14% das contribuições já vêm de estrangeiros. Descontaram mais de 4,1 mil milhões para a Segurança Social em 2025
Estrangeiros já representam 14% das contribuições totais pagas à Segurança Social. Prestações pagas a não nacionais também têm subido, mas a um ritmo menor do que as contribuições pagas por estes.
Nos últimos dez anos, as contribuições pagas por pessoas de nacionalidade estrangeira à Segurança Social dispararam mais de 760%, tendo atingido 4.148 milhões de euros em 2025. Também a despesa com prestações sociais pagas a estes cidadãos subiu, mas a um ritmo menor. Resultado: houve uma diferença positiva entre as contribuições pagas e os subsídios recebidos por não nacionais, de acordo com as estatísticas que passam a estar disponíveis, a partir desta sexta-feira, no portal da Segurança Social.
No que diz respeito às contribuições pagas à Segurança Social, a nova base de dados mostra que, só em dezembro de 2025, 840 mil estrangeiros fizeram descontos sobre os seus rendimentos, mais 156 mil do que no mesmo mês de 2015. Foi o equivalente a 17,6% do total de pessoas com contribuições pagas no último mês do ano, sendo que, há dez anos, esse peso era de 4,5%.
As estatísticas mostram também que, neste momento, a faixa etária com maior representatividade é a dos 30 aos 39 anos, seguindo-se a dos 20 aos 29 anos. Os países de origem mais destacados são o Brasil, a Índia e Angola.
Já os setores de atividade que registam maior número absoluto de trabalhadores estrangeiros são o alojamento e restauração, as atividades administrativas e a construção. Ainda assim, é na agricultura que os não nacionais têm maior peso: já são mais de 40% dos trabalhadores.
No total do ano, as pessoas de nacionalidade estrangeira contribuíram com 4.148,96 milhões de euros, mais 760% do que em 2015 e o correspondente a 14% do valor global que os trabalhadores descontaram para o sistema. Há dez anos, esse peso não ia além de 3,4%.

Em paralelo, também a despesa assumida pela Segurança Social com prestações sociais pagas a não nacionais subiu na última década, mas a um ritmo bem menor do que o registado quanto às contribuições.
Em concreto, no total, em 2025, foram gastos 822,02 milhões de euros em prestações sociais a estrangeiros, como mostra o gráfico acima. Em comparação, em 2015 tinham sido gastos 131,8 milhões de euros, ou seja, houve uma subida de mais de 524%, que contrasta com o referido salto de 760% registado nas contribuições pagas por estes cidadãos.
A nova base de dados mostra, além disso, que o peso relativo das prestações pagas a pessoas estrangeiras foi o equivalente 11,1%. Os estrangeiros têm, portanto, um maior peso do lado das contribuições pagas à Segurança Social do que das prestações recebidas.
Em declarações aos jornalistas, a secretária de Estado da Segurança Social, Susana Filipa Lima, admitiu que há, sim, uma “diferença positiva entre as contribuições pagas e as prestações“, mas recusou veementemente falar de um saldo líquido favorável, uma que não há uma desagregação completa de todas as rubricas da despesa e da receita por nacionalidade, e que nas prestações sociais são consideradas tanto transferências enquadradas no sistema contributivo, como no não contributivo.
"Há uma diferença positiva entre as contribuições pagas pelas pessoas de nacionalidade estrangeira e as prestações pagas a estas pessoas, sim. Mas há um saldo líquido positivo? Não sei. Não temos uma desagregação completa de todas as rubricas de despesa e receita por nacionalidade.
”
Aos jornalistas, a responsável explicou ainda que a disponibilização destes dados decorre da “quantidade de pedidos” nesse sentido que têm chegado ao Ministério do Trabalho, defendendo a importância de disponibilizar de forma transparente estes dados e de os atualizar com regularidade.
“Sou uma defensora acérrima da disponibilização de dados que são do interesse público”, afirmou Susana Filipa Lima, argumentando que as estatísticas disponibilizadas “de forma isenta contribuem sempre para elevar a literacia de todos aqueles que tenham interesse em usar essa informação de forma correta“.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
14% das contribuições já vêm de estrangeiros. Descontaram mais de 4,1 mil milhões para a Segurança Social em 2025
{{ noCommentsLabel }}