“Depois das calamidades deste ano e com megaprojetos vamos ter mais dívida”, diz Cadilhe
Economista defende que reforma do Estado passa por acabar com centralismo e diz que se houvesse regionalização, megaprojetos como novo aeroporto para responder a turismo de massa seriam questionados.
O ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe defende que é preciso combater o “centralismo”, dando voz às várias regiões. Sobre o novo aeroporto de Lisboa, projetado para responder ao turismo “de massa”, o economista realça que se houvesse regionalização, vozes levantar-se-iam contra este investimento que vai absorver “dinheiros que são escassos”. Sobre as finanças públicas avisa que, apesar de a dívida pública ter baixado nos últimos anos, o rácio vai voltar a subir depois das calamidades deste ano e com os megaprojetos em andamento.
“Sou pela democracia regional”, começou por argumentar Miguel Cadilhe, numa apresentação dedicada à reforma do Estado, na conferência final do Fórum Produtividade e Inovação, um projeto da responsabilidade da Fundação AEP e da SEDES, que decorre esta terça-feira na sede da AEP, em Matosinhos.

Para o economista, a reforma do Estado passa pelo combate ao centralismo, defendendo que “há uma forma de quebrar o centralismo, que é introduzir a democracia regional“. Estabelecendo um paralelismo com a Dinamarca, um país mais pequeno, mas que “em desenvolvimento está muito acima de nós, a democracia regional existe na Dinamarca com cinco regiões no continente”.
Num momento em que o país está a avançar com importantes projetos, nomeadamente o novo aeroporto, Miguel Cadilhe destaca que os estudos antecipam que a procura no aeroporto vai multiplicar por quatro nos próximos anos, isto num momento em que o país diminui população.
Isto significa que o que compagina este “grande aeroporto de Lisboa” “tem de ser o turismo de massa, o turismo pé de chinelo, que chega cá e vai aos supermercados”.
“É para isso que vamos construir o grande aeroporto e aplicar dinheiros que são escassos?”, questiona. “Se a regionalização existisse, provavelmente vozes levantar-se-iam” contra este grande investimento, avisa. Dando sequência a este pensamento, Miguel Cadilhe diz que é preciso “fortalecer a sociedade civil”.
Miguel Cadilhe elogiou a descida do rácio da dívida para 90%, mas alertou que “depois das calamidades deste ano e com megaprojetos vamos ter mais dívida”.
Face a estes aumentos esperados, avisa que “é preciso ter cuidado com a dívida senão a tigela entorna”.
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