Navigator e Corticeira inauguram época de resultados “sólida” no PSI com lucros acima dos cinco mil milhões
Duas cotadas do PSI apresentam esta quinta-feira, dia 19 de fevereiro, as contas de 2025. Num ano difícil, sobretudo para as exportadoras, as estimativas apontam para uma "boa ronda" de resultados.
A Navigator e a Corticeira Amorim inauguram esta quinta-feira, dia 19 de fevereiro, a época de resultados anuais na bolsa portuguesa. Depois de terem fechado 2024 com a primeira quebra de rentabilidade nos últimos quatro anos, as cotadas do PSI deverão voltar a apresentar um conjunto de lucros acima de cinco mil milhões de euros e, a cumprirem-se as estimativas dos analistas, poderá marcar-se um novo recorde de resultados no principal índice da bolsa portuguesa.
Apesar de ser esperado que tanto a papeleira como a empresa de cortiça apresentem uma quebra de resultados em 2025, pressionadas pelas tarifas de Donald Trump, a estimativa dos analistas consultados pela Reuters para 15 das 16 cotadas do PSI (não há previsões para os lucros da Teixeira Duarte) aponta para uma subida de rentabilidade. De acordo com as estimativas, as cotadas do PSI deverão ter encerrado o último ano com um resultado líquido na casa dos 5,5 mil milhões de euros, um valor que compara com os 4,3 mil milhões de euros reportados em 2024. Seria um novo máximo, acima dos 5,4 mil milhões fixados em 2023.

Galp, EDP e BCP deverão voltar a liderar os lucros na bolsa lisboeta, com as duas primeiras a lucrarem mais de mil milhões de euros e o único banco listado em Lisboa a ganhar à volta de 997 milhões, segundo as estimativas dos analistas.
“Acreditamos que o sentido dos resultados do quarto trimestre de 2025 seja o mesmo do trimestre anterior, ou seja, que as empresas mais expostas à economia portuguesa e ao consumo interno saiam beneficiadas e as empresas mais expostas ao mercado americano, direta ou indiretamente, possam ter tido um trimestre mais desafiante”, realça Pedro Barata, que espera “uma boa ronda de resultados”.
Acreditamos que o sentido dos resultados do quarto trimestre de 2025 seja o mesmo do trimestre anterior, ou seja, que as empresas mais expostas à economia portuguesa e ao consumo interno saiam beneficiadas e as empresas mais expostas ao mercado americano, direta ou indiretamente, possam ter tido um trimestre mais desafiante.
Para o gestor de ações nacionais da GNB, “resta apenas saber se as empresas conseguem suplantar as estimativas dos investidores ou se os bons resultados esperados já estão incorporados no preço atual das ações”. “Essa é a grande questão que, somada à mensagem das empresas sobre as suas estimativas para o futuro próximo, ditará a performance da bolsa portuguesa nos próximos meses”, antecipa.
João Queiroz, head of trading do Banco Carregosa, lembra que a época de resultados anuais arranca num momento em que o PSI negoceia em máximos desde 2008, notando que “o foco do mercado estará menos no crescimento nominal e mais na qualidade dos resultados: preservação de margens, conversão de EBITDA em free cash flow, disciplina de capital e, sobretudo, nas perspetivas para este ano de 2026”.
O foco do mercado estará menos no crescimento nominal e mais na qualidade dos resultados: preservação de margens, conversão de EBITDA em free cash flow, disciplina de capital e, sobretudo, nas perspetivas para este ano de 2026.
“Com a inflação de custos ainda presente e a procura a desacelerar, ou mesmo estagnar, em alguns mercados-chave, esta será uma temporada de diferenciação, em que a execução operacional e a credibilidade da gestão pesarão mais do que o headline dos lucros”, destaca o responsável.
Em termos de cotadas, João Queiroz espera que o BCP “poderá surpreender se confirmar resiliência da margem financeira e qualidade do crédito”. No setor das utilities reguladas, diz que “EDP e REN beneficiam de previsibilidade e perfil defensivo, embora a EDPR enfrente uma base comparativa difícil”. Já “a Nos entra forte em termos de momentum, mas terá de provar sustentabilidade num contexto concorrencial mais agressivo”.
Pela negativa, João Queiroz aponta que “as papeleiras (Altri e Navigator) continuam expostas a um ciclo adverso da pasta; a EDP Renováveis enfrenta pressão de avaliação e normalização pós-ano excecional; CTT e Jerónimo Martins deverão ser mais escrutinadas pela erosão estrutural de margens e pelo risco de desaceleração do consumo”.
O head of trading do Banco Carregosa considera que esta earnings season poderá contribuir “para consolidação com enviesamento ligeiramente positivo, suportada por empresas que entreguem resultados e visibilidade, enquanto deceções poderão gerar correções localizadas”. “Sem um claro e notório catalisador externo, esta época funcionará mais como teste de solidez do que como motor de uma nova perna estrutural de subida”, remata.
Nuno Mello, head of sales da XTB, refere que “a expectativa é de uma época de resultados globalmente sólida, mas mais moderada do que a que vimos há dois ou três trimestres. Depois de um período marcado por lucros muito fortes, sobretudo no setor financeiro e energético, entrámos numa fase de maior normalização”. Para o especialista, “na última earnings season ainda houve algum efeito positivo da inércia das margens financeiras elevadas e de uma procura relativamente resiliente”.
Para o responsável, “o mercado estará mais atento à sustentabilidade dos resultados e ao guidance para o resto do ano”. “Num contexto de crescimento económico anémico na Zona Euro e maior incerteza externa, o foco deverá estar mais na qualidade dos lucros e na geração de cash-flow do que em crescimentos expressivos”, acrescenta.
Em termos agregados, o head of sales da XTB considera que “os setores bancário, energético e do retalho continuam a ser os mais bem posicionados para suportar lucros elevados e distribuir dividendos atrativos, o que historicamente tende a ser bem recompensado pelo mercado português”.
Os setores bancário, energético e do retalho continuam a ser os mais bem posicionados para suportar lucros elevados e distribuir dividendos atrativos, o que historicamente tende a ser bem recompensado pelo mercado português.
Olhando para as cotadas, Nuno Mello destaca o BCP, que “vem de um ciclo de forte expansão dos lucros, beneficiando do contexto de taxas de juro e já foi o grande driver do PSI em 2025, com uma subida próxima de 93%”. E “se mantiver o crescimento, mesmo que a um ritmo mais moderado, e sinalizar uma distribuição de capital atrativa, continua candidato a surpreender pela robustez dos resultados bancários”.
Já a Galp, que tem sido um dos ‘campeões’ de lucros do PSI, se “combinar boa execução operacional com mensagens construtivas sobre transição energética e disciplina de capex, pode voltar a ser um suporte positivo para o índice”.
Por fim, o analista destaca a Sonae, que teve um 2025 “particularmente forte”. “Se os números confirmarem crescimento resiliente de vendas e margens num contexto macro ainda desafiante, o setor de retalho pode continuar a ser visto como um porto relativamente defensivo dentro do PSI”, explica.
Em sentido oposto, o especialista nota que “há segmentos onde o risco de desapontamento continua elevado, à luz do que já se viu em earnings seasons anteriores”. “Nos setores mais cíclicos e expostos à volatilidade dos preços das matérias-primas ou a investimentos pesados em transição energética são candidatos a maior dispersão de resultados e maior sensibilidade a revisões em baixa de guidance“, antecipa, destacando neste grupo o Grupo EDP e as papeleiras e cortiça.
“Num paralelismo com seasons recentes, o mercado português tende a reagir mais a surpresas nos pesos pesados – EDP, Galp, BCP, retalho – do que ao conjunto das 15 cotadas; se estes quatro pilares entregarem números e mensagens construtivas, é plausível ver um prolongamento do bom momento do PSI, ainda que com movimentos mais seletivos do que em 2025″, remata Nuno Mello.
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