Nazaré da Costa Cabral defende audições prévias na AR para futuros presidentes do CFP

Mandato da atual presidente do Conselho das Finanças Públicas termina em março. Na hora de saída, Nazaré da Costa Cabral deixa a sugestão que futuras nomeações sigam o padrão aplicado aos reguladores.

A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP) defendeu esta terça-feira que os altos responsáveis da instituição devem passar por uma audição no Parlamento aquando da sua nomeação, à semelhança do que acontece para os reguladores. Nazaré da Costa Cabral, cujo mandato termina em março, considera que esta alteração irá contribuir para a “credibilização” daquela que denominou de “pérola escassa” de independência e liberdade intelectual.

“Importante também, a bem do reforço da independência da instituição, será consagrar na lei, ou seja, incluindo nos estatutos do CFP, a audição parlamentar prévia das personalidades propostas para o Conselho Superior do CFP, envolvendo a Assembleia da República no processo de escolha desses membros à semelhança do que sucede com as entidades reguladoras”, afirmou Nazaré da Costa Cabral.

A presidente do CFP falava na conferência “Transparência orçamental em tempos de desinformação: o papel das instituições orçamentais independentes”, realizada pela instituição na Gulbenkian, em Lisboa, num discurso no qual traçou uma evolução da organização nos últimos sete anos.

Para Nazaré da Costa Cabral, a realização de audições será “um fator adicional de credibilização de quem vier a ser nomeado para estas funções”. Neste sentido, recordou a recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico na avaliação do CFP em 2019 e em que sugeria justamente esse envolvimento.

Para Nazaré da Costa Cabral, a realização de audições será “um fator adicional de credibilização de quem vier a ser nomeado para estas funções”.

Creio que neste momento, com o processo legislativo que está a decorrer, estão finalmente reunidas as condições para concretizar muito em breve esta recomendação na nossa lei”, disse.

Atualmente, a nomeação dos membros do Conselho Superior do CFP, incluindo a presidência, é feita através de designação em Conselho de Ministros sob proposta do Banco de Portugal e do Tribunal de Contas.

Nazaré da Costa Cabral defendeu que “crucial” na revisão da Lei de Enquadramento Orçamental (LEO) é também “o reforço da transparência orçamental, elemento crítico para a qualidade e exatidão do trabalho do CFP, nomeadamente o acesso a dados e informação financeira e não só relevantes”.

Urge ainda uma mudança estrutural por parte das entidades públicas obrigadas ao dever de informação ao CFP, de que o fornecimento dessa informação é obrigação legal“, sublinhou, acrescentando ser “de esperar que quer o mandato, quer as garantias de independência” sejam “reforçadas”.

Até porque, para a presidente do CFP, a instituição tem contribuído para reforçar a credibilidade do país, desde logo junto de avaliadores, investidores e financiadores. “O CFP é uma pérola escassa no nosso país de independência e de liberdade intelectual, e é exemplo de qualidade de uma instituição pública“, disse.

“Não tenhamos dúvidas de que os progressos da situação orçamental e financeira do país verificados nos últimos anos também se devem à existência do CFP e à sua missão de vigilância ativa das finanças dos diferentes setores que compõem o Estado português”, reforçou.

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