Ambição europeia para “soberania tecnológica” tem riscos de segurança, apontam militares

O sistema Aegis, desenvolvido pela Lockheed Martin, é apontado pelas forças militares como um exemplo de software fundamental americano do qual a Europa não poderia prescindir.

A Comissão Europeia vai propor esta primavera um pacote de “soberania tecnológica” para reduzir a dependência europeia dos fornecedores de serviços cloud norte-americanos, num esforço de impulsionar o setor tecnológico europeu, mas autoridades militares europeias receiam que isso possa ter sérias consequências para as capacidades de defesa da região dada a dependência de várias forças armadas em software e redes americano para operar sistemas críticos.

O sistema Aegis, desenvolvido pela Lockheed Martin, é apontado pelas forças militares como um exemplo de software fundamental americano do qual a Europa não poderia prescindir, já que o mesmo é usado por muitos navios das marinhas norueguesa, espanhola e de outros países europeus.

Para alguns militares, “não é realística” a discussão sobre soberania tecnológica face a essa dependência de tecnologia norte-americana para comunicações seguras, recolha de informação e armazenamento de dados. “A maioria das nossas plataformas europeias depende de infraestrutura americana… Então é muito difícil imaginar que algo aconteça em curto prazo. Simplesmente não é possível”, diz fonte militar citada pelo Financial Times (artigo em inglês/acesso reservado).

O tema tem ganho visibilidade num momento de tensão geopolítica com o aliado norte-americano — com o dossiê Gronelândia a gerar tensão acrescida — e quando a Europa tem passado uma mensagem de que pretende uma maior autonomia em termos de defesa do continente.

“Precisamos acelerar e implementar claramente todos os componentes de uma potência geopolítica, na defesa, na tecnologia e na redução dos riscos em relação às grandes potências, para sermos muito mais independentes”, disse o presidente francês Emmanuel Macron na Conferência de Segurança de Munique, referindo especificamente “inteligência artificial e computação em cloud” como exemplos.

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