Kristin: Prejuízos das tempestades já apontam para seis mil milhões de euros

Quanto custará ao país a passagem da depressão Kristin é algo a que não se consegue ainda responder. A 2 de fevereiro, Governo falava de 2.000 milhões. Estrutura de missão já aponta 2% do PIB.

A real dimensão dos danos causados pelos ventos de mais de 200 km/h trazidos com a depressão Kristin e das chuvas das tempestades que se seguiram, é algo que ainda está por apurar na totalidade, mas, considerando os dados mais recentes reunidos pela estrutura de missão da região centro, já é possível apontar para prejuízos na casa dos seis mil milhões de euros.

Em poucas horas, a tempestade trouxe ao país danos próximos de toda a riqueza produzida em Portugal durante uma semana.

Em entrevista ao ECO/Local Online, à margem do primeiro briefing realizado enquanto coordenador da estrutura de missão, Paulo Fernandes explicava que a estimativa de cinco mil milhões de euros apontada por Luís Montenegro já poderia pecar por defeito, e que pode chegar aos seis mil milhões de euros.

Paulo Fernandes nota que, para lá dos 5.000 milhões, há que considerar fatores ainda não presentes nesse número. “No outro dia, o senhor primeiro-ministro falava em cinco mil milhões de euros. Com aquilo que é o alcance das medidas e o número de candidaturas, começamos a somar e a aperceber-nos que ainda não entraram as candidaturas da parte pública, que são, seguramente, no final, com as empresas, as mais musculadas de todas. Ainda não entraram essas, que vão entrar, e já estamos a falar em milhares de milhões. Estamos a ver se, até à primeira semana de março, todos os municípios entregam o seu relatório de danos, se enviam o seu formulário de danos para as CCDR. Se calhar, aí sim, juntando, vamos ter as peças todas”.

A realidade é que as estimativas não páram de escalar no valor, sempre na ordem dos milhares de milhões de euros. A 2 de fevereiro, apenas apenas cinco dias após o fenómeno climático, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, falava, numa entrevista à SIC, em pelo menos 2.000 milhões de euros. Um par de dias depois, já assumia que a conta iria superar os quatro mil milhões de euros.

Agora, três semanas após a tempestade, Paulo Fernandes, a quem o Governo entregou a responsabilidade de coordenar os esforços de recuperar a região centro do país, já admite que se poderá chegar aos 6.000 milhões de euros, cerca de 2% do PIB nacional.

Em poucas horas, o prejuízo – ainda por determinar na sua totalidade – já supera em mais de 50% todo o contributo dado pela Autoeuropa à riqueza nacional.

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