Passos Coelho afirma que “tem de haver má gestão” na saúde

Ex-primeiro-ministro adiantou que é preciso avançar com mudanças estruturais para promover crescimento e melhoria de qualidade de vida das pessoas. Mas para isso é preciso ter o apoio das pessoas.

Pedro Passos Coelho admitiu, esta terça-feira, que “há muitos anos que a saúde está num caminho de insustentabilidade, desde logo financeiro”, devido ao envelhecimento, a haver mais doenças crónicas. “O envelhecimento provocará problemas sérios na despesa pública”, reconheceu na última conferência do Fórum Produtividade e Inovação, um projeto da responsabilidade da Fundação AEP e da SEDES, que juntou esta tarde, na sede da AEP, várias personalidades para discutir as reformas necessárias para promover o crescimento do país.

O antigo primeiro-ministro lembrou, porém, que “a despesa com o setor duplicou”, com a inflação a responder por perto de 20% desta diferença. A entrada mais forte de pessoas nos últimos 10 anos justificará outros 20% de aumento. “E os outros 60%? O que se passa aqui? É muito difícil não concluir que há má gestão, tem de haver má gestão”, atirou.

“É um bom momento para mudar. O que as pessoas não perdoarão é que não se tente”, reforçou, destacando a “oportunidade política que há para tentar fazer mais. As pessoas estão exaustas dos políticos que não querem fazer nada. Se vivessem bem, ninguém prestava atenção”, considerou.

Pedro Passos Coelho acrescentou que gostava que fosse o Governo do seu partido a prosseguir estas mudanças, mas “se não for do meu partido que seja outro. É o que desejo”, conclui.

É “urgente” promover mudanças estruturais para quebrar “maldição” do crescimento, defendeu, antes de acrescentar que o discurso político deve preparar as pessoas para essas reformas. O antigo primeiro-ministro elogiou a “coragem” do Governo na reforma laboral, mas disse que é preciso alargar a negociação a outras reformas.

“É necessário criar no discurso político a cama para que consigamos obter das pessoas o apoio para mudar alguma coisa estrutural, porque o problema é estrutural”, argumentou Passos Coelho.

Após uma análise àquilo que tem sido a evolução da economia nacional nas últimas décadas, com Portugal a ficar para trás na comparação com outros países europeus, o antigo governante notou que toda a gente concorda que é preciso mudar alguma coisa. E mesmo que o PIB cresça, é preciso atuar ao nível do PIB per capita.

“Se arranjarmos mais emprego, mais capital, é natural que o PIB possa crescer, mas o que importa é o per capita, mas as pessoas só poderão ter melhor nível de vida se per capita o produto crescer, senão o pedacinho de pizza de cada um não aumenta”, explicou.

A reforma estrutural é urgente. Já houve muito tempo para pensar, esse tempo acabou“, defendeu o antigo primeiro-ministro, que governou o país no tempo da troika, acrescentando que “o mais importante hoje é colocar a fronteira da nossa reforma mais além”.

Passos Coelho elogiou a reforma laboral proposta pelo Executivo de Montenegro. “O governo avançou, teve coragem – e teve – e tudo parece que aquilo não vai dar em nada, mas só há essa reforma para fazer? A mesa negocial tem de estar alargada”, atirou.

Para o antigo governante “além da reforma laboral é preciso pôr outras matérias à discussão”, abrindo a discussão aos outros partidos. Se acharem que não têm o apoio, que é necessário, têm de explicar essas reformas. Podemos viver melhor”, disse.

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