Empresas ‘dão a mão’, produtos e milhões aos afetados pelas tempestades

Desde doações monetárias e de bens até à antecipação de pagamentos a trabalhadores e fornecedores, conheça as iniciativas avançadas pelas empresas num contexto das sucessivas tempestades.

Leonor Gonçalves/ECO

Desde que a tempestade Kristin entrou, com estrondo, pelo centro do país, deixando um rasto de devastação, que várias empresas têm vindo anunciar apoios às populações, às suas equipas e aos seus fornecedores. Desde doações monetárias e de bens até à antecipação de pagamentos a trabalhadores e fornecedores, conheça as iniciativas avançadas pelas empresas no contexto de catástrofe.

Aldi doa bens essenciais

A Aldi está a mobilizar a doação de bens essenciais, alimentares e não-alimentares, garantindo uma resposta direta e adequada às carências identificadas. “Neste momento, encontramo-nos em contacto direto com as Câmaras Municipais e outras entidades locais das zonas mais atingidas, com o objetivo de identificar as necessidades mais urgentes e garantir que o apoio chega a quem mais precisa.”, afirma a empresa, em resposta ao ECO/Capital Verde.

Altri paga mais caro por madeira de produtores afetados

A Altri anunciou que avança com um suplemento extraordinário para madeira proveniente de povoamentos afetados, assim como dará prioridade na receção da biomassa florestal residual destes territórios. Por fim, compromete-se com um apoio ao restabelecimento do potencial produtivo das explorações florestais afetadas.

Auchan contribui com bens alimentares e combustível

“A Auchan está a mobilizar recursos junto de parceiros locais. Em articulação com entidades no terreno, encaminhou produtos alimentares para instituições sociais locais. Foram igualmente apoiadas várias organizações da região, através da disponibilização de bens alimentares, produtos de higiene e outros bens essenciais”, diz ao ECO Rita Cruz, Diretora de Responsabilidade Social da Auchan Retail Portugal.

Além disto, a empresa forneceu combustível às áreas afetadas e mobilizou apoio “através de voluntariado técnico de colaboradores da área de Manutenção”.

“Em coordenação com a Proteção Civil, a Auchan tem mantido um contacto próximo com a Cruz Vermelha Portuguesa, canalizando apoio adicional de acordo com as necessidades identificadas, nomeadamente através da disponibilização de bens essenciais para as populações afetadas e gestão operacional no terreno. Apoiámos ainda associações como a AMITEI – Associação de Solidariedade Social de Marrazes -, APPDA de Leiria, Inpulsar, AMI, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Câmara Municipal de Pombal e Câmara Municipal de Alcácer do Sal”, acrescenta a mesma responsável.

Continente junta-se à Galp para angariar fundos, dá powerbanks e antecipa 20 milhões a fornecedores

Até dia 22 de fevereiro, os clientes Continente e Galp poderão contribuir através da compra de vales solidários de 1 euro ou de 5 euros, disponíveis em todas as lojas Continente, Continente Modelo, Continente Bom Dia e Continente Online e, mas também nas lojas Galp aderentes. Por cada euro doado, a Missão Continente e a Fundação Galp entregam valor igual, até um milhão de euros. Os fundos revertem integralmente para a Rede de Emergência Solidária, iniciativa da Entreajuda e da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

“Este modelo de donativo duplica o impacto de cada contribuição, reforçando de forma imediata o apoio às instituições sociais que estão no terreno a dar resposta a milhares de pessoas que perderam bens essenciais, rendimentos e estabilidade”, detalham as empresas, em comunicado.

Em respostas ao ECO/Capital Verde, o Continente indica ainda que iniciou, a 28 de janeiro, um conjunto de ações de resposta de emergência através da Missão Continente, em coordenação com Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e com a Cruz Vermelha Portuguesa. As ajudas passaram pelo envio de bens alimentares e de higiene para a base logística instalada no Pavilhão Desportivo dos Pousos, em Leiria, bem como a mobilização de equipas responsáveis pela receção, triagem e distribuição destes bens. Simultaneamente, foram disponibilizadas powerbanks e pontos de carregamento de dispositivos em diversas lojas Continente da região, além da resposta a múltiplos pedidos de apoio provenientes de diferentes zonas do país, como Castelo Branco, Marinha Grande, Alcácer do Sal e Ourém.

A 2 de fevereiro, o Continente ativou também os planos de contingência logística que garantem a continuidade do abastecimento e minimizam o impacto da calamidade na operação das lojas localizadas nas áreas mais atingidas, que se têm mantido a funcionar, “quase de forma ininterrupta, sem ruturas significativas de stock”.

A 14 de fevereiro, o Continente anunciou um novo pacote de medidas, desta vez dirigido diretamente aos produtores nacionais, muitos deles integrados no Clube de Produtores Continente. Entre as ações tomadas destaca-se a antecipação de 20 milhões de euros em pagamentos a fornecedores, com o objetivo de reforçar a liquidez das explorações mais fragilizadas. O levantamento dos danos registados permitiu identificar prejuízos “particularmente significativos” no setor das frutas e legumes — onde foram contabilizados 149.000 metros quadrados de estufas danificadas — e na produção animal, onde a falta prolongada de energia prejudicou a alimentação e aquecimento de suínos e aves.

Em paralelo, o Continente iniciou negociações com empresas especializadas na reconstrução de estufas, com o objetivo de acelerar a recuperação das explorações e assegurar condições adequadas de produção no mais curto espaço de tempo possível.

CTT adianta subsídios e dá até 10.000 euros a colaboradores

Os implementaram um mecanismo extraordinário de apoio aos colaboradores afetados. Neste âmbito, foi decidido o adiantamento do subsídio de férias e/ou de Natal, o adiantamento de vencimentos e apoio até 10 mil euros. De acordo com dados fornecidos ao ECO, este apoio é a fundo perdido, não reembolsável. A medida “é aplicada em situações de impacto severo na habitabilidade, perda de equipamentos essenciais ou fragilidade socioeconómica relevante, garantindo proporcionalidade, fundamentação técnica e alinhamento com o modelo de scoring definido. O nosso serviço social faz uma avaliação socioeconómica de cada caso, nomeadamente o rendimento e despesas do agregado, a dimensão do agregado e o grau de severidade das consequências sentidas. Estão identificados mais de 90 casos, os quais são acompanhados pelo serviço social“.

João Bento, CEO dos CTT, em entrevista ao ECO MagazineHugo Amaral/ECO

Foi também lançado um apelo ao donativo a todos os colaboradores CTT para apoiar os seus colegas e respetivas famílias. “A empresa contribuirá com um valor igual ou superior ao total angariado”, compromete-se.

Na Rede Interna de Apoio Social, os Assistentes Sociais mantêm acompanhamento técnico especializado, “assegurando a articulação com as entidades oficiais competentes e a gestão das necessidades imediatas dos agregados familiares”, informa a empresa, em respostas ao ECO/Capital Verde. Por fim, os CTT prestam também apoio administrativo, com orientações práticas para o contacto com as seguradoras.

Olhando a uma população mais alargada, os CTT informam que avançaram também com apoio direto a várias instituições. Garantiram o transporte de contentores com bens doados, recebidos nos vários polos da Caritas até às populações afetadas, assim como a entrega de materiais de proteção de construção em “vários municípios” que solicitaram apoio.

Na atividade operacional, os CTT garantiram sempre, mesmo em condições muito adversas, na sua rede de lojas e pontos, o pagamento de vales e subsídios às populações afetadas pelas tempestades. Com lojas sem energia nem comunicações, ativaram-se mecanismos manuais e redirecionamento para garantir que o serviço não foi interrompido. Na distribuição, houve necessidade de implementar processos e rotas alternativos. A frota a combustão foi direcionada para locais onde não existe energia elétrica para carregar veículos elétricos. Foram alargados os prazos para levantamento de encomendas em loja e é realizado o acompanhamento diário da operação, local a local, para mitigar o impacto das tempestades na atividade dos CTT.

EDP ajuda com material, equipas e 800 mil euros

A EDP, que é a casa-mãe da E-Redes, anunciou que iria canalizar “várias das suas equipas técnicas” para apoiar obras de limpeza e reconstrução nas zonas afetadas — os 69 concelhos mais atingidos –, em colaboração com a Proteção Civil. Para colmatar as falhas de energia, no total, o grupo disponibilizou mais de 540 geradores que estão a energizar pontos críticos, tais como escolas, quartéis de bombeiros ou postos de transformação, e que vão sendo mobilizados para novos pontos à medida que a rede vai sendo religada.

Ao mesmo tempo, a empresa enviou material de construção para o terreno, de forma a apoiar os trabalhos de recuperação das infraestruturas danificadas: foram 90 toneladas de material, desde cimento, areia, telhas, lonas, rolos de plástico, luvas a lanternas, entregues de forma faseada em locais sinalizados pela Proteção Civil. Adicionalmente, a empresa entregou 10 kits Starlink a esta entidade, com o objetivo de reforçar o acesso à internet em locais onde as comunicações estavam condicionadas.

Sendo que a elétrica comercializa painéis solares, indica que já chegaram ao terreno equipas especializadas em instalações solares, de forma a prestar apoio direto às famílias e às empresas que possuam estes equipamentos. Mais de 700 apresentam danos de maior ou menor gravidade, informa, em resposta ao ECO/Capital Verde. Nos primeiros dias, a prioridade foi a segurança de pessoas e bens, através da recolha de estruturas e equipamentos danificados, bem como o corte e proteção de cabos elétricos expostos e acessíveis a pessoas ou animais.

EDP apresenta rebranding da marca - 02JUN22

A EDP destacou também 15 equipas que instalam painéis solares noutras zonas do país para, em articulação com a Proteção Civil, apoiarem nos trabalhos de limpeza e reconstrução das zonas afetadas, uma vez que estas equipas são especialistas em trabalho em telhado, uma das principais necessidades identificadas pelas autoridades. A empresa suspendeu ainda o envio de faturação aos seus cerca de 700 mil clientes com casas ou empresas nas zonas mais afetadas. “Serão disponibilizados acordos de pagamento ajustados à situação de cada cliente, sem juros”, garante a EDP. Quando a fatura chegar e se assim o entenderem, os clientes terão um prazo mais alargado (a partir de 6 meses e até 12 meses) para proceder ao pagamento.

No total, a EDP vai assumir um custo de mais de 800 mil euros de forma a poder apoiar os seus clientes nas regiões afetadas pelo mau tempo, que incluem as referidas assistências técnicas urgentes a famílias com painéis solares danificados, o custo de suspender temporariamente a faturação a cerca de 700 mil clientes e o custo de deslocar equipas técnicas de outras zonas do país para apoiar a limpeza e a reconstrução destas regiões.

Galp tem 6,5 milhões para doar em ‘notas’ e em gás

A Galp anunciou a ativação de um Plano Extraordinário de Apoio às populações e territórios afetados pelo mau tempo, no valor global de 6,5 milhões de euros. Deste “bolo”, uma fatia de 2 milhões dirige-se à Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro. A somar, à Cruz Vermelha Portuguesa cabem 2,5 milhões, para apoiar operações de emergência, enquanto a Rede de Emergência Solidária tem ‘direito’ a um milhão de euros para apoio imediato e pós-emergência a instituições sociais e famílias sinalizadas.

A petrolífera lançou ainda uma campanha de solidariedade, em parceria com a Missão Continente (ver na secção relativa ao Continente), no âmbito da qual deverá fazer uma contribuição adicional de até 500 mil euros. A energética decidiu também reforçar o Programa Vale Energia, com um milhão de euros, disponibilizando equipamentos de aquecimento e gás engarrafado (GPL), em articulação com a Entrajuda e organizações sociais locais.

Já os colaboradores da Galp afetados pelas intempéries recebem, no seu conjunto, até 400 mil euros, através da ativação de uma linha dedicada para situações de perdas totais ou parciais de habitação ou viaturas.

Jerónimo Martins doa milhões, comida e instalações

A Fundação Jerónimo Martins comprometeu-se a doar um milhão de euros à Estrutura de Missão “Reconstrução da região Centro do País”. O Pingo Doce, supermercado do grupo Jerónimo Martins, anunciou, em paralelo, que iria destinar três milhões de euros para ajudar na reconstrução de Leiria e Marinha Grande. Esta quantia será mobilizada através do movimento de solidariedade da sociedade civil SOS Bairro. Em coordenação com as autarquias de Leiria, Marinha Grande, Ourém e Soure, o Pingo Doce já doou mais de 200 mil produtos essenciais, como alimentos, artigos de higiene, produtos para bebés e idosos e alimentação para animais.

A empresa portuguesa assegurou também a entrega direta de bens e de refeições prontas a 500 idosos em situação de solidão e isolamento, ao abrigo do protocolo com a GNR, e a 600 famílias em situação de vulnerabilidade e com dificuldades de deslocação, em colaboração com a Cáritas de Leiria e a Associação Partilha Constante.

A empresa portuguesa assegurou também a entrega direta de bens e de refeições prontas a 500 idosos em situação de solidão e isolamento, ao abrigo do protocolo com a GNR, e a 600 famílias em situação de vulnerabilidade e com dificuldades de deslocação, em colaboração com a Cáritas de Leiria e a Associação Partilha Constante. O Recheio doou também produtos alimentares e de higiene à Cáritas e à Proteção Civil do Município de Leiria, bem como alimentos à Escola de Hotelaria de Fátima, assegurando desta forma a preparação de almoços e jantares destinados aos voluntários que têm prestado auxílio às populações no concelho de Ourém.

Além disto, e olhando às cerca de 150 famílias de colaboradores – sobretudo dos concelhos de Leiria, Ourém, Marinha Grande, Pombal e Nazaré – que foram identificadas como tendo sido vítimas de fortes danos materiais provocados pelas intempéries, a Fundação Jerónimo Martins vai atribuir diretamente e a fundo perdido, cerca de 3 milhões de euros aos agregados familiares dos colaboradores mais afetados. A Fundação cede 50.000 euros por cada perda total de habitação permanente, 25.000 euros por cada perda parcial de habitação permanente, assim como apoio financeiro de 7.500 euros para compensar perdas de bens essenciais da habitação e de até 15.000 euros para perdas de meios próprios de transporte (automóvel, motociclo ou velocípede).

“Esta ajuda individualizada vem somar-se aos apoios em bens essenciais e alimentação que estão a ser prestados desde o primeiro momento às equipas, com pequeno-almoço, almoço ou jantar servidos gratuitamente nas cafetarias das lojas”, garantiu o grupo, em comunicado. Também foram disponibilizadas as instalações sanitárias das lojas para os familiares em necessidade.

Lidl “próximo” de fornecedores, equipas e populações

O Lidl diz-se “em articulação permanente” com as autoridades locais e entidades oficiais, como câmaras municipais, bombeiros e proteção civil, e refere ter avançado com a disponibilização de bens essenciais e donativos monetários. Em paralelo, garante que mantém “um diálogo próximo” com os respetivos fornecedores, para assegurar a continuidade do serviço e o apoio mútuo. Por fim, indica estar “a acompanhar de perto” as suas equipas, para garantir que nenhum colaborador afetado por estas tempestades fique sem apoio.

Mercadona dá bens e instalações para aterrar um helicóptero

A cadeia Mercadona afirma ter estado sempre em comunicação com várias entidades que foram transmitindo as suas necessidades, e às quais doou produtos alimentares, como leite, águas, pão e enlatados, mas também produtos de higiene.

Em paralelo, a pedido da Proteção Civil, a empresa colocou também à disposição as instalações do bloco logístico de Almeirim, que foram utilizadas como ponto de aterragem do seu helicóptero, de forma a facilitar os seus trabalhos de reconhecimento dos caudais da bacia do Tejo.

Mosqueteiros antecipa pagamentos a parceiros e doa materiais e comida

O Grupo Mosqueteiros, através da sua insígnia Intermarché, decidiu implementar uma medida de apoio aos seus parceiros da produção nacional, antecipando pagamentos no valor aproximado de 9 milhões de euros. A iniciativa traduz-se na redução temporária dos prazos de pagamento aos produtores integrados no Programa Origens, permitindo reforçar a liquidez e a tesouraria das empresas num momento particularmente desafiante para o setor primário. O Programa Origens envolve atualmente 525 produtores e mais de 50.000 toneladas de produtos.

Além disso, complementa o grupo em resposta ao ECO/Capital Verde, o Bricomarché entregou à Cruz Vermelha Portuguesa, no dia 3 de fevereiro, lonas e outros materiais, como tela asfáltica, luvas, cordas, carros de mão, ferramentas e vassouras, destinados a apoiar os trabalhos de limpeza e recuperação após a passagem da tempestade. Já o o Intermarché procedeu à entrega de bens alimentares e de primeira necessidade. Entre os produtos doados contam-se caixas de fruta – peras, maçãs e bananas -, leite UHT meio-gordo, atum e salsichas em lata, toalhitas para bebé, papel higiénico, água, bolachas Maria e cereais.

O grupo salienta que o Intermarché da Marinha Grande, apesar de ter sofrido diversos constrangimentos, “foi a única superfície comercial a servir a população local, garantindo o acesso a bens essenciais num momento particularmente crítico”.

Mota-Engil presente dos resíduos às habitações, passando pelas escolas

O Grupo Mota-Engil afirma estar presente no terreno, “desde a primeira hora”, e “em estreita colaboração com a Equipa de Missão do Estado Português, com os municípios e com a proteção civil”, de forma a apoiar a recuperação das zonas mais afetadas pela tempestade Kristin.

As nossas equipas estão a avaliar danos em habitações e edifícios e a assegurar a continuidade dos serviços essenciais de recolha e tratamento de resíduos“, indicou a empresa, em comunicado. Na mesma nota, deu conta que a Valorlis foi severamente atingida e 95% dos ecopontos sofreu impactos.

Carlos Mota Santos, CEO da Mota Engil, em entrevista ao ECO - 06NOV23
Carlos Mota Santos, CEO da Mota-EngilHugo Amaral/ECO

A Mota-Engil indica que já procedeu à distribuição de mais de 17.000 metros quadrados de telas para proteção de estruturas em Leiria, Marinha Grande, Ourém e Figueiró dos Vinhos, e está a apoiar a recuperação de duas escolas: Escola Básica 2/3 Dr. Correia Alexandre (Caranguejeira) e Escola Básica nº 1 de Marrazes. Paralelamente, está em curso um apoio dedicado aos trabalhadores afetados, “garantindo respostas de primeira necessidade através de uma mobilização conjunta do Grupo Mota-Engil”.

Navigator apoia produtores florestais

No rescaldo das tempestades, a Navigator manifestou “total disponibilidade” para receber, nos próximos meses, a madeira fina (ou madeira jovem) que se partiu ou dobrou devido aos efeitos da intempérie. A receção desta madeira irá decorrer sem penalização ou desconto até 30% do volume por carga originária dos 60 concelhos afetados.

Em condições normais, a madeira fina (entre 5 e 8 centímetros de diâmetro) não é utilizada pela indústria devido à sua reduzida eficiência produtiva e ao impacto significativo que tem nos custos de fabrico, indica a Navigator. Além disso, a não utilização deste tipo de madeira também contribui para a sustentabilidade dos stocks, desincentivando cortes antecipados. “Contudo, dada a situação excecional das zonas atingidas pela tempestade, onde grande parte da madeira danificada corresponde precisamente a madeira fina, a Navigator decidiu flexibilizar a sua política de receção de madeiras, abrindo uma exceção aos seus critérios habituais”, lê-se na nota de imprensa.

REN e Fidelidade dão quatro campos e meio de futebol… de lona

A REN – Redes Energéticas Nacionais e a seguradora Fidelidade uniram esforços para apoiar as populações mais afetadas pela tempestade Kristin, através da disponibilização de cerca de 31 mil metros quadrados de lonas destinadas à proteção provisória de infraestruturas danificadas, desde casas a estabelecimentos comerciais, sobretudo em Coimbra, Pombal e Leiria. Segundo a Fidelidade, os 31 mil metros quadrados de lonas são equivalentes a cerca de quatro campos e meio de futebol.

A distribuição destes materiais, a serem entregues às autarquias, ficou sob a coordenação dos municípios, em articulação com as freguesias, de forma a garantir resposta às necessidades mais urgentes das populações.

Santa Casa estende a mão, com um milhão, a misericórdias e cafés

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ativou o Fundo Solidário Santa Casa 2026 para apoio imediato a Misericórdias e Mediadores dos Jogos Sociais do Estado, de todo o país, que sofreram danos com as tempestades que assolaram Portugal nas últimas semanas. O Fundo tem o valor de 1 milhão de euros, não reembolsável, podendo vir a ser reforçado consoante as necessidades. As verbas destinam-se à recuperação de equipamentos sociais e património histórico das Misericórdias afetadas pelas calamidades. Os mediadores, muitos com pequenos negócios, como cafés, restaurantes, quiosques ou tabacarias, podem candidatar-se igualmente a este fundo.

O apoio da Santa Casa concretiza-se ainda através de um donativo financeiro de 100 mil euros à Cáritas Portuguesa, organização que atua no âmbito nacional e está diretamente envolvida na resposta de emergência no terreno.

Vidrala ajuda colaboradores, da saúde mental ao combustível e geradores

O grupo Vidrala, que fabrica embalagens de vidro na Marinha Grande, ativou um plano extraordinário de apoio a cerca de mil trabalhadores próprios e de empresas prestadoras de serviços, e às respetivas famílias, após o temporal que atingiu a região.

Este plano de apoio consistiu em avançar com um serviço de refeitório gratuito para todas as pessoas trabalhadoras da Vidrala, a distribuição de 13.000 litros de água potável e de mais de 500 quilos de fruta para levarem para casa, ou a extensão da utilização dos duches da fábrica às famílias. O mesmo grupo doou também milhares de metros de filme para a proteção urgente de habitações, forneceu gasóleo para viaturas de colaboradores, organizou atividades infantis, implementou condições de flexibilidade interna para apoio a familiares e realização de diligências, e colocou à disposição sessões de apoio à saúde mental e um serviço de aconselhamento para procedimentos junto de seguradoras e instituições.

Por fim, a Vidrala contribuiu com o fornecimento de geradores para retomar serviços municipais de primeira necessidade, a doação de 6.000 telhas e filme para a reparação temporária de telhados, bem como com a prestação voluntária de serviços de soldadura e de empilhador.

A Vidrala assegura 900 postos de trabalho diretos, o que a torna um dos maiores empregadores de Leiria, gerando ainda outros 300 empregos indiretos.

Outros apoios

Há ainda uma série de outros apoios que não são diretamente de empresas ou são no âmbito da própria atividade das empresas, como é o caso das seguradoras. A resposta da maioria destas passou pelo reforço da presença local nas áreas mais afetadas, muitas vezes com a criação de centros de emergência provisórios de forma a responder mais rápida e diretamente aos clientes afetados. Por outro lado, houve uma flexibilização na burocracia e nos procedimentos e, em alguns casos, um reforço dos canais de comunicação online.

Também a Fundação Aga Khan doou 1,5 milhões de euros para apoiar a reconstrução e revitalização das zonas do país mais afetadas pelas recentes tempestades. “Este contributo financeiro, deverá ser parcialmente utilizado no apoio a estudantes e suas famílias, bem como no reforço das estruturas de ensino, contribuindo para que as escolas possam retomar o seu funcionamento normal e em condições de segurança”, segundo comunicado do Ismaili Imamat e da Fundação Aga Khan, que acrescenta que “a criação de microflorestas e de espaços verdes que contribuam para a estabilização do ecossistema, deverão igualmente ser alvo deste investimento”, que será coordenado “com o Governo e com as autoridades nacionais e locais”.

Tanto a Startup Leiria como a Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria abriram as suas portas a associados e não só, garantindo um espaço de trabalho, com comunicações e energia, às empresas que ficaram impossibilitadas de funcionar. Para além disso, a Nerlei “lançou uma iniciativa de apoio estratégico e confidencial dirigida às empresas impactadas pela tempestade Kristin, mobilizando empresários voluntários e especialistas para acelerar a recuperação financeira, operacional e estratégica do tecido empresarial da região”.

Do lado do Turismo de Portugal, houve uma mobilização de alojamentos de associados para acolher as populações cujas residências foram afetadas. Em causa está o programa “O turismo acolhe”, uma medida excecional de emergência destinada a assegurar alojamento temporário, seguro e digno às populações que ficaram privadas de condições de habitabilidade nas suas residências principais, bem como aos trabalhadores de entidades públicas e associações envolvidos nas ações de reconstrução dos territórios afetados.

Em plena cidade de Leiria, muito impactada pela depressão Kristin, duas associações empresariais locais também serviram de apoio. Tanto a Startup Leiria como a Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria abriram as suas portas a associados e não só, garantindo um espaço de trabalho, com comunicações e energia, às empresas que ficaram impossibilitadas de funcionar. Para além disso, a Nerlei “lançou uma iniciativa de apoio estratégico e confidencial dirigida às empresas impactadas pela tempestade Kristin, mobilizando empresários voluntários e especialistas para acelerar a recuperação financeira, operacional e estratégica do tecido empresarial da região”. Segundo a instituição, “o programa reúne gestores, consultores e empresários com experiência em contextos de crise, que disponibilizam o seu know-how para ajudar outras empresas a estabilizar os seus negócios, reorganizar processos e identificar novas oportunidades de crescimento”.

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