Air France-KLM prepara oferta não-vinculativa pela TAP. Preço e estrutura de governação serão decisivos

O grupo franco-neerlandês está a avançar com uma proposta não-vinculativa para a privatização da TAP. Preço e estrutura de governação serão determinantes para o negócio.

“Estamos a trabalhar numa proposta não vinculativa” pela TAP, garantiu o administrador financeiro da Air France-KLM, Steven Zaat, durante a conferência de imprensa de resultados, realizada esta quinta-feira. O preço e estrutura de governação serão determinantes para o negócio.

O gestor afirmou que o grupo teve uma reunião com a comissão executiva da TAP na semana passada, que considerou “muito positiva”. “No final do dia, tudo se resume ao que eles pretendem, se se sentem confortáveis e se nós também nos sentimos confortáveis numa abordagem conjunta”, acrescentou.

Tudo dependerá do preço a pagar, da estrutura de governação e de outros aspetos sobre os quais não posso comentar neste momento”, salientou ainda.

O grupo tem como objetivo chegar a uma margem operacional de 8% até 2028. Steven Zaat afirmou que a Air France-KLM não investirá “numa empresa se não tiver confiança de que pode atingir essa margem de 8%”. “Já viram a margem da TAP nos últimos anos. Digamos que essa não é a nossa maior preocupação“, referiu.

A companhia portuguesa registou uma margem operacional de 7% nos primeiros nove meses de 2025. O administrador financeiro da Air France-KLM está confiante que a transportadora portuguesa, “ao integrar o grupo, tornar-se-á ainda mais forte do que é atualmente”.

Steven Zaat salientou que o grupo, que inclui ainda a Transavia e a SAS, é “muito próximo das operações das companhias aéreas”. “Como podem ver, estamos aqui com pessoas holandesas, canadianas e francesas a trabalhar em conjunto, e a TAP pode ter um lugar central no nosso grupo em termos de organização“.

Dispor de uma porta de entrada para a América Latina a partir da Península Ibérica seria, do ponto de vista estratégico, algo muito relevante para o grupo.

Ben Smith

CEO do grupo Air France-KLM

“A rede que a TAP atualmente possui é muito complementar à que temos no grupo. Penso que o que trazemos é uma cobertura mais abrangente da América do Sul”, referiu o CEO, Ben Smith. “Dispor de uma porta de entrada para a América Latina a partir da Península Ibérica seria, do ponto de vista estratégico, algo muito relevante para o grupo”, salientou.

A Air France-KLM anunciou esta quinta-feira um lucro operacional recorde de 2.004 milhões em 2025, batendo as previsões dos analistas e levando as ações a disparar 14% na bolsa de Paris. “Uma marca inédita na nossa história”, assinalou o CEO.

Os resultados anunciados foram, em parte, impulsionados por uma queda nos encargos com combustível, bem como por um aumento nas receitas. Os custos, porém, continuaram a subir, com o aumento das taxas do aeroporto Schiphol, nos Países Baixos, a reduzirem os retornos por passageiro. O administrador financeiro, Seten Zaat, foi muito crítico em relação à gestão da infraestrutura, afirmando que se tornou “o aeroporto mais lucrativo da Europa” à custa das companhias aéreas, em particular o Air France-KLM, que é de longe o maior a operar em Schiphol.

O grupo franco-neerlandês transportou 102,8 milhões de passageiros no ano passado, mais 5% do que em 2024. As receitas cresceram 4,9% para 33 mil milhões de euros. Ambos os números representam novos recordes.

O resultado líquido chegou aos 1.754 milhões de euros, mais 1.265 milhões do que no ano anterior.

(notícia atualizada com mais declarações às 12h00)

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