Diretor-geral defende enfermeiro afastado de cargo nas renováveis. “Pobre país de doutores e engenheiros encartados”

Numa publicação no Linkedin, o diretor-geral de Energia e Geologia afirma ter ficado "bastante bem impressionado" com Fábio Teixeira e critica o "achincalhamento" de que o enfermeiro foi alvo.

Fábio Teixeira, enfermeiro de formação e sem qualquer experiência na área de energia, demitiu-se do cargo de coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER), menos de uma semana após a sua nomeação, pedido que foi aceite pelo presidente da EMER e aprovado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que afirmou que “nunca concordaria” com esta contratação. O diretor-geral de Energia e Geologia, Paulo Carmona, saiu contudo em defesa do enfermeiro, dizendo-se “bem impressionado” e reconhecendo-lhe “vontade e dinamismo”.

Numa publicação na sua conta da rede social Linkedin, Paulo Carmona afirma ter ficado “bastante bem impressionado” com Fábio Teixeira, nos 10 minutos que conversou com o mesmo após uma reunião entre a EMER e a DGEG, na semana passada.

Os motivos que aponta para a boa impressão são “a vontade, dinamismo e noções de liderança de pessoas e projetos”, que considera “muito importantes para as funções que estava a desempenhar”. Afirma ter ficado “contente por ter alguém assim a dinamizar os muitos projetos comuns”.

“Precisava mais dele do que de um catedrático em Algo Muito Importante, talvez mosca morta e sem o dinamismo e vontade” que identificou neste coordenador, lamenta.

Feitos os elogios, Carmona passa às críticas, mas dirige-as não ao enfermeiro mas sim à controvérsia criada em torno da sua contratação. Fala de “achincalhamento gratuito a alguém que já foi presidente da toda poderosa Federação Académica do Porto” e acredita que a opinião pública ficaria mais satisfeita com a contratação de uma “mosca morta” com menos dinamismo, desde que tivesse um outro diploma. “Pobre país de doutores e engenheiros encartados. Tristeza”, conclui.

Estas afirmações acompanham a partilha deste artigo, que refere a demissão do enfermeiro, anunciada na passada sexta-feira, mas também o aval dado pela ministra à mesma. Maria da Graça Carvalho afirmou, em reação à demissão, que “nunca poderia concordar com a designação para uma estrutura tão especializada, específica e vital como a EMER, de um profissional que não fosse da área“.

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