Trump admite um ataque limitado ao Irão para conter programa nuclear
O Presidente dos EUA admitiu uma ação militar limitada contra o Irão como tática de pressão para chegar a um acordo com Teerão sobre o programa nuclear.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu esta sexta-feira uma ação militar limitada contra o Irão como tática de pressão para chegar a um acordo com Teerão que contenha o seu programa nuclear. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano avisou que o país responderá da mesma forma caso Washington optar pela “linguagem da força”.
“Penso que posso dizer que estou a considerar isso”, disse Trump, questionado pelos jornalistas na Casa Branca sobre um possível ataque de menor escala em território iraniano, onde os EUA mantêm uma presença militar significativa. Na quinta-feira, Trump deu um prazo de 10 dias para a situação no Irão “se esclarecer”, depois de ter mantido, esta semana, conversas indiretas sobre o programa nuclear, e instou Teerão a “chegar a um acordo significativo” para evitar que “coisas más aconteçam”.
“Se falarem com o povo iraniano com a linguagem do respeito, responderemos com a mesma linguagem. Mas se nos falarem com a linguagem da força, responderemos com a mesma linguagem”, disse por seu turno Abbas Araghchi, numa entrevista na estação televisiva norte-americana MS Now.
Teerão e Washington realizaram várias rondas de negociações em Omã e na Suíça, mas as tensões têm aumentado, sobretudo depois de os EUA terem ordenado um aumento da presença militar no Médio Oriente.
“Acho que os iranianos provaram ser um povo muito orgulhoso. Só respondemos à linguagem do respeito e é assim que podem falar connosco, e verão o resultado”, adiantou Abbas Araghchi, em entrevista. O apresentador, Joe Scarborough, instou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão a enviar uma mensagem a Trump.
“As administrações anteriores dos Estados Unidos, incluindo a atual administração, tentaram quase tudo contra nós: uma guerra, sanções, restabelecimento de sanções, tudo. Mas nada disso funcionou”, respondeu Araghchi. O chefe da diplomacia iraniana destacou que Washington e Teerão estão a discutir “como garantir que o programa nuclear do Irão, incluindo o enriquecimento, seja pacífico e permaneça pacífico para sempre e, em troca, o Irão obtenha a retirada das sanções”.
O ministro negou que haja um ultimato de Washington sobre a contraproposta do Irão, mas insistiu que o que ambas as partes querem é um acordo rápido em que os dois países saíssem a ganhar. Araghchi disse também que em dois ou três dias Teerão iria apresentar aos Estados Unidos um projeto de acordo sobre as ambições nucleares iranianas.
Presidente norte-americano, que inicialmente ameaçou com intervenção militar devido à repressão dos recentes protestos no Irão, mudou posteriormente o foco dos seus alertas para o programa nuclear iraniano, que as autoridades iranianas afirmam ser exclusivamente para fins pacíficos.
O Irão informou, entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que responderá “de forma decisiva” em caso de ataque, apontando as bases dos EUA na região como alvos legítimos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaçou o Irão com uma resposta brutal caso Teerão ataque Israel. “Se os ‘ayatollahs’ cometerem o erro de nos atacar, enfrentarão uma resposta que nem sequer conseguem imaginar”, declarou Netanyahu, numa alocução televisiva proferida durante uma cerimónia militar. “Estamos preparados para qualquer cenário”, disse o primeiro-ministro israelita.
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