Aston Martin vende o nome da equipa de F1 por quase 60 milhões para tapar buracos financeiros
A marca britânica do carro de James Bond vendeu menos automóveis em 2025, acumula dívidas crescentes e registou prejuízos acima do esperado, pressionada pela fraca procura na China e nos EUA.

Há carros que são muito mais do que simples veículos, são ícones culturais. O Aston Martin é um deles: o automóvel de James Bond, o símbolo de sofisticação britânica que durante décadas representou o luxo a quatro rodas. Mas hoje a fabricante britânica atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história recente, confrontada com perdas financeiras crescentes, queda de vendas e pressões vindas de vários quadrantes.
Para tentar estancar a hemorragia financeira, a empresa anunciou esta sexta-feira que planeia vender os direitos de nome da sua equipa de Fórmula 1 por 50 milhões de libras (cerca de 60 milhões de euros), e surge no seguimento do seu terceiro alerta de resultados no último ano, com a empresa liderada por Lawrence Stroll a afirmar que o seu prejuízo ajustado antes de impostos e juros será “ligeiramente inferior” ao limite inferior das expectativas dos analistas, de 184 milhões de libras para 2025.
Esta é a mais recente manobra de uma empresa que tem procurado financiamento onde pode. O negócio, celebrado com a AMR GP Holdings — a empresa que opera a equipa Aston Martin F1 — cede permanentemente os direitos de utilização do nome “Aston Martin” na Fórmula 1 até 2055, no máximo.
Até ao terceiro trimestre, a dívida líquida da Aston Martin ascendia a 1.381 milhões de libras, as receitas caíram 26% em termos homólogos e o free cash flow foi negativo em 415 milhões de libras.
A transação é considerada uma operação entre partes relacionadas, uma vez que Lawrence Stroll controla indiretamente a AMR GP. Ainda assim, acionistas da empresa detentoras de 54% do capital, incluindo o consórcio Yew Tree de Stroll, a Geely e a Mercedes-Benz, já deram o seu aval vinculativo à operação.
Os números explicam a urgência. Em 2025, a Aston Martin entregou 5.448 automóveis, menos 10% face às 6.030 unidades do ano anterior, penalizada por menores entregas de modelos especiais de alta margem, a margem bruta do exercício deverá fixar-se nos 29,5%, e a perda operacional ajustada superará o limite inferior do intervalo de consenso dos analistas, situado entre 139 milhões e 184 milhões de libras, segundo dados recolhidos pela Dow Jones Newswires, apesar de os resultados só virem a ser na próxima semana, na quarta-feira.

No acumulado até ao terceiro trimestre, a dívida líquida ascendia já a 1.381 milhões de libras, as receitas caíram 26% em termos homólogos para 740 milhões de libras, e o free cash flow foi negativo em 415 milhões de libras. “O ano de 2025 trouxe vários desafios inesperados para a Aston Martin, aos quais a empresa, sob a liderança de Adrian, está a adaptar-se ativamente”, justificou na altura Lawrence Stroll em comunicado.
Apesar do cenário sombrio, a empresa mantém uma perspetiva otimista para 2026, antecipando uma melhoria significativa impulsionada por cerca de 500 entregas do hypercar híbrido Valhalla, do qual foram entregues apenas 152 unidades no quarto trimestre de 2025, aquém das mais de 200 previstas pelos analistas, bem como por medidas contínuas de redução de custos.
As ações da construtora automóvel estão a cair 1,68% após terem resvalado mais de 4,3% durante a sessão desta sexta-feira na bolsa de Londres. Desde o arranque do ano, as ações perdem quase 8%, acumulando sete sessões seguidas de perdas.
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