Passos Coelho critica escolha de Luís Neves: “Não se pode passar de diretor de PJ a ministro da Administração Interna”
Ex-primeiro-ministro criticou a escolha de Luís Neves para suceder a Maria Lúcia Amaral na pasta da Administração Interna. Passos admitiu que Montenegro tivesse "boas intenções" mas "não é bom sinal".
O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou esta terça-feira a escolha de Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna. “Não se pode passar de diretor de Polícia Judiciária a ministro da Administração Interna”, atirou Pedro Passos Coelho.
A falar numa conferência de imprensa na AEP, o antigo governante adiantou que “não é um bom sinal” nomear o antigo diretor da PJ para a Administração Interna. “Não se pode. Tenho muita consideração pelas pessoas, acredito que a intenção do primeiro-ministro terá sido boa, mas não é bom sinal”, reforçou.
Luís Montenegro escolheu o diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves, para suceder a Maria Lúcia Amaral na pasta da Administração Interna, tendo tomado posse esta segunda-feira, 23 de fevereiro. O novo ministro era diretor nacional da Polícia Judiciária desde 18 de junho de 2018, tendo sido reconduzido no cargo em 2021 e novamente em 2024, por mais três anos.
Referindo-se diretamente a esta nomeação, Passos Coelho referiu que “não é bom sinal, assim como não foi tirar o ministro das Finanças para o Banco de Portugal”, criticou, referindo-se ainda a outros casos que aconteceram no antigo governo de António Costa, no qual diz que houve “um certo compadrio”.
“Quando nos lembramos dos casos em que a mulher e o marido foram nomeados, toda essa cultura viveu durante muitos anos”, atirou.
O antigo primeiro-ministro reconheceu que o modelo governativo socialista foi bem sucedido após a sua governação. “As pessoas, admito que cansadas do que aconteceu no tempo da troika, talvez tivessem apreciado um pouco de paz em que não se fizesse nada, mas foram oito anos“, apontou.
O antigo chefe de Governo disse ainda que é preciso avançar com a reforma do Estado, que a “oportunidade é excelente” para promover as mudanças necessárias. “Estamos numa fase em que pessoas têm perceção que estas reformas são importantes”, rematou.
Numa mensagem direta ao atual Executivo, Passos Coelho realçou que o “governo que sucedeu [a António Costa] tinha perfeita noção que não era possível passar mais oito anos assim” e incentivou Montenegro a acelerar as reformas.
“O governo está há dois anos, houve eleições, desgaste, tudo isso é atendível. Porém quando estamos a governar – na política só está quem quer e quando se vai, há-de ser para fazer qualquer coisa –, que deixe uma marca”.
(Notícia em atualização)
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