À quarta não foi de vez: Sócrates está novamente sem advogado na Operação Marquês
José Sócrates ficou novamente sem advogado de defesa no processo Operação Marquês. Sara Leitão Moreira recordou em tribunal que "não era figurante" e que "fazer justiça não é fazer número".
À quarta não foi de vez. José Sócrates ficou novamente sem advogado de defesa no processo Operação Marquês. Segundo avança a SIC Notícias, a mais recente advogada do antigo primeiro-ministro, Sara Leitão Moreira, recordou em tribunal que “não era figurante” e que “fazer justiça não é fazer número”. Recorde-se que a advogada começou a representar Sócrates a 9 de fevereiro.
Os últimos meses têm sido atribulados no que toca à defesa de Sócrates. Primeiro, o seu advogado Pedro Delille renunciou por desentendimentos com a juíza. De seguida, o seu substituto, José Preto, foi internado com uma pneumonia no final do último ano, motivando um atraso no retomar do julgamento. A terceira advogada oficiosa destacada ao antigo primeiro-ministro acabou também por renunciar. E agora foi a vez de Sara Leitão Moreira que justificou a decisão com o facto de não lhe ter sido dado tempo suficiente pelo tribunal para preparar a defesa.
O tribunal ordenou a nomeação de um advogado oficioso para que o julgamento prossiga, tendo a sessão sido interrompida e o julgamento suspenso até ser nomeado o advogado oficioso pela Ordem dos Advogados.
“Uma vez que a situação de renúncias sucessivas ao mandato por parte da mesma defesa prejudica de sobremaneira a realização da justiça, a fim de assegurar a continuidade da audiência sem mais sobressaltos, entende-se justificar-se a nomeação de defensor especificamente para os presentes autos pelo tempo necessário, para garantir os direitos de defesa [de José Sócrates]“, sustentou a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo. No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo. José Sócrates e os restantes arguidos foram dispensados pelo tribunal de comparecer no julgamento, iniciado em 3 de julho de 2025, e têm estado todos ausentes das últimas sessões.
(Notícia atualizada às 11h27)
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