Dos rasgados elogios às exigências, as reações à escolha de Luís Neves para a Administração Interna
Líder do PS considera o novo ministro da administração interna uma "personalidade forte num governo fraco". Sindicatos elogiam "capacidade de liderança" e "competência comunicacional".
O líder do PS elogiou, este sábado, a escolha de Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna, descrevendo-o como um “excelente profissional” e uma “personalidade forte”. Os sindicatos também deixaram elogios à capacidade de liderança do até aqui diretor nacional da Polícia Judiciária e esperam uma melhoria das condições de trabalho. Chega pede resolução urgente de dossiês adiados.
“É um excelente profissional a quem quero desejar as maiores felicidades. É uma personalidade forte num Governo, apesar de tudo, frágil. Espero que seja bem-sucedido num Ministério que é um dos mais difíceis”, afirmou José Luís Carneiro à entrada para o Conselho Estratégico do Partido Socialista, no Porto, em declarações transmitidas pelas televisões.
O secretário-geral do PS, que já ocupou o cargo com o ex-primeiro-ministro António Costa, afirmou que Luís Neves “leva para o Governo uma cultura de serviço prestado. Assim o Governo saiba acolher esta cultura”, acrescentou, esperando que “não se ande para trás no esforço que foi feito no desenvolvimento do sistema de segurança interna, que o Dr. Luís Neves bem conhece”.
Patrícia Gonçalves, deputada do Livre considerou Luís Neves uma “escolha positiva” para uma “tarefa difícil”. Em declarações à agência Lusa, a parlamentar aponta à “capacidade de ação” de Luís Neves na liderança da Polícia Judiciária, pautada também pela defesa dos “valores democráticos”.
Chega pede que novo ministro “não se fique pelas perceções”
O Chega reagiu esta tarde por Rui Gomes da Silva. O deputado sublinhou que “o novo ministro da Administração Interna vai ter muitos dossiês para resolver”. Quais? O problema da carreira das forças de segurança, o comando unificado dos bombeiros e a reorganização da Proteção Civil, enumerou. “São áreas que tem de ser solucionadas pelo novo titular da Administração Interna, sem qualquer desculpa ou adiamento, face à urgência destes problemas. O Chega vai ser implacável no escrutínio do novo ministro”, prometeu Gomes da Silva.
O deputado lembrou a polémica sobre os números da criminalidade, que levou o diretor da polícia judiciária a falar em “perceções”. “Nós sabemos quando comparamos os números, os crimes sexuais, os crimes graves, os crimes relacionados com a imigração, são realidades que existem”, afirmou Gomes da Silva. “Veio a terreiro dizer que eram perceções. Que não se fique pelas perceções e pela construção de ideias que não correspondem à realidade“, acrescentou.
Anunciou ainda que o partido irá chamar o novo ministro à Assembleia da República para que seja questionado sobre a estratégia e o caminho a seguir.
A Iniciativa Liberal também pediu ação urgente ao novo ministro. “É tempo de executar o que tem ficado por fazer, o país não aguenta continuar a viver de anúncios sem consequência”, escreveu na rede social X. “O país precisa de reformas concretas, melhor coordenação, planeamento eficaz e capacidade real de resposta”, defendeu.
Sindicatos deixam elogios e pedem revisão de estatuto remuneratório
“No Dr. Luís Neves vejo alguém com capacidade e determinação para melhorar as coisas”, destacou Armando Pereira, presidente Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), em declarações à SIC Notícias, esperando que “a pessoa que ele foi na Polícia Judiciária seja agora como ministro e venha melhorar as condições profissionais dos seus homens, da PSP e da GNR”.
Deposito a esperança que este ministro seja a correção dos erros de ‘casting’ dos anteriores ministros.
O presidente do Sinapol elogiou a “capacidade de liderança”, a “determinação para melhorar as coisas” e “conhecimento das dificuldades que todas os homens e mulheres das forças de segurança enfrentam todos os dias”. Manifestou ainda a “esperança que este ministro seja a correção dos erros de casting dos anteriores ministros”.
Bruno Pereira, Presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, considerou, em declarações à RTP, “inesperada” a escolha de um líder de uma força policial para ministro da Administração Interna, mas sublinhou que Luís Neves é “um conhecedor do mundo policial“. “Conhece os interlocutores do sistema, como está configurado, as dificuldades do sistema quer do ponto de vista doméstico quer internacional”, afirmou.
Jorge Resende, da Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ), considerou a escolha surpreendente — foi uma notícia bem guardada, como deve ser — mas “acertadíssima”. Em declarações à SIC Notícias, destacou “a veia de comunicação pública muito forte”. “Demonstrou competência comunicacional e política em intervenções públicas estratégicas como foi a crise [da fuga de prisioneiros] de Vale de Judeus”, acrescentou.
O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda também manifestou surpresa à Agência Lusa, acrescentando que “poderá trazer alguma animosidade”, devido à diferença entre o subsídio de risco atribuído à Polícia Judiciária (mais alto) e à PSP e GNR. Uma questão levantada também pelo presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, Bruno Pereira.
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