Mota-Engil em fase avançada para assumir megaprojeto de mineração na Bahia

Empresa portuguesa está próxima de fechar acordo para controlar projeto que inclui ferrovia e um porto, além de uma mina de ferro, projetos que precisam de investimentos de 2,5 mil milhões.

A construtora Mota-Engil está prestes a acrescentar um novo projeto à sua carteira. O grupo português, que já conta com importantes adjudicações no Brasil, está em fase avançada de negociação para assumir o controlo da empresa mineração Bahia Mineração (Bamin), avança o Folha de São Paulo. Atualmente detida pelo grupo Eurasian Resources (ERG), a empresa detém uma mina de ferro e é atualmente responsável por um projeto integrado, que envolve a construção de um troço de ferrovia e o projeto Porto Sul, na Bahia. Projetos que precisam de cerca de 2,5 mil milhões de euros para serem concluídos.

A construtora portuguesa, que já estava a negociar a aquisição da empresa no final do ano, realizou uma reunião no Palácio do Planalto, no passado dia 26 de janeiro, que contou com a presença do próprio presidente brasileiro Lula da Silva e na qual participaram ainda o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro dos Transportes, Renan Filho, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o vice-presidente do conselho de administração da Mota-Engil, Manuel António da Mota.

Após este encontro, a empresa formalizou a negociação junto do Ministério dos Transportes. Segundo a notícia, o processo está em fase avançada de due diligence, ou seja, fase na qual são analisadas as condições financeiras, jurídicas e operacionais dos projetos. A expectativa é que o acordo seja concluído nas próximas semanas.

A proposta prevê que o grupo de construção português assuma 100% das três concessões (mina, ferrovia e porto), sem novos sócios.

A Bamin é controlada pela Eurasian Resources Group (ERG), que tem acionistas do Cazaquistão e enfrenta dificuldades para garantir os recursos necessários para avançar com os projetos, procurando vender o ativo. Segundo avança a mesma notícia, são necessários 15 mil milhões de reais (2,5 mil milhões de euros) para desbloquear os projetos de infraestruturas paralisados.

O projeto chegou a ser oferecido a um consórcio formado pela Vale, mas a empresa brasileira mostrou-se reticente em avançar com o negócio devido ao elevado volume de investimentos necessários para concluir os ativos de infraestrutura.

Um dos projetos que está parado devido à falta de recursos financeiros é o Fiol 1. Com 75% das obras concluídas, é uma importante infraestrutura que vai ligar a mina por ferrovia ao local onde está previsto o Porto Sul, um projeto com um orçamento de oito mil milhões de reais (1,3 mil milhões de euros), ainda por iniciar.

Caso a Mota-Engil consiga realizar a operação, a empresa portuguesa consegue entrar no setor da mineração brasileiro, posicionando-se como candidata natural ao leilão da Fico-Fiol, um dos maiores corredores ferroviários planeados no país, que inclui uma linha de 2.700 km e que está previsto para este ano, num investimento total pode superar 40 mil milhões de reais.

A Mota-Engil tem fechado importantes negócios no setor de infraestruturas no Brasil. No início de setembro ganhou o concurso para a construção do primeiro túnel imerso do Brasil, que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá, em São Paulo, um contrato que engordou a carteira de encomendas da empresa portuguesa no Brasil para 2,2 mil milhões.

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