Despesa militar global aumentou para recorde 2,23 biliões de euros em 2025

  • Lusa
  • 24 Fevereiro 2026

Portugal terá aumentado o orçamento para a defesa para 3,07 mil milhões de euros em 2025, mais 8% do que no ano anterior, o qual está previsto disparar mais 22% em 2026, para 3,77 mil milhões.

A despesa militar global aumentou 2,5% em 2025 para um recorde de 2,63 biliões de dólares (2,23 biliões de euros) para responder às tensões geopolíticas crescentes, indica o Balanço Militar 2026 hoje divulgado.

O relatório do centro de estudos britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) destacou a mudança significativa na política de defesa dos EUA sob a segunda administração do Presidente norte-americano, Donald Trump.

“O Presidente Trump reforçou a defesa do país e (…) começou a recuar nos compromissos de defesa de longa data dos Estados Unidos e exigiu uma maior partilha de encargos dos aliados, tanto na Europa como na Ásia-Pacífico”, salientou a introdução.

O programa de defesa antimísseis ‘Golden Dome’ proposto exemplifica esse foco da Casa Branca, que reduziu o apoio direto à Ucrânia e enfrenta tensões em várias regiões, nomeadamente no Médio Oriente.

A participação da Europa nos gastos globais com defesa acelerou para mais de 21%, contra 17% em 2022, refletindo o esforço dos governos para enfrentar a ameaça da Rússia e compensar a redução do envolvimento dos EUA em questões de segurança.

Só a Alemanha foi responsável por cerca de 25% do crescimento total dos gastos da Europa desde 2024, enquanto Bélgica, Espanha e os países nórdicos também registaram aumentos significativos.

De acordo com o relatório anual, atualmente na 67.ª edição, Portugal terá aumentado o orçamento para a defesa para 3,07 mil milhões de euros em 2025, mais 8% do que no ano anterior, o qual está previsto disparar mais 22% em 2026, para 3,77 mil milhões de euros.

Ainda assim, o IISS alertou que a lenta reforma das aquisições e a capacidade industrial limitada estão a restringir a capacidade da Europa de aumentar a produção e reforçar as defesas no flanco leste da NATO, particularmente nas áreas críticas da defesa aérea e antimísseis.

O relatório identificou a China como o principal impulsionador do crescimento militar asiático, expandindo a participação nos gastos regionais com defesa para 44% em 2025, acima da média de 37% na década anterior. Apesar das recentes purgas internas no comando do Exército de Libertação Popular (ELP), as capacidades de Pequim parecem não ter sido afetadas.

A Marinha do ELP encomendou o terceiro porta-aviões, o Fujian, e lançou dez novos submarinos nucleares entre 2021 e 2025. Simultaneamente, a China apresentou sistemas de mísseis avançados, como o míssil balístico aerotransportado JL-1, durante o desfile do Dia da Vitória de 2025.

O relatório destacou ainda o aprofundamento das parcerias de segurança dos EUA em todo o Golfo, particularmente com Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Os gastos regionais com defesa atingiram 219 mil milhões de dólares (cerca de 186 mil milhões de euros) em 2025, com os países a atribuir uma média de 4,3% do produto interno bruto (PIB) para a defesa, uma das taxas mais altas do mundo.

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