Investimento de capital de risco em startups de defesa dispara 55% na Europa

Consolidação no ecossistema de startups de defesa, segurança e resiliência está a aumentar com um pico de 20 operações de fusão e aquisições no ano passado, aponta o estudo da Dealroom com o NIF.

Nunca como agora o capital de risco está a investir em projetos de defesa, segurança e resiliência (DSR) na Europa. No ano passado atingiu 8,7 mil milhões de dólares, um disparo de 55% face ao ano anterior e quatro vezes mais do que há cinco anos, aponta o estudo “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026″, realizado pela Dealroom em parceria com o NATO Innovation Fund (NIF). Consolidação no setor está a crescer com um pico de 20 operações de fusão e aquisições no ano passado.

“Em toda a Europa, a DSR continua a crescer rapidamente, com o crescimento dos negócios evidente em todos os mercados e um substancial investimento de capital de risco por meio de grandes rondas. Com fluxos de receita comprovados e trajetórias claras para o crescimento contínuo, a oportunidade agora é para os demais financiadores de capital — de bancos a empresas de private equity — entrarem em cena e apoiarem a próxima fase de financiamento para empresas de DSR em fase avançada”, aponta Sander Verbrugge partner do NIF, fundo financiado por 24 países da NATO com capacidade de investir mil milhões de euros em deeptech focada no setor da defesa.

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

O disparo do investimento em startups destes setores foi fortemente impulsionado por um conjunto de elevadas rondas de financiamento em startups em fase mais avançada e que desenvolvem soluções com capacidades críticas para as nações membro da NATO – desde mobilidade, à tomada de decisões ou a segurança de tecnologias críticas. Pelos valores em causa, rondas como as ocorridas com a Quantinuum (800 milhões), a Helsing (600 milhões), Quantum Systems (340 milhões) ou ICEYE (150 milhões) pesaram nos resultados.

Essas megas rondas, triplicaram face ao ano anterior (um salto de 154%), para 4,7 mil milhões de dólares, com especial foco em inteligência artificial — que absorveu 44% do investimento — computação quântica ou espaço.

 

 

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

O número de rondas manteve-se estável: 304 no ano passado vs 308 no ano anterior, mas sempre em crescendo. Em 2015, este segmento registava apenas 38 rondas, tendo dado um salto de 148 em 2020, para 239 em 2021, com a invasão russa à Ucrânia.

O foco do investimento do capital de risco em deeptech também se centrou em DSR, representando 43% do investimento europeu nessa área. Mais, refere o estudo, a aposta feita pelos investidores de venture capital neste setor representou 13% de todo o investimento de capital de risco em 2025.

Países lançam fundos específicos para defesa

Há também mais investidores a realizarem negócio neste setor. No ano passado, 941 fecharam, pelo menos, uma operação, em 2020 esse número era unicamente 362, aponta o estudo.

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

Os fundos europeus representam pouco mais de metade do investimento do setor, mas “nos últimos três anos, uma parcela crescente dos fundos tem vindo de investidores norte-americanos, à medida que o setor amadurece e atrai rondas de investimento maiores”, destaca o estudo.

Mas há vários países europeus a avançar com fundos específicos para o setor de defesa, segurança e resiliência. É o caso do Reino Unido que lançou o National Security Strategic Investment Fund com 330 milhões de libras e que já investiu na ICEYE, Photonic ou na unicórnio nacional Tekever. Mas também a França — o Definvest tem 100 milhões para investir —, a Holanda — que injetou 100 milhões no fundo SecFund — ou a Estónia que aplicou 100 milhões de euros no Defence Fund.

O Reino Unido lidera o investimento venture capital no setor. No ano passado, absorveu 2,9 mil milhões de dólares; seguido da Alemanha (2,1 mil milhões de dólares) e da França (869,1 milhões).

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

Mas, se análise for mais fina, a nível de cidades, Munique domina. Liderou o investimento em 2025 (bem como no período entre 2020-2025), seguida de Londres, Cambridge e Helsínquia.

Casa da Helsing ou da Quantum Systems, Munique absorveu 1,7 mil milhões de dólares de investimento, 18 vezes mais do que quando comparado com 2020, sendo casa de 42 duas startups já financiadas com venture capital com um valor empresarial combinado de 22,7 mil milhões de dólares.

Receitas das empresas a aumentar

As empresas do setor têm vindo a ganhar contratos públicos, destaca o estudo, focando-se na indústria de drones, onde refere a Tekever, e com isso as suas receitas.

Com base nas últimas receitas conhecidas, a Dealroom indica que a Quantum Systems, por exemplo, registou uma subida de 173% nas suas receitas, para 300 milhões de euros, a finlandesa ICEYE um crescimento de 143%, para 250 milhões de euros, e a Tekever um salto de 90% para 62 milhões de euros.

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

Este ecossistema está igualmente a atrair os operadores de defesa mais tradicionais que estão igualmente a investir neste ecossistema — no ano passado, investiram 969 milhões de dólares, quando um ano antes esse valor era 615 milhões. Estes montantes, aliás, subiram aceleradamente de 2021 para 2022 (de 31 milhões para 221 milhões) e têm vindo a crescer desde então, mas também a fecharem igualmente parcerias com startups. É o caso da Dassault Aviation na Harmattan AI ou da General Dynamics na Tekever, exemplifica.

 

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

O ecossistema de startups está igualmente a consolidar. A atividade de fusões e aquisições (M&A) atingiu um pico no ano passado, com 20 operações, quatro vezes mais do que há quatro anos, mas sem atividade de entrada em bolsa. Nesse parâmetro, 2021 foi o ano mais ativo com 15 IPO vs 5 operações de M&A.

Fonte: “Defence, Security and Resilience in Europe The state of startups and venture capital – 2026”, da Dealroom/NIF.

 

 

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