Lucros da Corticeira Amorim baixam 20% para 56 milhões em 2025. Dividendo sobe para 0,35 euros

Empresa de cortiça foi pressionada pelo contexto de elevada incerteza internacional, que levou a "políticas de compra mais conservadoras" por parte dos clientes da empresa liderada por Rios Amorim.

A Corticeira Amorim fechou 2025 com um resultado líquido de 55,6 milhões de euros. Trata-se de uma quebra de 20,3% face ao ano anterior e o segundo ano consecutivo que a empresa viu os lucros a encolherem mais de 20%, depois de ter ganhado menos 22% em 2024. A pressionar os resultados esteve o clima de elevada incerteza global, com impacto negativo na procura dos clientes.

Apesar de mais um ano de perda de rentabilidade, a empresa nortenha vai propor um aumento de três cêntimos do dividendo bruto por ação, para 35 cêntimos por ação, face aos 32 cêntimos pagos no ano passado, segundo adianta a empresa em comunicado de resultados enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A proposta de remuneração será votada na assembleia geral de acionistas agendada para o próximo dia 4 de maio.

As vendas consolidadas da Corticeira Amorim, que ultrapassaram a fasquia dos mil milhões de euros em 2022, baixaram 8,3% para 861 milhões de euros, em 2025. Segundo a empresa, “excluindo o efeito de alteração do perímetro de consolidação decorrente da alienação participação na Timberman Denmark, as vendas teriam caído 5,3%”.

A retração das vendas refletiu-se em todas as unidades de negócio, com destaque para a Amorim Cork Solutions, cujas vendas caíram 24%, devido aos menores níveis de atividade, “particularmente no segmento de pavimentos, e pelo impacto da alteração do perímetro de consolidação acima referido – excluindo este efeito, o decréscimo das vendas teria sido de 11,4%”, explica a empresa.

Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado atingiu 141 milhões de euros, o que compara com os 157,6 milhões registados em 2024, com a empresa a adiantar que “a rentabilidade foi condicionada pelo mix de produto e pela retração dos volumes, cujos efeitos foram parcialmente mitigados pela melhoria do preço de consumo de cortiça, pela melhor qualidade dos lotes trabalhados, pelas eficiências operacionais e pelas iniciativas de redução de custos implementadas”. No que diz respeito à margem EBITDA, esta baixou de 16,8% para 16,4%

“A atividade da Corticeira Amorim em 2025 foi condicionada por um contexto de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações significativas no comércio internacional, num ambiente de transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões adicionais sobre o setor vitivinícola”, justificou António Rios de Amorim, citado na apresentação de resultados.

O líder da empresa de cortiça refere que “a reduzida previsibilidade e a contração da procura levaram os nossos clientes a adotar políticas de compra mais conservadoras e a implementar planos de redução de custos, tendências que se intensificaram ao longo do ano”.

Rios de Amorim refere que “estes desafios exigiram uma elevada capacidade de adaptação, priorizando-se a proteção da rentabilidade e a redução do nível de endividamento”, que baixou para 75,9 milhões de euros, no final de dezembro de 2025.

“Apesar do pagamento de dividendos (42,6 milhões de euros) e do investimento em ativo fixo (42,8 milhões de euros), a forte geração de fluxos de caixa (175,9 milhões de euros) suportou a redução da dívida líquida em 119,8 milhões de euros face ao ano anterior”, detalha a empresa.

Segundo o CEO, a empresa de cortiça vai continuar a apostar na melhoria da eficiência operacional e otimização da estrutura de custos. “Simultaneamente, a adoção do novo modelo organizativo da Amorim Cork Solutions produziu benefícios claros, promovendo a integração das operações do negócio “não rolha” numa única unidade de negócio, posicionando-a como um relevante driver de crescimento a prazo da Corticeira Amorim”, acrescenta Rios Amorim.

Depois de mais um ano difícil, António Rios Amorim olha para 2026 “com prudência, conscientes de que o contexto externo permanece desafiante“, destacando que “a sólida posição financeira da Corticeira Amorim permitirá enfrentar os desafios, aproveitando oportunidades de consolidação de mercados e de diferenciação através de iniciativas estruturais orientadas para competitividade, inovação e sustentabilidade, assegurando a criação de valor a longo prazo”.

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