Quanto ganha um advogado numa pequena, média ou grande sociedade?

Dependendo das fases de carreira, os rendimentos anuais dos advogados oscilam entre 18 mil e 92.400 euros em Lisboa e entre os 17.500 e os 90 mil euros no Porto, segundo um estudo da Hays.

Se um advogado estagiário pode receber, no máximo, 31.400 euros anuais numa grande sociedade de advogados, um advogado associado, com mais de 10 anos de experiência, aufere duas vezes mais, ou seja, cerca de 92.400 euros. Esta é uma das conclusões do Guia Hays 2026. Ainda assim, os valores diferem se forem escritórios em Lisboa e Porto e são diferentes conforme a dimensão das sociedades de advogados.

Mas vamos por partes. No início da carreira, que o estudo considera até aos primeiros três anos de exercício de profissão, um advogado estagiário pode auferir anualmente até 27.000 euros numa firma de pequena e média dimensão. Um valor máximo que é comum em Lisboa e Porto. Já no caso de estar inserido numa grande sociedade esse valor pode ascender aos 32.400 euros, no caso de Lisboa, ou 30.000 euros, no Porto.

Ainda assim, a média anual varia entre 24.000 e 27.600 euros em Lisboa e entre 23.000 e 25.000 euros no Porto, dependendo da dimensão do escritório.

No que toca aos associados júniores, ou seja, entre o terceiro e quinto ano de profissão, os valores oscilam entre os 27.000 euros e os 45.600 euros. Já com cinco a 10 anos de atividade, os valores sobem, situando-se entre os 37.000 e os 61.200 euros. Por fim, os associados seniores (com mais de 10 anos de profissão) auferem valores médios entre 51.000 e 92.400 euros.

Caso um associado júnior esteja inserido numa sociedade de advogados de grande dimensão, pode receber anualmente até 45.600 euros em Lisboa e 40.000 euros no Porto. Já um associado com cinco a 10 anos recebe até 61.200 euros, em Lisboa, e 57.000 euros, no Porto. Os valores vão aumentando, chegando ao teto de 92.400 euros, em Lisboa, e 90.000 euros, no Porto, para um associado sénior.

Por outro lado, num escritório de pequena e média dimensão, os valores auferidos por um associado oscilam entre os 30.000 euros anuais e 81.500 euros em Lisboa e 27.000 euros e 78.000 euros no Porto. Um associado júnior na capital chega a receber 42.000 euros em Lisboa, enquanto no Porto aufere 37.000 euros. Entre os cinco e dez anos de atividade, os valores sobem para os 50.400 euros e 49.000 euros, em Lisboa e Porto respetivamente. Após 10 anos de profissão, os advogados recebem até 81.500 em Lisboa e 78.000 euros no Porto.

O estudo da Hays indica ainda os valores médios auferidos anualmente por outras profissões jurídicas. No caso dos in-house, os advogados de empresa, com três a cinco anos de experiência recebem entre 28.000 euros e 35.000 euros em Lisboa e 25.200 euros e 34.500 euros no Porto. Mas quando possuem mais de cinco anos de experiência os valores máximos sobem para os 58 mil euros em Lisboa e 53 mil euros em Porto.

Já um diretor jurídico, entre dois e 10 anos de experiência, recebe anualmente entre 55.000 e 91.000 euros em Lisboa e 53.000 e 89.000 euros no Porto. Por fim, os valores dos compliance officers oscilam entre os 26 mil euros e os 50 mil euros e de um data protection officer entre 25 mil e 60 mil euros.

Advogados vão ganhar mais e terão mais benefícios

O mercado jurídico em Portugal prepara-se para uma aceleração em 2026, evoluindo de um estado “caloroso (estável)” para “hot”. A transformação é impulsionada pela adoção de Inteligência Artificial (IA) e Legal Tech, pela consolidação de modelos de negócio multidisciplinares nas sociedades de advogados e pela contínua procura por advogados in-house por parte das empresas, segundo a mais recente análise do Guia Hays 2026.

O estudo revela ainda que o mercado prevê um aumento salarial e uma maior aposta em benefícios. Com poucos candidatos motivados a mudar, as sociedades de advogados terão de ajustar os seus níveis de remuneração de referência. Os pacotes de benefícios serão cada vez mais desenhados à medida, com base no que as equipas mais valorizam, como formação, saúde e mobilidade.

O setor jurídico está a entrar numa nova fase de transformação, em que a tecnologia e os novos modelos de negócio passam a ser determinantes para a competitividade. A Inteligência Artificial está a redefinir processos, perfis e formas de trabalhar, e as sociedades que conseguirem integrar inovação com talento especializado serão as que mais rapidamente se irão destacar em 2026”, afirma Teresa Cardoso, senior consultant da Hays.

Após um 2025 de estabilidade, focado na implementação de ferramentas digitais, 2026 será “um ano mais dinâmico”. As ferramentas de IA prometem reduzir tempos de execução, pressionando a tradicional faturação por hora e exigindo novos modelos de gestão de equipas. Esta evolução, aliada a uma maior rotatividade e a fusões, irá redefinir as dinâmicas de carreira no setor.

Três tendências chave no futuro do setor jurídico

  • IA e eficiência operacional: A integração de IA deixará de ser uma novidade para se tornar uma “ferramenta central na otimização de processos, com impacto direto na gestão de projetos, cibersegurança e privacidade. A eficiência ganhará um peso acrescido, exigindo advogados com competências tecnológicas”, diz o estudo;
  • Sociedades multidisciplinares e fusões: O mercado assistirá a “uma maior rotatividade entre equipas e departamentos”, bem como a um aumento de fusões. Ganham relevo as estruturas que integram sócios não profissionais, promovendo a colaboração entre áreas e a diversificação de serviços;
  • Consolidação do recrutamento in-house: As empresas continuarão a reforçar os seus departamentos jurídicos internos “para lidar com temas complexos, articulando-se com os escritórios externos em matérias de elevada especialização”.

A procura por advogados com especialização em tecnologia e experiência em operações internacionais será a mais acentuada. A dificuldade em encontrar perfis em áreas como Bancário & Financeiro e TMT/PI/Tecnologia persistirá devido à pouca oferta e às elevadas expectativas salariais. Os perfis mais procurados em 2026 serão: advogado de TMT/Propriedade Intelectual/Tecnologia, advogado in-house e advogado de Corporate e M&A.

O Guia Hays 2026 é um relatório anual que compila dados e tendências do mercado de recrutamento em Portugal. O Grupo é especialista na contratação de profissionais qualificados, especializados e experientes a nível global, sendo líder de mercado no Reino Unido, Alemanha e Austrália e um dos principais líderes na Europa Continental, América Latina e Ásia. O Grupo opera de forma transversal nos setores privado e público.

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