“Jovens hoje fazem carreira em ziguezague. Dificulta aquisição de conhecimento profundo”
Paulo Barradas Rebelo garante que Bluepharma ainda consegue recrutar sem grande dificuldade, mas admite que retenção já é desafiante, especialmente tendo em conta "carreira em ziguezague" dos jovens.
Apostar na conciliação entre a vida pessoal e profissional não é apenas uma questão de responsabilidade social das empresas. É mesmo central para fomentar a produtividade e para fidelizar o talento. Quem o diz é Paulo Barradas Rebelo, fundador e chairman da farmacêutica Bluepharma, que, no novo episódio do podcast “Trinta e oito vírgula”, admite que a retenção dos trabalhadores tem se tornado mais desafiante, face às “carreiras em ziguezague” dos jovens.
“Ainda recrutamos bem, mas na retenção já sofremos o efeito de as pessoas não se fixarem. Estes jovens hoje fazem um bocadinho carreiras em ziguezague, saltando de uma empresa para outra. Digo que vão acumular muitas experiências, mas, no final, vão ter dificuldade em ter um conhecimento profundo sobre uma determinada área“, sublinha o responsável, que defende que esse conhecimento “se adquire também da repetição e do tempo em que se trabalha numa empresa”.
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Paulo Barradas Rebelo, chairman da Bluepharma, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Paulo Barradas Rebelo, chairman da Bluepharma, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Paulo Barradas Rebelo, chairman da Bluepharma, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO
No podcast “Trinta e oito vírgula quatro”, Paulo Barradas Rebelo admite mesmo que, perante um candidato com uma carreira em ziguezague, sente-se “desconfiado”, já que, explica, quando um empregador recruta, pensa que é um casamento para a vida. “E hoje é mais difícil manter esses recrutamentos“, atira.
Com a Bluepharma a celebrar 25 anos de existência — nasceu em 2001 com 57 pessoas e hoje conta com cerca de 700 trabalhadores –, o chairman adianta, por outro lado, que o objetivo para as próximas duas décadas é “continuar a fazer uma empresa de pessoas felizes“.
“Se não tiver uma população feliz, não temos uma população produtiva. A produtividade hoje é uma das principais preocupações das centrais. Em Portugal, temos de centrar muito na produtividade das empresas, porque temos de pagar melhores salários e dar melhores condições às pessoas e só o conseguiremos com empresas produtivas. E também acreditamos que empresas produtivas trazem bem-estar e felicidade às empresas. Trabalhar numa empresa com bons resultados é melhor para todos“, sublinha o fundador da primeira farmacêutica em Portugal a conseguir certificação “efr – conciliação familiar e laboral”.
Reabilitar imagem do setor do turismo
Também neste episódio do podcast do Trabalho by ECO, António Marto, fundador da Bolsa de Empregabilidade, reflete sobre o emprego no setor do turismo e garante que a forma como os empregadores se posicionam perante os trabalhadores tem mudado, até considerando a escassez de pessoal.
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António Marto, presidente da Associação Fórum Turismo, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
António Marto, presidente da Associação Fórum Turismo, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO
“Se as empresas não se adaptam, acabam por ficar ainda com maior dificuldade [no recrutamento]“, salienta o responsável. E dá alguns exemplos de alterações que têm sido feitas, da progressão na carreira aos turnos. “Sabemos que é um setor que ainda está muito fragmentado pelos turnos. Há uma tentativa de as empresas organizarem a jornada laboral para entregarem um turno fixo“, indica.
Já sobre a imigração, António Marto considera que o setor precisa da mão de obra que vem de fora, mas avisa que é preciso formar essas pessoas, em função das necessidades do setor.
“Se pudesse olhar para uma bola de cristal, acho que o trabalho de Portugal é ir aos países de onde vêm estas pessoas e fazer o filtro possível já na origem. É o melhor para que, depois, quando chegam já venham com a maior direção possível e não fiquem desamparados“, projeta o responsável.
O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor?
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