PSI faz mira aos 10.000 pontos com Fidelidade a caminho
Bolsa está a escalar mil pontos em menos de 100 sessões. E já aponta à marca dos 10.000. PSI beneficia da rotação setorial observada nos mercados globais. E pode consolidar com IPO da Fidelidade.
O principal índice da bolsa de Lisboa precisou de menos de 100 sessões para somar mil pontos e ultrapassar a marca dos 9.000. Uma ascensão em ritmo bem acelerado que coloca agora no horizonte a fasquia dos 10.000 pontos, patamar que não atinge desde a crise financeira internacional de 2008. Quanto tempo vai demorar até lá chegar?
O PSI vem de um longo rally desde a pandemia. Teve em 2025 o melhor ano desde 2009 e aparenta não dar sinais de fadiga: vai lançado com melhor arranque de ano em mais de uma década acumulando uma valorização de 10% desde o início do ano.
Vários fatores estão a impulsionar a praça portuguesa. Desde logo o entorno económico positivo de Portugal, com um crescimento acima da média, desemprego em níveis historicamente baixos e ainda uma situação política estabilizada, aspetos que os investidores e analistas valorizam.
Mas também há razões a nível empresarial, o que num índice com apenas 16 cotadas ganha ainda maior importância. O PSI negoceia com desconto em relação aos pares e as ações apresentam das dividend yields mais atrativas da Europa. Setores como retalho, banca, energia e indústria — com forte representação no índice — têm beneficiado da recente rotação setorial observada nos mercados globais.
Por conta de tudo isto, explica Eduardo Silva, diretor da XTB Portugal, “temos assistido a um reforço do posicionamento de fundos de investimento (nacionais e internacionais) em cotadas portuguesas”. “Este ‘combustível’ financeiro tem proporcionado a liquidez necessária para manter a tendência ascendente, servindo de suporte mesmo em períodos de maior volatilidade externa”, acrescenta.
Steven Santos, diretor de plataformas e corretagem do Banco Big, concorda que os fluxos têm sido determinantes e destaca um canal adicional de entrada de capital: os chamados ‘vistos gold’. Desde outubro de 2023 que os ‘vistos gold’ deixaram de permitir o investimento através da compra de bens imóveis. A mudança beneficiou o mercado de capitais.
“Os organismos de investimento coletivo têm tido um crescimento muito acelerado por conta dos americanos que querem fixar-se por cá. Esse canal deverá acelerar ao longo do ano. Se tivermos dez a 15 mil americanos com 500 mil euros para investir, acaba por ser um boost importante para um índice pequeno como o nosso”, frisa Steven Santos.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Mil pontos em 100 dias?
A subida recente reforça o argumento dos mais otimistas. O PSI escalou dos 8.000 para os 9.000 pontos em 93 sessões entre outubro e fevereiro, depois de já ter saltado dos 7.000 para os 8.000 em 78 sessões entre maio e agosto de 2025.
Para Eduardo Silva, a marca dos dez mil pontos pode estar a meses de distância: “Se os fluxos de entrada dos fundos se mantiverem constantes e a conjuntura geopolítica não apresentar choques inesperados, a marca dos dez mil pontos poderia ser atingida num horizonte de quatro a seis meses, aproximadamente cem a 130 sessões”.
O responsável da XTB admite tratar-se de um cenário otimista, mas sublinha que está “fundamentado no atual momentum de mercado”.
Steven Santos é mais prudente, embora não descarte a meta ainda este ano. A recente rotação nos mercados globais poderá, aliás, favorecer Lisboa. “Tivemos nas últimas semanas uma fuga do software, mas o PSI não tem esta exposição. A rotação tem valorizado setores que temos muito em Portugal: energia, indústria e banca. Ou seja, o PSI pode dar continuidade à tendência”, afirma.
Fidelidade dá diversificação e profundidade à bolsa
O bom momento das ações nacionais poderá convencer a Fosun a colocar a Fidelidade na bolsa de Lisboa. A seguradora aponta a oferta pública inicial (IPO) para o início 2027 com uma avaliação superior a três mil milhões de euros. E poderá contar com um investidor forte: a Caixa, como avançou o ECO, na passada sexta-feira. O banco público está a avaliar a possibilidade de reforçar a sua participação na seguradora onde já tem 15%.
Para o mercado, a entrada da Fidelidade representaria mais do que uma nova cotada. “Introduziria um setor de seguros de grande escala, reduzindo a dependência do índice em relação à energia e retalho”, salienta Eduardo Silva, acrescentando que a dimensão da operação poderia aumentar a visibilidade internacional da bolsa de Lisboa e atrair novos investidores, como fundos passivos (ETF).
“Há décadas que não temos esse setor”, lembra Steven Santos. “Tem solidez, regulação e cash flows muito previsíveis, e a Fidelidade terá possivelmente um dividendo atrativo, motivos para os investidores se interessarem”.
Longe vão os tempos em que o setor financeiro dominava o PSI. Apenas o BCP resiste na bolsa e agora pode ter companhia.
Por outro lado, um IPO bem-sucedido funcionaria “como um cartão-de-visita para outras empresas portuguesas”. “Provaria que o mercado doméstico tem profundidade para absorver grandes operações”, considera Eduardo Silva.
Depois de IPO falhados da Luz Saúde e da Sonae MC e de saídas da bolsa em catadupa, incluindo a Greenvolt, Inapa, Reditus ou Grão Pará, a Fidelidade seria um verdadeiro seguro da bolsa.
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