Turismo abranda em 2025. Só escapam as dormidas dos portugueses

  • Joana Abrantes Gomes
  • 13 Fevereiro 2026

Setor do alojamento turístico registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas no ano passado, desacelerando 2,2 e 1,9 pontos percentuais, respetivamente, face a 2024.

As primeiras estatísticas da atividade turística em Portugal referentes ao ano passado apontam para uma continuação da trajetória de crescimento tanto no número de hóspedes e de dormidas, como nos proveitos totais e de aposento.

Contudo, na comparação com os dados de 2024, verifica-se uma desaceleração desse crescimento, apenas com uma exceção: as dormidas de residentes, que aumentaram 5,4% em 2025, para um total de 25,1 milhões, representando mais 3,2 pontos percentuais em termos homólogos.

Já as dormidas de turistas estrangeiros, embora tenham mantido a predominância (69,4% do total), atingindo 57 milhões, tiveram uma subida bem mais ligeira, de apenas 0,8%, o equivalente a um abrandamento, face a 2024, de 4,1 pontos percentuais.

Segundo os dados preliminares divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o setor do alojamento turístico registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas no último ano, representando aumentos de 3% e 2,2%, respetivamente, em relação a 2024.

Comparando o ritmo de crescimento em 2025 com o do ano anterior, quando os acréscimos, em termos homólogos, tinham sido de 5,2% nos hóspedes e de 4,1% nas dormidas, verifica-se uma desaceleração da atividade turística – de 2,2 e 1,9 pontos percentuais, na mesma ordem.

De acordo com o INE, os portugueses foram responsáveis por 74,3% do aumento de dormidas, com mais 1,3 milhões de dormidas no último ano. Os não residentes, por sua vez, contribuíram com 445,0 mil dormidas adicionais comparativamente a 2024.

Em todo o ano, só os meses de fevereiro e de março registaram dormidas abaixo dos níveis de 2024 (-104,0 mil dormidas e -161,4 mil dormidas, respetivamente), números que, segundo o gabinete estatístico, “foram influenciados pela estrutura móvel do calendário — ou seja, pelos efeitos dos períodos de férias associados ao Carnaval e à Páscoa”. Já o mês de abril foi o que mais contribuiu para o acréscimo anual, com 581,9 mil dormidas adicionais.

Evolução mensal das dormidas no turismo em 2025:

Fonte: INE

Em termos regionais, o maior crescimento absoluto do número de dormidas verificou-se no Norte (+634,8 mil dormidas adicionais) e, de seguida, na Madeira (+380,8 mil dormidas). “Estas duas regiões contribuíram, no seu conjunto, com 58,7% para o acréscimo de dormidas registado em 2025”, indica o INE.

No entanto, os portugueses dominaram as dormidas somente nas regiões Centro (68,2% do total) e do Alentejo (66,8% do total). No resto do país, os mercados externos foram predominantes, de forma mais expressiva na Madeira (82,5% do total) e na Grande Lisboa (81,4% do total).

Apesar da quebra homóloga de 1,5% nas dormidas, o Reino Unido manteve-se como o principal mercado emissor de turistas no ano que passou, com uma quota de 17,7%. Seguiram-se os mercados alemão (11,3% do total), norte-americano (9,6% do total) e espanhol (9,1% do total), estes últimos invertendo a posição que apresentavam em 2024.

O cenário de abrandamento verificou-se ainda no que diz respeito às receitas do setor no ano em análise. Enquanto os proveitos totais totalizaram 7,2 mil milhões de euros, mais 7,2% do que em 2024, os proveitos de aposento atingiram os 5,5 mil milhões de euros, 6,8% acima do valor do ano anterior. Porém, ambos tinham antes crescido 11%.

Dependência dos turistas estrangeiros diminuiu no final do ano

Olhando apenas para o último trimestre de 2025, os estabelecimentos turísticos em território nacional acolheram 7,2 milhões de hóspedes e registaram 17,1 milhões de dormidas, refletindo aumentos, respetivamente, de 2,9% e 1,9%. Face ao período de julho a setembro, trata-se de uma aceleração de oito décimas no número de hóspedes, enquanto as dormidas tiveram uma variação nula.

Evolução das dormidas e proveitos nos estabelecimentos turísticos:

Fonte: INE

Entre os três principais segmentos do alojamento turístico, destaca-se a contração homóloga de 2,3% observada na estadia de turistas em estabelecimentos de alojamento local, que compara com os acréscimos de 2,4% na hotelaria e de 7,7% no turismo em espaço rural.

No mercado interno, as dormidas totalizaram 5,3 milhões entre outubro e dezembro, mais 4,2% do que um ano antes, mas desacelerando face ao crescimento de 5,4% registado no trimestre anterior. Em sentido oposto, os 11,8 milhões de dormidas de estrangeiros, embora representem um aumento mais ligeiro, de 0,9%, equivalem a uma aceleração de cinco décimas face ao crescimento observado nos meses do verão.

Não obstante, o período de outubro a dezembro, segundo o INE, “foi o 5.º trimestre consecutivo em que a taxa de crescimento das dormidas dos residentes superou a dos não residentes“.

Já os proveitos totais ascenderam a 1,4 mil milhões de euros (+5,5%) e os proveitos de aposento a 1,0 mil milhões de euros (+4,5%) no quarto trimestre de 2025, abrandando em relação aos crescimentos observados no trimestre anterior (+7,4% e +6,8%, respetivamente).

(Notícia atualizada pela última vez às 12h30)

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