passado mais de 766 mil funcionários públicos, um novo máximo histórico, de acordo com a síntese estatística da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), divulgada esta sexta-feira. O recorde surge à boleia das contratações nas áreas da Educação e Saúde da Administração Central, de acordo com o mesmo documento. Ganho médio mensal já ultrapassa os 2.260 euros.
A 31 de dezembro de 2025, o emprego no setor das administrações públicas situou-se “em 766.278 postos de trabalho”, assinalando “um aumento de 1,7% em termos homólogos”, o que corresponde a mais 12.721 trabalhadores, e uma subida de 0,9% face ao trimestre anterior, o que se traduz em mais 6.841 contratações, revela a DGAEP. “Em relação a 31 de dezembro de 2011, início da série estatística, o aumento foi de 38.577 postos de trabalho (+5,3%)”, de acordo com os mesmos dados.

Face ao período homólogo, o aumento do emprego público resultou sobretudo do crescimento na Administração Central, que contratou mais 9.171 trabalhadores, e na Administração Local, que acumulava mais 4.057 postos de trabalho. Em sentido inverso, “nas administrações regionais dos Açores e da Madeira, e também nos fundos de Segurança Social, registou-se redução de emprego”, segundo a DGAEP.
Na Administração Central, o aumento de 1,6% face ao quarto trimestre de 2024 “teve origem sobretudo nas áreas governativas da Saúde e da Educação, Ciência e Inovação”.
No caso da Saúde, registou-se mais 3.960 postos de trabalho, o que resultou principalmente de acréscimos nas carreiras de enfermeiro, que empregava mais 1.222 trabalhadores; na de assistente operacional, com mais 627 postos de trabalho; na de assistente técnico, que integrava mais 554 funcionários públicos; na de carreira médica, com mais 484 trabalhadores; na de técnico de diagnóstico e terapêutica, com mais 403 funcionários; e na de técnico superior, que contratava mais 338 pessoas, segundo a síntese estatística.
“Na área governativa da Educação, Ciência e Inovação, o aumento de 3.320 postos de trabalho ocorreu sobretudo na carreira de educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário (+1.108), nos assistentes operacionais (+1.040), na carreira de docente do ensino universitário (+730) e nos técnicos superiores (+578)”, de acordo com o mesmo documento.
No que respeita à Administração Local, a variação homóloga positiva, de 2,9%, deveu-se principalmente ao aumento do emprego público nos municípios e nas freguesias. “Nos municípios, o acréscimo de 2.839 postos de trabalho resultou sobretudo de mais trabalhadores nas carreiras de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional. Nas freguesias, o maior contributo para o aumento de 851 postos de trabalho foi dado pela carreira de assistente operacional”, indica a DGAEP.
Em comparação com o trimestre anterior, o aumento de 6.841 postos de trabalho nas Administrações Públicas foi impulsionado em grande parte pelo aumento na Administração Central, e ocorreu sobretudo nos estabelecimentos de Educação e Ensino Básico e Secundário e nas Unidades Orgânicas de Ensino e Investigação.
O maior contributo para o aumento na Administração Central ocorreu nas carreiras de educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário, bem como dos docentes do ensino superior e de técnico superior, em parte nos estabelecimentos de ensino básico e secundário, no âmbito das AEC (atividades de enriquecimento curricular), refletindo o processo de início do ano letivo. “Destaca-se também o contributo positivo para o aumento de emprego face ao trimestre anterior proveniente das carreiras das Forças Armadas e de enfermeiro”.
Em sentido contrário, a DGAEP destaca “a diminuição de 1.315 postos de trabalho na área governativa da Administração Interna, em parte decorrente da cessação de contratos a termo na GNR para apoio na vigilância das florestas no verão, refletindo uma situação também registada em trimestres homólogos”.
Em 2025 registaram-se 17.231 saídas por aposentação, menos 1.440 do que no ano anterior, contribuindo para o aumento líquido de trabalhadores. A redução das saídas, combinada com contratações, permitiu um saldo líquido positivo de emprego – tendência que se mantém desde 2015 e voltou a acelerar face a 2024.
Ganho médio mensal supera os 2.260 euros

Os funcionários públicos estavam a ganhar em média 2.260,9 euros mensais brutos, em outubro, o que corresponde a mais 118,8 euros no bolso, um crescimento de 5,6% face há um ano, segundo a síntese estatística da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).
“O ganho médio mensal nas Administrações Públicas é estimado, para outubro de 2025, em 2.260,9 euros, correspondendo a uma variação trimestral de 0,3% e a uma variação homóloga de 5,6%”, de acordo com o mesmo relatório. Este valor inclui não apenas o salário base mas outras parcelas do rendimento como subsídios e prémios.
“A variação homóloga resulta do aumento da remuneração base média mensal, e das restantes componentes do ganho, como subsídios, suplementos regulares e pagamento por horas de trabalho suplementar“, explica a DGAEP.
“A atualização do valor da retribuição mínima mensal garantida (RMMG)” para 870 euros, “o processo gradual de descongelamento das carreiras, a atualização do subsídio de refeição e a atualização do valor da base remuneratória (BRAP) e das remunerações base mensais na Administração Pública (AP)” são outros dos fatores que explicam a evolução positiva.
Já a remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo no setor das Administrações Públicas “situava-se em 1.885,1 euros, correspondendo a uma variação global média de 0,5%, face a julho de 2025, e a uma variação homóloga de 5,9%”.
De salientar que persistem diferenças salariais entre setores: a Administração Central paga acima da média, enquanto a Administração Local apresenta valores mais baixos devido ao maior peso de carreiras operacionais.
(Notícia atualizada às 19h10)
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