Agricultura representa 1,2% do PIB europeu e emprega 8,4 milhões. Portugal mantém-se acima da média
Indústria agrícola gerou mais valor para economia europeia, num setor onde mais de metade dos "novos" agricultores têm mais de 40 anos (70% em Portugal) e o número de pessoas continua a cair.
A indústria agrícola gerou um valor acrescentado equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia, uma percentagem ligeiramente acima do valor calculado em 2009, revela o relatório de 2025 dedicado à cadeia alimentar europeia. Com 8,4 milhões de empregos, o peso do setor na força de trabalho da região tem vindo a cair, à medida que há mais máquinas a ajudar os agricultores e com o número de explorações agrícolas a baixar. Em Portugal, o setor agrícola manteve-se estabilizado, com um peso em torno de 1,6% no PIB.
Segundo o Eurostat, o rácio do valor acrescentado da indústria agrícola em relação ao PIB foi significativamente mais elevado na Grécia (3,2%), Roménia (2,5%) e Espanha (2,3%), seguindo-se a Bulgária, Itália e Croácia, com 1,8% do PIB. Em Portugal, a agricultura representa em torno de 1,6% do PIB, uma percentagem em linha com a registada em 2009.

Em 12 países da UE, o valor acrescentado da indústria agrícola representou menos de 1% do PIB, sendo os rácios mais baixos registados no Luxemburgo e em Malta (ambos com 0,2%).
Entre 2009 e 2024, o valor acrescentado gerado pela indústria agrícola subiu em 15 países.
Em termos de explorações agrícolas, o Eurostat refere que havia 9,1 milhões de explorações em 2020, que exploravam 38,4% do terreno agrícola na UE.
“A produção bruta da indústria agrícola da UE foi avaliada em 531,9 mil milhões de euros em 2024, composta por produção vegetal (267,7 mil milhões de euros; 50,3% do total), produção animal (218,8 mil milhões de euros; 41,1%), serviços agrícolas (24,8 mil milhões de euros; 4,7%) e bens e serviços não agrícolas inseparáveis (20,6 mil milhões de euros; 3,9%)”, detalha o gabinete de estatísticas europeu.
Em termos de categorias da produção agrícola da UE, as maiores foram o leite (78,6 mil milhões de euros; 14,8%), os legumes e produtos hortícolas (72 mil milhões de euros; 13,5%), os cereais (48,9 mil milhões de euros; 9,2%), os suínos (46,8 mil milhões de euros; 8,8%), os frutos (39,5 mil milhões de euros; 7,4%) e o gado bovino (38,4 mil milhões de euros; 7,2%).
Política Agrícola Comum financia 23% do investimento
No que diz respeito à Política Agrícola Comum, que vai sofrer alterações significativas no âmbito do quadro financeiro plurianual período de 2028 a 2034, financiou 23,3% do investimento total, em 2024.
Os pagamentos diretos (28,8 mil milhões de euros) constituíram o maior item, seguidos pelo desenvolvimento rural (15,5 mil milhões de euros), medidas “verdes” (8,6 mil milhões de euros) e apoio ao mercado (2,7 mil milhões de euros).
“Durante o período 2023–2027, a PAC fornecerá um financiamento reforçado para os regimes ecológicos, práticas agrícolas amigas do clima e preservação da biodiversidade. Entre outras ações, visa redistribuir o apoio ao rendimento em favor de explorações mais pequenas e de agricultores mais jovens, promovendo também a igualdade de género”, destaca o relatório.
70% dos “novos” agricultores em Portugal têm mais de 40 anos
Em termos de emprego, a agricultura continua a ser um setor sem capacidade para atrair jovens. Mais de metade dos novos agricultores, em 2020, com atividade aberta nos últimos três anos, tinha mais de 40 anos. Em Portugal, Eslovénia e Espanha, mais de 70% dos novos agricultores tinha mais de 40 anos.
Numa profissão onde as horas de trabalho ultrapassam habitualmente a média de outras atividades — 40,6 horas por semana contra 35,5 horas para a economia –, o peso de trabalhadores neste setor tem vindo a baixar.

Em 2023, a agricultura empregava 8,4 milhões (324 mil em Portugal), com o peso do setor no emprego na região a recuar de 5,2%, em 2013, para 3,9%, no espaço de uma década. Em Portugal, esta percentagem caiu para metade, passando de 10% para 5% do emprego nacional.
Portugueses gastam mais e… desperdiçam mais
Em 2024, o valor da produção na indústria agrícola superou o nível de 2009 em todos os países da UE, enquanto o mesmo aconteceu com o consumo intermédio, exceto na Croácia. O valor da produção mais do que duplicou na Hungria, na Irlanda, nos três países bálticos da UE e na Polónia, enquanto o consumo intermédio mais do que duplicou na Estónia, na Lituânia, na Hungria, na Polónia e em Portugal.
Em termos de percentagem de despesa das famílias em alimentos, bebidas e serviços de restauração, as percentagens mais baixas registaram-se na Alemanha (17,7%) e no Luxemburgo (17,9%), enquanto Portugal (29,3%) e Letónia (30,7%) lideram a tabela.
Se os portugueses estão entre os que gastam mais com alimentação, estão também entre os que mais desperdiçam. O desperdício alimentar na UE, em 2023, foi, em média, de 130 quilogramas (kg) de massa fresca por pessoa; mais de metade (53%) teve origem nos agregados familiares e 18% no processamento e fabrico de alimentos e bebidas.
Portugal (122 kg por habitante), a Roménia (99 kg) e a Itália (98 kg) registaram os valores mais elevados de resíduos alimentares gerados pelos agregados familiares, enquanto a Espanha apresentou o valor mais baixo (26 kg; dados de 2022).
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