Investimento de pequenos investidores em fundos nacionais cresce 16% e bate recorde de 20 anos

O valor aplicado pelos pequenos investidores em fundos nacionais quase duplicou desde 2019, subindo fortemente em 2025 para mais de 26 mil milhões de euros, o nível mais elevado desde 2006.

Os portugueses estão a diversificar as suas poupanças. Em 2025, o montante aplicado pelos pequenos investidores em fundos de investimento nacionais aumentou 3,6 mil milhões de euros face ao ano anterior, o que se traduziu numa subida homóloga de 16,2%, o maior aumento desde 2021.

Os números, publicados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal, revelam que apesar de a maioria da poupança dos particulares ainda estar aplicada em depósitos bancários, há cada vez mais dinheiro a ser aplicado em fundos nacionais imobiliários e fundos mobiliários (que incluem fundos de ações, de obrigações, fundos mistos e outros).

No final do ano passado, os pequenos investidores tinham aplicado mais de 26 mil milhões de euros em fundos de investimento nacionais, quase o dobro do montante registado em 2019, antes da pandemia Covid-19. É também o valor mais elevado dos últimos 20 anos.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Este incremento de interesse dos pequenos investidores por fundos de investimento é acompanhado pelos restantes players do mercado, que fica espelhado pelo quadro geral da indústria.

“Em 2025, o valor das unidades de participação emitidas pelos fundos de investimento aumentou 7,5 mil milhões de euros, atingindo 54,8 mil milhões de euros”, refere o comunicado do Banco de Portugal. Trata-se do valor mais alto desde o início da série estatística que remonta a dezembro de 2020, um recorde que ilustra a dimensão do crescimento da indústria de gestão de ativos em Portugal.

Além disso, o Banco de Portugal salienta que no final do ano, “os particulares detinham 48% do total de unidades de participação emitidas, mantendo-se como o principal setor investidor em fundos de investimento.” Contudo, permanecem longe da quota de 80% que detinham entre 2000 e 2003.

Os fundos de obrigações destacaram-se como a tipologia que registou a maior emissão líquida de unidades de participação no montante de 2,3 mil milhões de euros [num crescimento homólogo de 155%].

Banco de Portugal

O ano de 2025 ficou marcado por um contexto favorável aos mercados de capitais, com as bolsas europeias e mundiais a registarem desempenhos sólidos, pese embora as turbulências provocadas pela guerra comercial desencadeada pela administração Trump no início do ano.

Contudo, o crescimento não foi apenas impulsionado pela valorização dos mercados financeiros. As entradas líquidas de poupança dos particulares — ou seja, o dinheiro novo que os aforradores colocaram nos fundos — tiveram um papel determinante neste resultado.

O crescimento registado em 2025 divulgado esta quarta-feira pelo Banco de Portugal vai ao encontro dos dados divulgados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) há cerca de um mês, que apontavam para um crescimento anual de 23% do volume de ativos dos fundos nacionais dos seus associados para 25,5 mil milhões de euros, apenas comparado ao crescimento de 35,4% em 2021.

O Banco de Portugal revela ainda que “os fundos de obrigações destacaram-se como a tipologia que registou a maior emissão líquida de unidades de participação no montante de 2,3 mil milhões de euros”, num crescimento homólogo de 155%. “Seguiram-se os outros fundos e os fundos de ações, ambos com 0,8 mil milhões de euros”, refere o regulador.

Em movimento contrário estiveram os fundos imobiliários, que “foram a única tipologia em que o montante de amortizações de unidades de participação superou o montante de emissões, resultando numa emissão líquida de -0,5 mil milhões de euros”, revela o Banco de Portugal.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Investimento de pequenos investidores em fundos nacionais cresce 16% e bate recorde de 20 anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião