Lacatoni tem novos donos e vai produzir moda além dos clubes. Treinador Carlos Carvalhal deixa de ser sócio

Empresa que ‘veste’ clubes desportivos desde 1988 foi comprada pela holding Vincenti Capital, de Barcelos, e passa a ser liderada por Belisa Rodrigues. Plano é investir dois milhões no segmento B2C.

De Braga até Barcelos e dos equipamentos dos clubes para o pronto-a-vestir. É esta a nova vida da bracarense Lacatoni, que produz roupa e materiais de desporto para clubes, após ser comprada pela consultora portuguesa Vincenti Capital Partners. A histórica marca fundada pelo treinador Carlos Carvalhal e outros dois sócios foi adquirida, mudou a liderança e prepara-se para expandir o negócio da moda, inclusive além-fronteiras.

A Lacatoni, que veste centenas de equipas desportivas em Portugal, pretende entrar em Espanha e no Reino Unido “no médio prazo” e desenvolver a atividade em áreas diferentes, entre as quais a roupa de quotidiano. A ideia é que qualquer pessoa, mesmo quem não faz parte de clubes e nem pratica desporto, se identifique com a marca e passe a vesti-la, revelou ao ECO a nova CEO.

“Áreas que, possivelmente, reforçam os serviços aos clubes, mas também direcionam a marca para o B2C, que tem muito potencial e entendemos estar pouco explorada. Gostávamos que a Lacatoni fosse uma marca mais contemporânea e ligada à moda”, avança Belisa Rodrigues, que passou a estar a cargo da liderança da empresa criada pelo empresário Carlos Carvalhal, antigo técnico do Braga e do Sporting CP.

A Vincenti Capital Partners tem um plano de buy and hold diferente de um fundo de private equity, garante o administrador Tiago Lino, em declarações ao ECO.

“Temos a perspetiva de fazer crescer o negócio e nos mantermos com ele. Como holding, não temos obrigatoriedade de comprar para depois vender, nem sequer está nos planos. Pretendemos entrar em negócios com alto potencial e transformá-los não só na parte operacional, mas também na componente estratégica, comercial, desenvolvimento de produto… Numa perspetiva de intervir e transformar para melhor”, explicou o administrador da holding com sede em Barcelos.

O novo dono da Lacatoni revela que, gradualmente, vão lançar algumas coleções de lifestyle e linhas retro. “Continuarão a representar uma pequena parte da coleção, porque continuará dedicada principalmente ao vestuário desportivo, mas serão novidades de design português e produção local.

Tendo a visão da moda, e o nosso ‘background’ na indústria, entendemos que a Lacatoni – e bem – está bastante direcionada para clubes, mas a abordagem pode ser um pouco mais alargada. Queremos crescer bastante.

Belisa Rodrigues

CEO da Lacatoni

Nos últimos dois anos, assim que a Vincenti Capital Partners começou a realizar investimentos, o alvo têm sido apenas empresas de Portugal da área têxtil e outra de bebidas. A oportunidade de comprar a Lacatoni surgiu por intermédio de conversas entre vários conhecidos, tal como aconteceu com a própria fundação da multinacional.

“Era um negócio que tinha interesse devido à nossa proximidade à indústria têxtil. Temos uma abordagem talvez mais próxima e menos fria daquilo que conhecemos das private equities. Foi um processo que se desenrolou com bastante proximidade aos antigos sócios durante quase nove meses”, conta o administrador Tiago Lino.

Investimento de dois milhões na moda de consumo

Em curso está um plano de investimento de aproximadamente dois milhões de euros no segmento de consumo (B2C). “Este investimento será feito nos próximos anos em novas plataformas digitais, branding e marketing renovados. A internacionalização será feita através de reforço de equipas comerciais e parceiros locais e investimento para parceria com clubes locais. Será realizado um reforço da comunicação da marca para esses países”, adianta ainda Belisa Rodrigues.

Quanto à expansão internacional, antecipa “efeitos significativos” até 2028, embora não esteja prevista a abertura de escritórios locais. Esta será uma etapa além das exportações que faz para França, Alemanha, Suíça, Países Baixos, Bélgica, Angola, Cabo Verde e Moçambique para equipamentos de futebol, basquetebol, hóquei em patins ou rugby. Já em Portugal, ficou conhecida por ‘vestir’ o Vitória de Guimarães, Rio Ave, Trofense ou Sporting de Braga, entre outros clubes.

Belisa Rodrigues, CEO da Lacatoni

Perante este movimento no mercado de transferências (societárias), além da troca de proprietários, houve mudanças na gestão da Lacatoni. Os fundadores despedem-se de uma história que começou em 1988 na cidade de Braga. Tanto o cofundador e CEO, António Soares, como o cofundador e sócio Carlos Carvalhal terminam as suas funções.

“Com esta aquisição, concluo o meu percurso na Lacatoni. Saio com a certeza de que a marca entra agora numa etapa com maior capacidade de investimento e escala. Desejo o maior sucesso à equipa e à nova liderança na concretização deste plano de crescimento”, comentou António Soares, numa mensagem partilhada esta quarta-feira com os meios de comunicação social.

O nome Lacatoni deve-se aos três três sócios: Lacota (António Soares), Carlos (Carlos Carvalhal) e Toni (António Oliveira). A atual comissão executiva e estrutura acionista asseguram que a empresa vai continuará a operar com a mesma “identidade e ADN” ligados ao desporto, mas desta vez tem o apoio de uma estrutura de crescimento que lhe permitirá investir mais em inovação, produto, cadeia de abastecimento e distribuição, parcerias e na relação com a comunidade desportiva.

O negócio, cujo valor está sob sigilo, foi assessorado pela consultora PwC. Para divulgação “nos próximos meses” ficam também os detalhes sobre o programa de evolução operacional e comercial, fortalecimento de canais e preparação de entrada “gradual” em mercados internacionais.

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