Portugal arrisca ser dos mais castigados na UE com nova tarifa global de 15% dos EUA

  • ECO e Lusa
  • 24 Fevereiro 2026

Taxa média efetiva é atualmente de 8,5%, pelo que, se a tarifa global for fixada nos 15%, os direitos aduaneiros sobem 6,5 pontos percentuais, o oitavo maior agravamento entre os 27 países da UE.

Se se confirmar a subida homogénea para 15% da taxa global anunciada por Donald Trump, Portugal arrisca-se a ter dos maiores agravamentos de tarifas de exportações de bens para os EUA entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), noticia esta terça-feira o Jornal de Negócios.

O jornal cita cálculos do economista Eric Dor, do IÉSEG, que analisou individualmente a taxa efetiva das tarifas atualmente em vigor, segundo os quais Portugal surge com uma taxa média a rondar os 8,5%. A aplicar-se uma tarifa única de 15%, seria o oitavo país da UE com o maior agravamento, de 6,5 pontos percentuais. Em piores circunstâncias estariam a Irlanda, os Países Baixos, a Bélgica, França, Hungria, Malta e Croácia.

“O acordo entre os EUA e a UE implica direitos aduaneiros de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, mas com isenções, e também 50% de tarifas sobre o aço e o alumínio”, explica Eric Dor. Ou seja, a “taxa média aplicada aos diferentes países da União Europeia difere em função da combinação de produtos exportados para os EUA“.

Brasil e China são os mais beneficiados

Dados divulgados pelo organismo de monitorização comercial Global Trade Alert (GTA) referem, por outro lado, que o Brasil será o país com a maior redução na taxa média de tarifas aplicadas pelos EUA, com uma descida de 13,6%, seguido da China, com uma redução de 7,1%. Em contrapartida, aliados de longa data de Washington deverão sofrer o maior impacto da nova taxa.

Citado pelo jornal britânico Financial Times, o economista Johannes Fritz, diretor executivo do GTA e autor da análise, afirmou que países como China, Brasil, México e Canadá – anteriormente visados por ordens executivas específicas ao abrigo da Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) – foram os que mais beneficiaram com a alteração do regime.

Fabricantes asiáticos como Vietname, Tailândia e Malásia, frequentemente criticados por registarem elevados excedentes comerciais com os EUA, também deverão beneficiar, em especial nos setores do vestuário, mobiliário, brinquedos e plásticos.

A nova taxa foi anunciada após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter considerado ilegal grande parte da anterior política comercial de Donald Trump. O Presidente norte-americano tinha recorrido à Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional para impor tarifas a parceiros comerciais dos EUA, mas a decisão judicial maioritária invalidou essa estratégia.

Na sequência do acórdão do Supremo Tribunal, o líder da Casa Branca anunciou que substituiria as tarifas impostas ao abrigo da IEEPA por uma taxa global de 10%, que elevou para 15% no sábado. A medida deve entrar em vigor esta terça-feira, sendo válida por 150 dias, após os quais necessitará de nova autorização do Congresso.

Note-se, contudo, que a Casa Branca garantiu que vai cumprir os acordos que foram assinados em formato bilateral, como no caso da UE, mas a Comissão Europeia já exigiu garantias e “total clareza” sobre os próximos passos de Washington.

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