Regulador da aviação trabalha em simulacro de apagão total a nível europeu
Uma das lições aprendidas foi que os planos de contingência devem ser alargados de forma a acautelar a continuidade do negócio e o reforço da informação aos passageiros, e não apenas a segurança.
A presidente do Conselho de Administração da ANAC – Autoridade Nacional da Aviação Civil, Ana Vieira da Mata, indicou que, na sequência do apagão ibérico de 28 de abril, tem estado a trabalhar com outras entidades a nível europeu para fazer um simulacro de um apagão total, no Velho Continente.
“A EASA e o Eurocontrol estão a trabalhar inclusivamente, connosco e com as várias autoridades europeias, para, num futuro próximo, fazer um exercício, um simulacro à escala total, que faz todo o sentido”, avançou a presidente da ANAC, esta quarta-feira, numa audição perante o Grupo de Trabalho dedicado ao apagão que foi criado pela Comissão de Ambiente e Energia. Fonte oficial da ANAC confirma que o simulacro deverá incidir sobre o cenário de um apagão que afetasse toda a Europa.
Vieira da Mata afirma que os guidelines não contemplavam um apagão global, pelo que o regulador identificou aqui uma oportunidade de melhoria, na sequência do apagão. O ministério das Infraestruturas já aprovou a proposta de um simulacro. “Vamos trabalhar sobre essa matéria ainda no decorrer deste ano”, indicou.
No entender da ANAC, “os regulados têm um nível de preparação adequada no domínio da segurança operacional”, já que não foram observadas falhas nos sistemas considerados críticos e essenciais para a operação de voo. Os voos que estavam para chegar, chegaram em segurança, frisou.
No entanto, reconheceu que “coisa diferente” é assegurar a continuidade do negócio na situação de emergência, além da segurança. Uma das lições aprendidas foi que os planos de contingência devem ser alargados nesse sentido, assim como de forma a reforçar a informação aos passageiros.
No dia do apagão, o aeroporto de Lisboa foi “o mais impactado”, destacou a líder da ANAC. Registaram-se 348 voos cancelados, afetando cerca de 66 mil passageiros. No Porto, foram cancelados 60 voos, 11 foram redirecionados, e as alterações afetaram 7 mil passageiros. No que toca a bagagens, cerca de 11.300 foram entregues com atraso, na sequência dos constrangimentos no terminal de bagagem, que foi desligado para poupança de energia.
Às 21 horas iniciou-se a retoma faseada do fornecimento da energia. Por volta das 23h30, começaram a ser feitas as primeiras tentativas de recuperação do tráfego e foi à meia-noite, meia-noite e um quarto que voltou a existir fornecimento de energia.
Durante o evento, foi ativada a célula de crise da ANAC. O regulador afirma ter acompanhado em permanência a operação dos vários stakeholders, mantido presença institucional não no aeroporto Humberto Delgado e no Posto de Serviços de Navegação Aérea e, por fim, diz ter garantido a informação aos passageiros, evitando que se deslocassem à infraestrutura para não existirem um maior impacto.
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