Primeiras urgências regionais de obstetrícia avançam em março. Serviço do Barreiro encerra por falta de condições
Urgências regionais de obstetrícia avançam "dentro de pouco tempo" e o défice do SNS melhorou para 1.035 milhões de euros, anunciou a ministra da Saúde no Parlamento.
O Governo vai avançar já em março com as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia — medida que levará ao fecho da urgência do Hospital do Barreiro — numa altura em que o défice do Serviço Nacional de Saúde (SNS) melhorou para 1.035 milhões de euros em 2025, anunciou esta terça-feira a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no Parlamento.
A governante estima que as primeiras urgências regionais de obstetrícia e ginecologia entrem em funcionamento “dentro de pouco tempo”, garantindo que essa foi uma solução trabalhada com os profissionais de saúde.
“As primeiras urgências externas de âmbito regional serão na área da obstetrícia e ginecologia e estarão a funcionar, dentro de pouco tempo, na Península de Setúbal, centralizadas no Hospital Garcia de Orta, e na Unidade Local de Saúde (ULS) de Vila Franca de Xira e na ULS Beatriz Ângelo”, adiantou Ana Paula Martins, na Comissão de Saúde.
Aos deputados, a ministra assegurou que processo que está a ser “diretamente trabalhado com os profissionais no terreno”, que foram chamados a participar nas soluções para dar resposta à procura dos serviços de urgência.
“Não estamos a impor modelos administrativos desligados da realidade clínica, mas sim respostas com quem conhece os serviços, as equipas e as necessidades das populações”, salientou Ana Paula Martins.
Entretanto, a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento em março da nova urgência regional para a Península de Setúbal, adiantou ainda a ministra da Saúde.
“A urgência do Barreiro vai fechar porque não tem condições para se manter aberta”, afirmou Ana Paula Martins, que está a ser ouvida na comissão parlamentar de saúde.
A governante referiu aos deputados que os profissionais de saúde do Hospital Barreiro foram sujeitos a um “esforço desumano” quando as três urgências de obstetrícia da Península de Setúbal funcionaram em modelo de rotatividade, devido à falta de médicos para assegurar o funcionamento de todos os serviços.
Ana Paula Martins salientou ainda que o encerramento da urgência do Barreiro não significa que o serviço de obstetrícia e ginecologia, que tem “áreas altamente” diferenciadas, “deixe de fazer o seu trabalho e que deixem de se realizar partos programados” nesse hospital.
“Vão continuar a nascer bebés no Barreiro, obviamente. Nem todos os partos são em urgência”, realçou a ministra.
A urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal vai funcionar no Hospital Garcia de Orta, com a ministra a prever que possa entrar em funcionamento em março, e será criada uma segunda urgência desse tipo envolvendo as unidades locais de saúde de Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo.
SNS melhora saldo mas dívida a fornecedores cresce
A ministra apresentou também dados financeiros do SNS relativos a 2025. O saldo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) fixou-se em -1.035 milhões de euros em 2025, uma melhoria de 533,9 milhões face ao período homólogo que resultou do crescimento de 10% da receita, anunciou a ministra da Saúde.
Na intervenção inicial da audição regimental que decorre esta terça-feira na comissão parlamentar de Saúde, a ministra, Ana Paula Martins, explicou que, com as dotações de capital realizadas (1.311,4 milhões de euros), o saldo global foi de 276,3 milhões de euros.
Quanto à dívida total a fornecedores externos do SNS, o valor atingiu 1.510,3 milhões de euros, um aumento de 148,1 milhões de euros face ao período homólogo, correspondente a 10,9%.
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