Mau Tempo. Grupo de cerâmica e argilas em Leiria com danos superiores a dois milhões de euros
O impacto nas duas empresas familiares, com mais de 50 anos de existência, “será superior a dois milhões de euros, entre coberturas e equipamentos danificados”, segundo o administrador.
Um grupo que detém uma empresa de cerâmica em Pombal e unidades que fornecem argila e areia para a construção civil contabiliza um prejuízo superior a dois milhões de euros com o impacto da depressão Kristin, revelou um administrador.
A passagem da depressão obrigou o grupo a parar o fabrico de produtos cerâmicos na Icercal, sediada em Albergaria dos Doze (Pombal), onde grande parte dos equipamentos ficaram danificados, disse à agência Lusa o sócio-gerente da empresa, Jorge Caetano.
Além do impacto nessa empresa, a Sorgila, sociedade dedicada à extração e comercialização de argilas e areias para cerâmica e construção civil, ficou com cinco mil metros quadrados de pavilhões na sua sede, em Leiria, “completamente destruídos”, alguns camiões danificados e ainda impactos numa unidade de extração em Monte Redondo.
O impacto nas duas empresas familiares, com mais de 50 anos de existência, “será superior a dois milhões de euros, entre coberturas e equipamentos danificados”, notou Jorge Caetano, que é também administrador da Sorgila. “O impacto maior, neste momento, é na Icercal, que está a interferir com a produção”, explicou, revelando que, eventualmente, será possível retomar a produção daquela empresa na primeira quinzena de março.
Apesar disso, Jorge Caetano mostrou-se confiante em relação ao futuro, referindo que a seguradora contactou a empresa logo no dia da passagem da depressão. “Estamos a erguer-nos, já com orçamentações e adjudicações”, vincou, referindo que outras unidades de extração do grupo (fora da região de Leiria mais severamente afetada) não sofreram danos de maior.
Apesar dos danos, o grupo, com cerca de 200 trabalhadores, decidiu não recorrer ao lay-off. “Não achámos que faria sentido lay-off por um mês. No caso da Icercal, os funcionários trabalham à vez e têm tempo também para reparar os danos que têm nas suas casas e assim vamo-nos entendendo”, disse.
Segundo Jorge Caetano, na unidade de Monte Redondo da Sorgila foi possível retomar a produção com recurso ao aluguer de geradores e, face à destruição de armazéns, deslocalizaram matéria-prima para uma outra unidade em Pombal. “Ao início, não sabíamos se havíamos de chorar, mas decidimos arregaçar as mangas e pôr mãos à obra”, disse.
Mesmo a braços com prejuízos, a empresa disponibilizou areia ao município para prevenir inundações e falou com clientes seus que produzem telhas para serem oferecidas à Câmara de Leiria, contou. “Apesar de nós termos tido prejuízos avultadíssimos, há gente com menos prejuízo e que está com a vida mais complicada do que nós”, constatou, salientando que têm recebido “muita solidariedade de clientes e amigos, de norte a sul”.
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