Administração da Ercros rejeita OPA da Bondalti. Decisão não foi unânime
Conselho de administração rejeita contrapartida de 3,505 euros oferecida pela química portuguesa, apesar de assessor financeiro contratado pela empresa considerar valor da OPA "razoável".
O conselho de administração da Ercros decidiu emitir uma posição “desfavorável” à oferta pública de aquisição (OPA) da Bondalti, que avalia a empresa em 320 milhões de euros, considerando que os 3,505 euros oferecidos pela empresa portuguesa “não refletem plenamente o potencial de criação de valor futuro da Ercros”. Esta avaliação não é, contudo, consensual entre os membros do board. Enquanto os três administradores, com mais de 6% do capital, dizem que vão rejeitar a OPA, uma administradora aprova a OPA e outro alerta para efeitos na ação caso a operação falhe.
“O conselho de administração, tomando em consideração todos os termos e características da oferta e o seu impacto nos interesses da empresa, incluindo o projeto industrial apresentado pelo oferente, emite uma opinião desfavorável à Oferta“, refere o relatório enviado pela empresa à CNMV.
Esta é a primeira vez que a administração se pronuncia sobre a oferta após o regulador do mercado de capitais espanhol ter autorizado a operação no passado dia 10 deste mês, após um longo processo que dura há quase dois anos, desde que a companhia detida pelo grupo José de Mello lançou há quase dois anos, em março de 2024, uma OPA sobre a totalidade do capital da Ercros, oferecendo uma contrapartida de 3,505 euros [ajustada ao pagamento de dividendos], um valor que avalia a empresa em 320 milhões de euros.
Apesar da avaliação negativa, o board diz que “cabe a cada acionista da Sociedade decidir se aceita ou não a Oferta, tendo em consideração os fatores que considere relevantes, incluindo as suas circunstâncias e interesses particulares”.
A administração da gigante espanhola contratou a Evercore para avaliar a contrapartida oferecida pela empresa portuguesa, a qual emitiu uma avaliação na qual considera o preço da OPA “razoável“.
Apesar de admitir que a contrapartida apresentada, que representa um prémio de cerca de 36,91% face ao preço de fecho das ações no dia 4 de março de 2024, dia anterior ao anúncio de oferta da Bondalti, “representar uma oportunidade para os atuais acionistas da empresa que procuram liquidez imediata para o seu investimento, com um prémio face ao preço atual da ação, para alienar a sua participação”, a administração destaca que “o preço da OPA pode não refletir o potencial de criação de valor futuro da Ercros num cenário de normalização da oferta, procura e custos de produção“.
Segundo o mesmo relatório, no âmbito das obrigações legais de informação aos trabalhadores, o board recebeu igualmente, a 12 de fevereiro de 2026, um parecer favorável das secções sindicais maioritárias da CCOO e da UGT na Ercros.
Nesse documento, os representantes dos trabalhadores consideram que a operação pode ter impacto positivo na viabilidade futura da empresa, valorizam os compromissos de manutenção do emprego e das condições laborais, destacam a preservação da atividade industrial e do arraigo territorial e entendem que a integração num grupo industrial de maior dimensão pode reforçar a estabilidade da empresa num setor estruturalmente cíclico.
Posição sem unanimidade
Segundo o mesmo relatório, os três administradores com ações reforçaram que não vão vender os seus títulos na operação. O presidente e CEO da empresa, Antonio Zabalza, tem 0,1% do capital, enquanto Laurean Roldán controla 0,0001% e Joan Casas, cerca de 6%. O advogado, que tem sido um dos maiores opositores à OPA da empresa lusa e que reforçou no capital tornando-se o maior acionista, integra um grupo de acionistas com 27% do capital que adiantaram em 2024 que vão rejeitar a oferta.
Apesar de a posição desfavorável à OPA ter sido aprovada pela maioria do conselho de administração presidido por Antonio Zabalza, dois membros do board discordam da avaliação feita.
A independente Lourdes Vega Fernández faz uma leitura favorável à oferta da empresa portuguesa, a qual defende com base na situação atual do mercado, as condições da oferta e a recomendação da Evercore.
Também o vogal Eduardo Sánchez Morrondo quis deixar uma opinião individual diferente, argumentando que, no que diz respeito ao valor da ação, “o mercado reagiu de forma muito negativa a qualquer sinal de que a oferta pública de aquisição pudesse não avançar, aproximando-se do valor que a ação tinha há dois anos, de 2,5 euros”.
“Apenas quando surgiram sinais de progresso, o valor aumentou”, destaca. “Este é um elemento a ter em consideração, pois uma eventual correção implicaria uma perda de valor para os atuais acionistas, bem como uma perceção negativa por parte de outros stakeholders, incluindo os bancos que têm de apoiar o futuro da Ercros caso a oferta pública de aquisição não avance”, avisa.
O sucesso da OPA está sujeito à aceitação de, pelo menos, 50% do capital.
(Notícia atualizada)
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